Inflação oficial fica em 0,4% em junho, mas estoura a meta em 12 meses
9 de julho de 2014
A inflação oficial do país desacelerou de maio para junho, passando de 0,46% para 0,4%. No entanto, em 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 6,52%, acima do teto da meta de inflação do Banco Central, de 6,5%. O limite havia sido ultrapassado pela última vez em junho de 2013, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A previsão é próxima à do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus desta semana, divulgado pelo Banco Central, os analistas projetam um IPCA de 6,46% para 2014.
Com o resultado de junho de 2014, a inflação oficial fechou o primeiro semestre deste ano em 3,75% – taxa superior à de um ano atrás, 3,15%. Em junho do ano passado, o IPCA havia ficado em 0,26%.
“Esse resultado [de junho] é bastante peculiar, porque a maioria dos grupos de produtos e serviços pesquisados perdeu folego em relação ao mês anterior, especialmente o grupo dos alimentos, que chegou a apresentar uma pequena queda”, disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.
Seguindo a mesma tendência pelo terceiro mês seguido, os preços de alimentação e bebidas recuaram 0,11% em junho, depois de terem subido 0,58% em maio. Esse foi o menor resultado desde julho de 2013 (-0,33%), de acordo com o IBGE. Em 12 meses, o grupo acumula alta de 7,51%.
“O Brasil espera colher 192 milhões de grãos neste ano. Isso significa uma alta em relação à safra anterior de cerca de 2%. Além disso, outros países, como os Estados Unidos, e a União Europeia, já vêm divulgando projeções bem promissoras para a safra de 2014. Então, isso vem fazendo com que, não só no Brasil, mas em todo o mundo, os preços dos alimentos recuem”, disse.
Os alimentos consumidos em casa ficaram 0,60% mais baratos em junho, depois de subirem 0,41% no mês anterior. As maiores quedas foram nos preços da batata-inglesa (-11,46%) e do tomate (-9,58%).
Já os alimentos consumidos fora de casa não ficaram mais baratos, mas os preços subiram menos (de 0,91% para 0,82%), com destaque para refeição (de 0,96% para 0,75%), refrigerante (de 1,29% para 0,51%) e cerveja (de 0,34% para 0,01%).
“O tomate e o feijão, importantes na mesa da família, estão todos com resultado negativo. A cerveja, apesar da Copa, passou de 0,57% para zero em junho, mas nos 12 meses, a alta já está em 10,87%”, afirma Eulina. Ela lembrou que o setor de bebidas foi um que pediu ajuda e conseguiu adiar o aumento de impostos.
Com a Copa, as tarifas aéreas ficaram, em média, 21,95% mais caras e influenciaram o grupo de gastos com transportes. Depois de a taxa ter caído 0,45% em maio, subiu 0,37% no mês seguinte.
As diárias dos hotéis também tiveram seus preços reajustados. A alta de 25,33% puxou o avanço do grupo das despesas pessoais (de 0,80% para 1,57%), “configurando tanto a maior variação quanto o principal impacto de grupo”.
Tirando as variações desses grupos, influenciados fortemente pelo Mundial, o restante mostrou taxas menores de um mês para o outro.
No caso das despesas com habitação, houve redução de 0,61% em maio para 0,55% em junho, mesmo com o aumento do preço de água e esgoto, aluguel residencial e artigos de limpeza. Isso porque a energia subiu menos, de 3,71%, em maio, para 0,13%, em junho.
O grupo de saúde e cuidados pessoais registrou avanço de 0,60%, abaixo da taxa de maio, de 0,98% do mês anterior. Também foram verificados recuos no grupo de artigos de residência (de 1,03% para 0,38%) e de vestuário (de 0,84% para 0,49%).