“Na Paraíba, há a existência de um talento empreendedor, independentemente do tamanho do município ou do que for instalado”
1 de abril de 2014
As mais variadas pesquisas, estudos e levantamentos realizados têm sido mais que essenciais para se mapear e catalogar informações e ainda para apontar diagnósticos de toda e qualquer área estudada, para que se possa então criar planejamentos de ações que venham apontar soluções ou mesmo sugestões de melhoria nos aspectos negativos detectados nas pesquisas realizadas.
Na Paraíba, um dos principais órgãos que responde por esse tipo de trabalho é o Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual (Ideme), criado a mais de 20 anos pela Lei de nº 5.020/88, resultado da fusão de três outros órgãos que desde a década de 70 trabalham no suporte ao planejamento estadual: a Fundação Instituto de Planejamento do Estado da Paraíba – Fiplan, a Coordenadoria de Desenvolvimento Local – Codel, e a Coordenadoria de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Codecit.
Índices como PIB, cesta básica, IPC e outras taxas são pesquisados e publicados pelo Ideme, “centro de referência na divulgação e disseminação de informações”, segundo definiu o próprio superintendente do órgão, Mauro Nunes Pereira.
Ao logo da entrevista, Mauro Nunes, um dos idealizadores do Sebrae e que está à frente do Ideme desde janeiro de 2011, detalhou o trabalho do órgão e também avaliou o mapa de desenvolvimento do Estado. “A Paraíba está vivenciando um ciclo forte de desenvolvimento industrial. A Paraíba não via isso há muito tempo e os resultados estão aparecendo como o maior índice de geração de empregos em 12 meses, o maior crescimento do ICMS do país (18%). Atraímos R$ 4,4 bilhões em investimentos privados, e mais de R$ 1 bilhão já foram investidos em empresas que estão gerando empregos e desenvolvimento”, destacou.
Abaixo, trechos da entrevista exclusiva de Mauro Nunes ao Paraíba Total.
Qual o papel do Ideme no Governo do Estado?
O Ideme é centro de referência na divulgação e disseminação de informações, inclusive online, pelo site. Temos como missão produzir informações e conhecimentos que subsidiem e contribuam com a formulação de políticas públicas, sejam as adotadas pelo Governo do Estado, sejam aquelas praticadas por prefeituras municipais. Cabe lembrar que o Instituto como órgão de pesquisas, além do setor público, mantém seu foco como abordagem final na sociedade, a exemplo dos segmentos empresariais, universitários, comunitários, organizações não governamentais, empreendedores de todos os portes, educação, saúde e outros.
Como funciona trabalho do Ideme?
Posso mencionar algumas contribuições que considero relevantes para o governo, sociedade, cidadãs e cidadãos paraibanos. Uma delas é que o Ideme responde pelo dimensionamento anual do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado e dos 223 Municípios. Este indicador é a representação em valor monetária de todas as riquezas produzidas em um ano pelo Estado e por cada um dos municípios, repartidas segundo as participações de cada um dos setores da economia – Agropecuária, Indústria, Comércio e Serviços. Alguns produtos do Ideme são processados permanentemente, como os PIBs Estadual e Municipal e Anuário Estatístico, Anuário 2013, Índice de Preço ao Consumidor, Cesta Básica. Outros são originários das reflexões da própria equipe, como a Coletânea de Estudos sobre população no Estado e Municípios, que são seis já concluídos, o Desempenho da Economia Paraibana 2000-2010 sob a ótica do PIB, a Economia Paraibana e suas Tendências para os próximos anos e projeções para 2023 entre outros. E produtos de demanda do Estado, como a construção de um Atlas sobre as Comunidade Quilombolas.
Como está o custo de vida do paraibano?
O Ideme calcula as variações do IPC e da Cesta Básica apenas para a cidade de João Pessoa, como os demais Institutos fazem. Dessa forma, o IPC divulgado pelo Ideme não reflete a inflação estadual. Como o IPCA, calculado pelo IBGE, reflete a inflação oficial do governo federal. O IPCA, acumulado nos últimos 12 meses até fevereiro, foi de 5,68%. No mesmo período, o IPC de João Pessoa, ficou acumulado em 8,55%. Esse percentual superior ao nacional foi influenciado pelo grupo alimentação que pela diminuição da oferta dos produtos agrícolas em função da grande seca que afetou toda região Nordeste. O comportamento dos preços registra um comportamento dinâmico, que é influenciado por diversos fatores, desde o clima até a política cambial. Em se tratando de inúmeras variáveis envolvidas no cálculo, não se deve pressupor que a diferença a maior em 2,87% seja negativa ou tenha a tendência de permanecer no futuro para a cidade de João Pessoa apenas.
