“Para avançarmos no turismo, é preciso conscientização de gestores e de funcionários sobre a capacitação”
21 de janeiro de 2014
O ano de 2013 foi considerado muito bom para o turismo de João Pessoa. Mas 2014 promete ser o melhor da história dos últimos tempos. As belezas naturais, as melhorias na infraestrutura e na rede hoteleira, o crescimento do potencial gastronômico e os demais atrativos da Capital nunca foram tão divulgados fora do Estado e do País.
Mesmo não sendo cidade-sede da Copa do Mundo de 2014, a cinco meses do mega evento, João Pessoa promete também atrair visitantes e não fazer feio, garantiu o secretário de Turismo de João Pessoa, Roberto Brunet, em entrevista ao Paraíba Total.
Roberto Brunet, que já foi presidente do Fórum dos Municípios do Litoral Paraibano e presidente da Associação Brasileira de Agências de viagens da Paraíba (Abav-PB), conhece profundamente o setor: ele sabe dos gargalos da qualificação da mão de obra, da falta de grande volume de recursos para o segmento e da burocracia nas execuções dos projetos.
Na entrevista que segue, Brunet é otimista e conta de que forma a Prefeitura tem enfrentado todos os problemas, inclusive os sociais, como exploração infantil na rede hoteleira, e aponta de que forma tem fomentado as potencialidades da terceira cidade mais antiga do Brasil.
Qual o
real potencial do turismo de João Pessoa? Ele pode ser considerado apenas de
sol e mar ou existe alguma outra área que vem crescendo?
O
principal polo emissor, ou seja, o turista que vem para João Pessoa, tirando
Recife e Natal, que nos períodos de feriados essas vem para cá, são do Sul e do
Sudeste, com são Paulo, Brasília, Rio de janeiro e Belo Horizonte. Eles são atraídos
por sol e mar, pelo lazer. O aspecto cultural que envolve a cidade, por ser a terceira
cidade mais antiga do Brasil e contar com um acervo cultural bastante rico
também conta. Além das belíssimas praias, a peculiaridade de todo nosso acervo
cultural está começando a chamar muita atenção. Nesse ano, houve eventos
importantes, como o festival internacional de música, a iluminação de natal
diferenciada, os concertos culturais em várias igrejas de nossa cidade, os
stands culturais na orla, além da nossa prévia de Carnaval, que são eventos que
agregam um aumento no número de turistas que vem para cá. O turismo náutico
também é outro que está crescendo e que eu tenho fomentado bastante. Temos 11
navios naufragados da época colonial, e eu particularmente estive lá e fiquei
impressionado, pois a dois metros de profundidade já se consegue ter visibilidade
dos barcos. O turista de mergulho que procura esse atrativo gasta 20% do que o
de sol e mar. E esse é um potencial imenso e que não estava havendo divulgação.
Como está
acontecendo a inclusão de João Pessoa nos pacotes de viagem para o Nordeste?
Você acredita que melhorou? E o que a Setur tem feito atualmente para ajudar
nesse processo?
Tem mudado
sim, apesar de nós temos um déficit de mais de vinte anos para João Pessoa,
passamos praticamente duas décadas sem desenvolver o polo turístico do Cabo
Branco, o que foi um verdadeiro atraso. E também posso dizer que nunca houve
políticas publicas voltadas para desenvolver esse turismo na Capital,
principalmente no sentido da divulgação. Então, agora mais do que nunca, há uma
necessidade imensa de fomentar porque hoje a indústria do turismo só perde para
a indústria do petróleo em termo de desenvolvimento, e é a grande sacada para o
desenvolvimento de João pessoa e da Paraíba nos dias de hoje. Foi o que
aconteceu com Recife e Natal, que são cidades que entenderam, investiram e se
aprofundaram nesse segmento e hoje estão com uma demanda de turismo bem
superior a de João Pessoa. Portanto, conseguimos realizar capacitações no Sul e
Sudeste com agências operadoras e fomos também capacitar agências de viagem.
