“É necessário investir na educação básica para abrirmos mão das políticas de ação afirmativa, como o caso das cotas raciais”
17 de fevereiro de 2014
Resultante
da junção de algumas escolas de nível superior do Estado, a Universidade
Federal da Paraíba (UFPB), criada em 1955, e posteriormente federalizada em
1960, é hoje uma das mais bem conceituadas instituições públicas do país e
destaca-se pelo desenvolvimento de uma crescente estrutura multicampi,
distribuída atualmente em estruturas físicas instaladas nas cidades de João
Pessoa, Areia, Bananeiras, Mamanguape e Rio
Tinto.
Em
entrevista exclusiva ao Paraíba Total, a reitora da UFPB, a médica e
farmacêutica, Margareth Diniz, explicou de que maneira a instituição tem
buscado para superar os desafios que passa a educação pública superior na
Paraíba e elencado os avanços e metas traçados em sua gestão para manter o
padrão de qualidade de ensino, pesquisa e extensão que a mesma oferece
atualmente a mais de 30 mil alunos não só da Paraíba, mas de vários outros
estados e países que buscam a UFPB. “Os desafios são imensos, e num esforço
concentrado, nos empenhamos para fazer as correções de rumo e redirecionar a
Instituição no sentido de colocá-la no cenário das mais importantes do país. A
superação tem sido feita através de implementação das ações da política da
assistência estudantil, investimento de atividades dos servidores técnicos
administrativos e docentes”, disse Margareth Diniz.
Ainda
conforme a reitora, já em sua gestão iniciada em novembro de 2012 foram
enfatizados alguns avanços de implementos financeiros junto à UFPB que renderão
bons frutos a curto, médio e longo prazo. “Conseguimos praticamente duplicar os
valores destinados ao financiamento do ensino de graduação e de pós-graduação e
em atividades de extensão. Na esfera da educação superior, a UFPB já tem o
reconhecimento social como resultado de sua histórica contribuição, tanto para
o avanço científico e tecnológico regional, quanto para a formação de quadros
profissionais de excelência para o Estado da Paraíba e para o restante do país,
com destaque para a Região Nordeste”, evidenciou ela.
Quais são os maiores desafios da Universidade Federal da Paraíba e
o que a instituição tem feito para superá-los?
Os desafios
são imensos num esforço concentrado, fazer as correções de rumo e redirecionar
a Instituição no sentido de colocá-la no cenário das mais importantes do país.
Este é o sentido da frase criada pelo seu fundador, José Américo de Almeida:
“…outros voos darão asas e o selo da perpetuidade”. A superação tem sido
feita por meio de implementação das ações da política da assistência
estudantil, investimento de atividades dos servidores técnicos administrativos
e docentes.
Há uma procura cada vez maior e um acesso ao Ensino Superior nas
instituições paraibanas. Como isso tem sido percebido pela UFPB?
Na UFPB, de
acordo com a avaliação do Guia do Estudante, os cursos de graduação obtiveram
uma avaliação excelente. O corpo de pesquisadores é constituído por 1.422
doutores, dentre os quais, 987(69,4%) figuram como docentes nos cursos de
pós-graduação institucionais. A capacidade de pesquisa da instituição é
bastante fortalecida pela participação de 160 bolsistas de produtividade do
CNPq, que atuam em todas as grandes áreas do conhecimento, nas 1612 linhas de
pesquisa e nos 353 grupos de pesquisa cadastrados no diretório de pesquisa do
CNPq.
Em sua opinião os alunos da UFPB têm sido bem aproveitados no
mercado de trabalho da Paraíba?
Com
Certeza, a melhoria acadêmica da UFPB é incontestável. Nas avaliações do ensino
superior, o MEC utiliza o Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição
(IGC), que vai de 1 a 5. A UFPB tem IGC igual a 4. Na pós-graduação, mais de
60% dos cursos obtiveram conceitos do sistema MEC/Capes acima da nota média. A
pesquisa e a produção científica da UFPB são muito bem referidas nacional e
internacionalmente. Estamos sistematizando dados sobre a inserção dos egressos
do mercado de trabalho.
Como a senhora avalia o mercado de ensino na Paraíba? Há espaços
para mais universidades e faculdades públicas e privadas?
