Construção civil impulsiona movelarias na Paraíba
31 de março de 2014
A Paraíba possui 960 micro e pequenas empresas formais que fabricam e vendem móveis sob medida diretamente aos clientes, e tem cerca de duas mil na informalidade. Juntas, essas empresas geram aproximadamente 34 mil empregos diretos. E, com o impulso na construção civil, nos últimos cinco anos, vêm mantendo um crescimento médio anual de 25%. Já as grandes indústrias são em menor número e só fornecem 20% dos produtos consumidos, o que faz com que as grandes lojas do comércio importem 65% dos itens do Sul e Sudeste, e comprem 15% das micro e pequenas empresas locais. O presidente da Amap (Associação das Micro e Pequenas Empresas da Paraíba), Reginaldo Galvão, traçou um panorama do setor, garantindo que “a retirada do desconto do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre a venda dos móveis não influenciou nossas empresas, porque estamos enquadrados no Simples e não temos direito a esse tipo de benefício. Desta forma os efeitos, se ocorreram, foram nas grandes indústrias, principalmente, do Sul e Sudeste”.
Conforme os dados da Amap, colhidos junto à Associação Comercial e ao Sebrae, há 960 empresas formalizadas e em torno de duas mil informais. “Nas formais, existe uma média de 30 empregados por unidade, enquanto nas informais, são somente três, porque são as chamadas micro empresas de fundo de quintal”, Reginaldo Galvão.
Sobre a evolução do setor, ele destacou que “devemos muito à Indústria da construção civil, pois com o impulso na construção de novos apartamentos, nos últimos cinco anos, estamos mantendo um crescimento médio anual de 25%. Nesse primeiro trimestre estamos fechando com 15% a mais do que em 2013”.
O presidente da Amap esclareceu que “o impulso dado pelos novos apartamentos se deve ao fato de os proprietários, em quase sua totalidade, das classes média média alta optarem por colocar móveis pré-moldados e sob medida, ao contrário dos que compram imóveis pelo programa Minha Casa Minha Vida, que ainda não têm poder aquisitivo para tanto”.
Reginaldo Galvão ressaltou que o setor está tentando atingir o público do Minha Casa, Minha Vida, mas ainda não conseguiu por causa da concorrência com as grandes indústrias de outros estados, que fabricam em larga escala e conseguem colocar nas grandes lojas, principais as fornecedoras deste programa, por preços mais baixos.
Sobre as médias e grandes empresas, que não são enquadradas no Simples Nacional porque faturam, por ano, acima de R$ 3,6 milhões, Reginaldo disse que “existem a Nasa, Aiam, Incomel, Araújo, Beatriz, Ferrit e Carioflex, que somente fornecem 20% dos móveis vendidos nas grandes lojas do Estado e empregam em torno de mil pessoas”.
Crédito ainda é caro
Crédito existe, mas é caro. É o que informa, Reginaldo Galvão. “A oferta é grande, mas existe um problema: os custos, devido aos juros altos e, principalmente, garantias. Neste caso exige-se garantia numa relação de mais 100% para o valor tomado. Por exemplo, para se conseguir R$ 100 mil, tem-se que oferecer garantia de R$ 150 mil”.
Quanto a valores menores, em torno de R$ 15 mil se consegue com mais facilidade, nos programas de governo como o Empreender-PB, que não exige garantias e os juros são baixos, em torno de 0,9% ao mês. “Já nos empréstimos normais pode chegar até mais de 3%”, disse.
Longevidade
No ranking das microempresas, em termos de longevidade e gestão competente, Reginaldo garante, que “a Paraíba está bem, pois é a segunda em termos de longevidade no Brasil. Só perde para o Estado de Minas Gerais. Isto, graças às políticas públicas que visam fomentar o setor e o apoio do Sebrae, na orientação aos novos empreendedores e aos já estabelecidos. O Sebrae atua em todos os segmentos, incluindo agricultura, comércio e serviços”.
Ele disse que, em termo de capitais, as empresas de João Pessoa só ficam atrás das localizadas no Distrito Federal. “Qquando se vai verificar percentuais, a Paraíba fica com 80% de empresas longevas e Minas Gerais com 81%”.
Bom exemplo
Em 2008, Wellington Pereira Wanderley resolveu dar um novo rumo na sua vida e criou uma microempresa de fabricação de móveis sob medida. Começou com ele e um empregado. Hoje, já são sete trabalhadores registrados na ‘Só Serviços Marcenaria’, que começou em um pequeno cômodo e, hoje, funciona em um galpão construído ao lado do acesso à Praia da Penha, no Conjunto José Américo.
“A gente só trabalha sob encomenda, sendo mais de 70% para pessoas que compram novos apartamentos, mas também vendemos para casas e escritórios. Por mês, nós transformamos 400 metros de MDF (madeira processada), em estantes, armários, guarda-roupas, armários e birôs. Estamos satisfeitos porque nossa clientela é crescente”, disse Wellington.
Volta do IPI não atrapalha
Assim como as micro e pequenas empresas que fabricam e vendem móveis, as grandes e pequenas lojas de João Pessoa não sentiram os efeitos do fim do desconto do IPI nos móveis, que havia sido zerado em 2010, em um pacote de estímulo a vários setores industriais e, em janeiro último, passou de 3,5% para 4%. As vendas cresceram entre 10% e 15%, no primeiro trimestre de 2014, sobre 2013.
“As nossas vendas estão normais para o período, porque sempre no primeiro trimestre é menor devido às festas e as despesas que as pessoas fazem nos primeiros meses. E este ano teve mais dois problemas: o Carnaval em março e a Copa do Mundo, pois as pessoas só querem comprar televisões”, disse Zildilene Duarte, proprietária de Blenda Colchões, na Cidade Baixa, em João Pessoa.