Apenas 20% dos domicílios têm internet no Nordeste, revela pesquisa
14 de março de 2014
No Brasil, 40,8% dos domicílios possuem acesso à internet, segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre os serviços de telecomunicações no País. O estudo ‘Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) – Serviços de Telecomunicações’ foi divulgado nessa quinta-feira (13) e apurou a avaliação dos brasileiros sobre a infraestrutura e a qualidade dos serviços de telecomunicações ofertados.
O Ipea destaca que há três patamares no acesso efetivo à internet de acordo com as regiões brasileiras. No Sudeste, 51,5% dos domicílios têm acesso ao serviço. Em uma segunda faixa, estão o Sul (42,9%) e o Centro-Oeste (40,7%). No terceiro grupo, estão Nordeste (20,7%) e Norte (29,2%). Entre os motivos citados a respeito da não contratação de serviços de acesso à internet estão o fato de não possuir computador (59,6%); não ter condições de pagar o acesso (14,1%); não ter necessidade/interesse (8,7%) e não saber utilizar (4,3%).
O acesso à internet em banda larga depende muito da posse de equipamentos de tecnologia, destaca o trabalho. O estudo também evidenciou, nessa questão, disparidades entre as diferentes regiões. Na Região Sul, 53,5% dos domicílios têm computador, índice que sobe para 54,6% no Sudeste. Nordeste e Norte apresentam, porém, 39,6% e 35,3%, respectivamente.
E o preço do computador é um problema, na opinião do público ouvido pelo Ipea. Em 34% dos domicílios pesquisados (e que não possuem computador), os entrevistados disseram que pagariam entre R$ 300 e R$ 800 pelo equipamento. Outra fatia de 29,3% declarou que não está disposta a pagar pela posse do computador.
Telefonia fixa
A telefonia fixa se mostrou presente em 54,4% dos domicílios brasileiros. À parcela de 45,6% restante foi questionado qual o motivo para não contratar os serviços de telefonia fixa e, dentro dessa fatia, 59,4% afirmaram que o celular substitui o telefone fixo e 18,5% disseram que não há necessidade ou interesse pelo serviço.
Quando a pergunta foi sobre qualidade, a telefonia celular teve a pior avaliação entre os serviços de telecomunicações ofertados no Brasil. No acesso à internet via celular, os brasileiros não conhecem as principais regras dos serviços contratados, destaca o Ipea.
Convergência tecnológica
O processo de convergência tecnológica, com a convergência de serviços na área de telecomunicações, como TV por assinatura, banda larga e telefone fixo, ainda não é uma realidade no Brasil. Mas o avanço rumo à convergência já apresenta sinais, avalia o Ipea, ao citar que “há indícios de que o serviço alavancador da convergência no mercado brasileiro é a TV por assinatura”. Porém, em 9,1% dos domicílios não há utilização de nenhum dos serviços de telecomunicações contemplados, seja Serviço de Telefone Fixo Comutado, Serviço de Acesso Condicionado, a TV por assinatura; Serviço de Comunicação Multimídia (SCM4), internet banda larga fixa; ou Serviço Móvel Pessoal (SMP), o celular.
3G ruim é alvo de processo
A Proteste Associação de Consumidores ingressou na justiça, em Brasília, com ações coletivas contra as operadoras Claro, Oi, TIM e Vivo, em resposta às manifestações de mais de 43 mil consumidores, que relataram seus problemas com a telefonia 3G. O pedido é que elas ofereçam a conexão contratada com qualidade de serviço, sob pena de pagamento de pesadas multas por descumprimento. Além disso, a Proteste solicitou indenização por danos morais coletivos aos consumidores lesados por falhas na prestação de serviços, com descontos nas contas pelo período de um ano.
Também foi pedido nas ações que as operadoras sejam proibidas de vender novos planos de telefonia móvel com tecnologia 3G até a regularização do sistema, com atendimento aos parâmetros da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), cujas medições mensais têm apontado falhas das operadoras em boa parte do País. E que sejam multadas caso descumpram a proibição.
Em pesquisa da Proteste feita ano passado, quando foram percorridos mais de cinco mil quilômetros em 12 estados, a entidade constatou que só havia sinal regular de Internet móvel nas capitais e regiões metropolitanas.