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PIB do País cresce 2,3% e vai a R$ 4,84 no trimestre, segundo IBGE

28 de fevereiro de 2014

Em linha com as expectativas, a economia brasileira cresceu 2,3% em 2013, segundo dados do PIB divulgados nessa quinta-feira (27) pelo IBGE. O resultado supera a alta de 1% de 2012, mas converte-se no terceiro ano de fraco crescimento econômico – em 2011, a alta foi de 2,7%. No quarto trimestre, houve avanço de 0,7% em relação ao terceiro trimestre, quando o PIB havia se contraído em 0,5%. Já na comparação com o quarto trimestre de 2012, o indicador registrou expansão de 1,9%. Em valores, o PIB de 2013 somou R$ 4,84 trilhões. 

Na média dos três anos de governo Dilma, a economia do país avançou só 2%. Ao início do ano passado, esperava-se mais. Mas vários fatores contribuíram para a frustração, dentre os quais o esfriamento do consumo diante de juros maiores, crédito restrito, inadimplência ainda em patamar elevado. 

Outra trava ao crescimento do PIB e do consumo veio dos preços mais altos. Com a inflação de 5,91% de 2013 concentrada em alimentos e serviços, muitas famílias reduziram suas cestas de consumo. 

Com esses fatores, a indústria produziu apenas 1,3% mais em 2013. Já no caso dos serviços, a alta foi de 2% no ano passado. A agropecuária registrou expansão de 7%, embalada pela safra recorde de grãos. 

Pela ótica dos setores que demandam os produtos desses ramos, o consumo das famílias medido pelo PIB desacelerou e cresceu 2,3%, após uma alta de 3,2% em 2012. Já os investimentos reagiram e foram o destaque positivo, com expansão de 6,3%, invertendo a queda de 4% de 2012. O consumo do governo cresceu 1,9%. As exportações avançaram 2,5% em 2013, num ritmo menor do que o crescimento das importações, com alta de 8,4%. Esse descompasso mostra que o setor externo contribuiu negativamente para o PIB, pois as importações entram com sinal negativo, já que são produtos e serviços gerados fora do país. 

Trimestres 

Os dados do PIB do quarto trimestre ficaram um pouco acima das previsões, de uma alta em torno de 0,5% – no terceiro trimestre, houve recuo de 0,5%. Já no acumulado de 2013, o resultado verificado também se aproximou do previsto por analistas que esperavam uma taxa pouco inferior a 2,5%. 

Indústria 

A indústria, que teve um desempenho fraco em 2013, produzindo apenas 1,3% mais do que no ano anterior, foi impactada pela crise internacional e pela falta de mercados internacionais, afirmou Mantega.  Já o agronegócio, um dos destaques da expansão em 2013, com crescimento de 7%, não sofreu tanto os impactos da turbulência cambial e das mudanças nos fluxos de capital, motivadas, entre outros fatores, pela desaceleração do crescimento da China e a retirada de estímulos feita pelo banco central americano.  

Previsões

Mesmo com os dados surpreendentes, o governo mantém sua projeção de crescimento para 2014 em 2,5% -uma perspectiva otimista, tendo em vista a expectativa do mercado de crescimento de 1,7%. Mas é possível fazer revisões, “de acordo com a dinâmica da economia ao longo do ano”. 

Investimentos

Embora ainda fraco, o PIB do país deu um salto frente a 2012 graças ao investimento, que se recuperou e cresceu 6,3% em 2013, após uma queda de 4% em 2012. O investimento avançou na esteira da maior produção de máquinas, equipamentos e caminhões e dos financiamentos e programas à habitação que alavancaram a construção civil, além do aumento das importações de máquinas, segundo Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE. 

Diante desses fatores, os investimentos contribuíram com 1,3 ponto percentual para o avanço de PIB em 2013, numa taxa próxima ao peso do consumo das famílias, 1,4%. Isso apesar de o consumo ser o principal componente do PIB sob a ótica da demanda, com participação superior a 60%. 

Apesar de serem o destaque no ano, os investimentos já mostraram uma perda de ritmo no último trimestre, com alta de apenas 0,3% frente ao terceiro trimestre numa velocidade inferior à expansão de 0,7% do PIB. 

País de renda média

Apesar do fraco crescimento da população e de uma economia que não consegue subir com força, o PIB per capita do país conseguiu reagir e registrou expansão de 1,4%, numa taxa superior à expansão de apenas 0,1% de 2012. Segundo o IBGE, o PIB per capita do país ficou em R$ 24.065, o que coloca o Brasil na lista de países de renda média. 

Para um grupo de economistas, países que conseguiram avançar dessa categoria focaram seus esforços no aumento das exportações e numa base industrial e de serviços mais sólida. Não é possível, dizem, ampliar o PIB per capita de um país com a população como a do Brasil -de cerca de 200 milhões de habitantes- sem se voltar ao mercado externo. 

Consumo esgotado

Pelos dados do PIB de 2013, há um esgotamento do modelo brasileiro que, desde o início dos anos 2000, tem sido baseado no consumo doméstico. O consumo das famílias aumentou 2,3% em 2013, a mesma taxa do PIB -o que não ocorria nos últimos anos. O aumento do consumo foi o mais fraco desde 2004, segundo o IBGE. 

Embora o consumo cresça sucessivamente há dez anos, o indicador já mostra desaceleração diante do esgotamento da necessidade de consumo de bens duráveis, do crédito mais fraco e da inflação maior. 

Segundo o IBGE, o avanço do consumo foi assegurado, apesar desses fatores, pela massa salarial com alta de 2% em 2013 e por um crescimento nominal (sem descontar a inflação) de 8,5% do crédito para pessoas físicas. A inflação em 2013, pelo IPCA, ficou em 5,91%. 

Poupança

O País registrou, em 2013, a menor taxa de poupança em proporção do PIB dos últimos 13 anos: 13,9% do PIB, ante 14,6% em 2012. É o pior resultado desde 2001, quando o indicador chegou a 13,5%. 

Nesse período, o melhor resultado havia sido de 2008, quando bateu em 18,8%. Entende-se por taxa de poupança as economias das famílias mais os recursos disponíveis do governo e das empresas, e também o saldo das transações correntes (exportações e importações de bens e serviços mais transferência de lucros e juros).