Paraíba gasta apenas R$ 0,68 por dia com pacientes do SUS
10 de julho de 2014
A Paraíba é o quarto estado do país que menos gastou com usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em 2013. A constatação integra uma pesquisa divulgada nessa quarta-feira (09), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e revela que cada paciente custou ao governo R$ 0,68 por dia. O valor é quase cinco vezes menor que a média nacional (R$ 3,05) e está longe de chegar à realidade de países que oferecem o mesmo modelo de acesso universal à saúde, como Inglaterra e Espanha. Os gastos da Paraíba resultam dos recursos enviados pelo governo federal e contrapartida do Estado e municípios.
Os dados levantados pelo CFM foram agrupados a partir das despesas apresentadas pelos gestores estaduais, municipais e federais à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) na ‘função saúde’. Conforme os dados do Conselho, o valor liquidado na Paraíba no ano passado foi de R$ 956.327.781,60, montante superior aos disponibilizados a estados como Roraima, Acre e Amapá, que gastam pelo menos três vezes mais com cada paciente atendido no SUS.
O valor de R$ 0,68 gasto com cada paciente que procura a rede pública no Estado corresponde a R$ 244,31 por ano, quantia quase três vezes menor do que os custos disponibilizados na rede pública municipal de João Pessoa em 2013. Segundo os dados, a capital gastou com cada usuário do SUS R$ 1,87 por dia e o equivalente a R$ 672,30 por ano.
Para o presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), João Medeiros, o levantamento apresentado pela entidade federal reflete as carências na rede pública de saúde no Estado, como demora na marcação de consultas e exames, além da precariedade no atendimento.
“Mesmo não conhecendo a fundo, sabemos que esses dados são preocupantes e se refletem no atendimento que a população recebe, como demora nas consultas, superlotação. Ainda são poucos os recursos empregados na saúde e faltam mais investimentos”, criticou João Medeiros.
As consequências relatadas pelo representante do CRM refletem-se na realidade diária nos principais hospitais públicos do Estado, sejam federais, estaduais ou municipais. Moradora do município de Pirpirituba, no Agreste, a dona de casa Euclídia da Silva sabe o que é depender do SUS quando precisa de atendimento médico. “Quando a gente adoece é muito difícil ser atendido na minha cidade e dependendo do problema, nem no hospital de Guarabira resolve”, lamentou a dona de casa que na tarde de ontem trouxe a filha com problemas na gestação para receber atendimento na capital.
Embora ainda não tenha tomado conhecimento da pesquisa do CFM, o superintendente do Tribunal de Contas da União na Paraíba (TCU), Rainério Rodrigues, lembrou que é preciso analisar de que maneira esses gastos com o SUS estão sendo aplicados na Paraíba bem como a qualidade dos serviços. “É preciso avaliar e saber detalhadamente como foi gasto esse dinheiro. Nem sempre quem gastou mais aplicou melhor e o contrário também”.
Leitos, Tuberculose e Dengue
A pesquisa do CFM também trouxe dados sobre a quantidade média de leitos no SUS disponibilizados para os pacientes na Paraíba e em João Pessoa. No Estado, a relação é de 1,76 leito para cada 800 habitantes. Já na capital, essa taxa é de 2,74.
Outros dados apresentados referem-se às taxas de incidência de tuberculose e dengue. No Estado, para cada grupo de 100 mil habitantes, 28,96% tinham tuberculose e na capital, 45,14%. Quanto à dengue, a taxa foi de 41,53% no Estado e 535,10% na capital.