O setor
público não consegue dar conta de toda demanda da sociedade pelo Ensino Superior.
A alternativa encontrada por muitos que não conseguem entrar na universidade
pública é recorrer às faculdades privadas que contam, inclusive, com suporte do
governo federal por meio de programas específicos.
O setor de educação pública é muito concorrido, e ao mesmo tempo
ainda carente de investimentos. Como está a situação da UFPB em relação à
captação de recursos?
Nos
programas de extensão, a UFPB em 2013, ficou em 1º lugar no Brasil na captação
de recursos do edital nacional – Proext. Já atualizamos mais de 60 resoluções
dos Conselhos Superiores da UFPB, aumento no número de bolsas na assistência
estudantil. Criamos novos programas de incentivo à capacitação e qualificação
dos três segmentos universitários e buscamos a internacionalização da UFPB.
Qual a sua opinião sobre as cotas nas instituições de Ensino Superior?
As cotas
são importantes como ação afirmativa para salvaguardar uma geração que não teve
acesso a uma escola pública de qualidade. Mas o país precisa ter como meta não
precisar mais de cotas raciais dentro das universidades no futuro. É necessário
investir fortemente na educação básica brasileira para poder abrir mão das
políticas de ação afirmativa, como as cotas raciais.
Como anda o ensino, a pesquisa e a extensão oferecidos pela UFPB?
Conseguimos
praticamente duplicar os valores destinados ao financiamento do ensino de
graduação e de pós-graduação e em atividades de extensão. Na Extensão, a UFPB
também é referência atuando em oito áreas temáticas: Comunicação, Cultura,
Direitos Humanos, Educação, Meio Ambiente, Saúde, Tecnologia e Trabalho. A
instituição oferece o Programa de Bolsas de Extensão (Probex) para estudantes
de graduação. As fontes de financiamento da extensão vêm de recursos da própria
UFPB, de editais do Ministério da Educação (MEC), a exemplo do Proext, além de
incentivos da Petrobras e Banco do Nordeste.
Como funciona a dinâmica de relacionamento entre a universidade e
seus docentes e discentes? E com o público em geral?
Tem sido de
aprofundamento, de proximidade com as pessoas que fazem a instituição. Não
conseguiria ser reitora sem as presenças, vozes, opinião, sugestões, apoios,
que a abertura das portas do meu gabinete me permitiu. Este é o meu estilo,
esta é minha natureza como gestora. A qualidade do processo de
ensino-aprendizagem passa pelo aperfeiçoamento das relações interpessoais de
professores, servidores técnico-administrativos e estudantes. Cientes disso,
estamos investindo na Avaliação Institucional e Autoavaliação para avançar na
solução de eventuais problemas existentes.
Qual o custo médio mensal para se manter em funcionamento uma
universidade como a UFPB? Esse valor repassado pelo Governo Federal é
suficiente?
O orçamento
da UFPB é dividido em dois grandes grupos: Pagamento de Pessoal (ativos e
inativos) que contempla Professores e Técnicos Administrativos, e pagamentos de
suas despesas correntes designados por Outros Custeios e Capital (OCC). A
evolução desses elementos de 2006 a 2013 sofreu incrementos superiores à taxa
de inflação anual para fazer face ao programa de expansão das Instituições
Federais de Ensino (Reuni), programa atualmente em conclusão. Outra observação
importante surge quando comparamos os investimentos do Brasil em educação em
relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB) com de países mais desenvolvidos
Portanto, não há que se falar em números absolutos para se ”trabalhar de forma
tranquila”, senão em uma relação com o PIB. Neste caso, segundo a OCDE, o
Brasil investe 5,55% de seu PIB em educação ocupando o 27º lugar entre 37
países comparados.
O que está sendo preparado de projetos de
melhorias de um modo geral na instituição para o futuro, ou seja a longo a
curto, médio e longo prazos?
A UFPB está
investindo fortemente em melhoria de salas de aulas, laboratórios, ambientes de
professores, sistema de bibliotecas, segurança eletrônica, acessibilidade e
capacitação de pessoal. Em 2014, a meta é investir ainda mais nos mais diversos
setores.