E como o senhor tem observado a variação da cesta básica, mesmo sendo ela uma das mais baixas do país?
A exemplo do IPC, a cesta básica é calculada com base nos preços praticados no comércio de João Pessoa. É composta por treze produtos que compõe a ração essencial mínima para alimentar uma pessoa. Valor da cesta para um trabalhador residente em fevereiro foi de R$ 267,90, correspondendo a 81 horas trabalhadas e representando a 37% do salário mínimo. O preço da cesta básica de João Pessoa, esta dentro da média de variação registrada na maioria das capitais estaduais. É importante considera-se que os preços da cesta básica variam constantemente em função variações na oferta local e regional. Está dentro da realidade dos números levantados e analisados. Quanto a isso, somos rigorosos.
Qual a tendência de aumentos e quedas para os próximos meses do ano?
Um aspecto favorável ao crescimento e desenvolvimento sustentável da Paraíba é a existência do talento empreendedor da sua população, independentemente do tamanho do município ou do empreendimento a ser instalado. Um dos segmentos em destaque por todo o Estado é a Indústria de Construção Civil, com ênfase nas cidades de João Pessoa, Campina Grande e municípios que fazem parte de regiões metropolitanas. Nessa linha deve-se destacar a instalação do Polo Cimenteiro no Litoral Sul. Em pouco tempo, a Paraíba será o segundo maior produtor de todo o país. Na mesma região predomina ainda as culturas orgânicas. Além disso, temos em Campina Grande, na área de Serviços o polo de software, reconhecido em todo o Brasil e no mundo. Outro segmento que deve contribuir substancialmente com o desenvolvimento do Estado. Nas áreas interioranas, o Governo do Estado tem incentivado e estimulado a implantação e ampliação de negócios através da Linha especial do Crédito do Empreender Paraíba.
Como funcionam as ações voltadas para o planejamento, consultorias de modernização gerencial e tributária desenvolvidas pelo Ideme junto às prefeituras? Já atingem os 223 municípios?
Com o compromisso de atender demandas dos municípios, o Ideme apresenta um portfólio para este ano e inicialmente de 15 municípios, em que as principais solicitações estão relacionadas com Cadastro Multifinalitário (Imobiliário e de Atividades Econômicas). Este produto é da maior importância para os municípios. É gerador de Receitas Próprias para a Prefeitura, por meio do IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano e ISS – Imposto Sobre Serviços. Os prefeitos devem ficar atentos, pois muitos deles estão cobrando esses tributos sobre cadastros e valores que foram definidos a 20 ou 30 anos atrás. O Ideme oferece também a construção de Plano Diretor, peça fundamental para o Planejamento e projeção do futuro das Cidades. Além de capacitações no contexto de um Projeto de Modernização Organizacional.
Como a Paraíba tem sido vista lá fora? Nosso Estado já é referência em algum setor de desenvolvimento socioeconômico?
A Paraíba atingiu a média mais alta entre os estados do Nordeste no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Laboratório do Hemocentro Paraíba é referência nacional. A Paraíba concentra em Campina Grande mais de uma centena de empreendimentos, cerca de 1.500 profissionais no segmento de Tecnologia de Informação e Comunicação. É um segmento que hoje vende softwares e hardwares. O Centro de Convenções já conta com agenda comprometida até o final de 2016. Ainda este ano, será realizada a Copa Mundial de Robótica na cidade de João Pessoa e que contará com vários países.
De que forma, na opinião do senhor, o Ideme também tem contribuído para o desenvolvimento da Paraíba de um modo geral?
Contribuindo com estudos e pesquisas que subsidiam na elaboração de projetos e Estudos para a realização de investimentos no Estado, tanto pelo setor público como pela iniciativa privada. Todo investimento demanda um projeto e todo projeto demanda dados, informações e conhecimentos que, em síntese são os principais produtos do Instituto. A exemplo do Estudo Analítico sobre a Rede Integrada de Desenvolvimento – RIDE, que propõe a articulação entre os Estados da Paraíba e de Pernambuco. Menciona-se como empreendimento fundamental nesse processo a instalação da Montadora da Fiat em Goiana, além do Polo Cimenteiro na Zona da Mata Sul. A Paraíba está vivenciando um ciclo forte de desenvolvimento industrial. A Paraíba não via isso há muito tempo e os resultados estão aparecendo como o maior índice de geração de empregos em 12 meses, o maior crescimento do ICMS do país (18%). Atraímos R$ 4,4 bilhões em investimentos privados, e mais de R$ 1 bilhão já foram investidos em empresas que estão gerando empregos e desenvolvimento.