Outro ponto forte nosso é o boca-a-boca, pois, quando os turistas que aqui vem,
nem que seja por um dia eles já comentam que, se soubessem que nossa cidade era
tão bonita e tinha tanto o que se ver, teriam optado em passar mais dias do
pacote na capital paraibana e não em outras cidades. A tendência agora é João
pessoa se consolidar como uma cidade turística, pois temos uma boa gastronomia
e bons e novos hotéis.
Quais são
hoje os principais gargalos do turismo na Capital?
O
principal gargalo é a questão da falta de mão-de-obra qualificada. Ao que eu
tenho notado, é a grande necessidade de capacitação. Fizemos uma parceria com a
secretaria de educação e nos disponibilizamos diversas vagas de curso em idioma
inglês instrumental de dois anos, o que já vai dar uma base para as pessoas que
querem trabalhar com turismo e se comunicar melhor. Uma pena que há desinteresse
e muita evasão. Já com relação à associação, nossa experiência também não foi
muito boa. Vários cursos em várias áreas do turismo já foram oferecidos e
a procura sempre foi muito baixa. Nem os funcionários e nem os empresário
queriam se capacitar. Então, para avançarmos no turismo, é preciso que haja
essa conscientização por parte de gestores e de funcionários do ramo sobre
importância da capacitação, pois estamos a praticamente a cinco meses da Copa
do Mundo e, se nada for feito, se não houver um esforço nessa natureza
para podermos receber essa demanda turísticas, eles mesmo é quem serão
prejudicados.
Como anda
a taxa de hotelaria de hoje na Capital? Ela é atrativa para o turista?
A taxa de
ocupação de hoje na hotelaria de João pessoa é significativa, está girando em
torno de 65%. Não é o suficiente, mas também não adianta atrairmos mais
investidores pra cá e ela não ter uma taxa de ocupação satisfatória e nem
viabilidade econômica no seu hotel. Então o ideal é que, ano após ano, o setor
público junto com privado possa fomentar cada vez mais nossa cidade e gerar uma
demanda maior de hóspedes.
Como o
senhor vê a situação da malha área em relação ao nosso destino? Quais os
principais problemas e as soluções a serem aplicadas?
A
regionalização da nossa malha aérea é uma ação prioritária. Temos apenas 26
voos o que é ainda muito pouco, pois temos ainda quase 15 horas de ociosidade
em nosso aeroporto. Ele só tem um pouco de pico na parte da madrugada. Então
são quase 10 horas de fluxo alto apenas. E esse nosso horário de pico é
péssimo, inclusive para o turista, que tem prejuízo no tocante a sua hospedagem
ao chegar e sair de madrugada.
Como o
senhor ver a questão tarifária dos hotéis da Capital? São atraentes para
o turista?
Apesar
desse déficit da malha aérea, temos um ponto positivo com relação a nossa
tarifa de hotéis. Temos tarifas excelentes, em vários hotéis na orla onde que
você paga na diária entre R$ 150,00 e R$ 180,00. E isso tende a melhor também
porque mais dois novos hotéis brevemente serão inaugurados mais leitos, além de
gerar mais empregos e renda na Capital.
Como será
desenvolvido o trabalho de apoio turístico em João Pessoa no período da Copa do
Mudo, mesmo que nosso Estado não vá sediar jogos?
Junto com
a Secretaria de Comunicação da Prefeitura, vamos traçar como será nossa linha
de divulgação da nossa Capital, tanto nos países que vão jogar em Recife e
Natal, como propriamente nessas duas cidades sede. Geograficamente, podemos
afirmar que não existe nenhuma cidade tão bem posicionada como João pessoa para
isso. Então, certamente vai haver uma grande demanda de turistas que poderão
muito bem ficar em João Pessoa, hospedados, e irem apenas assistir aos jogos
nessas duas cidades sede, já que são apenas 120 km para Recife e 185km para
natal. Além da divulgação estamos realizando melhorias nos nossos centros de
treinamento, na antiga vila olímpica do Valentina, e recentemente conseguimos
captar recurso de R$ 1 milhão para sinalização da cidade, de português para inglês
e onde teremos uma média de 255 placas, todas bilíngues espalhadas pela cidade.
Isso gerar mobilidade urbana tanto para os turistas quanto para o pessoense,
onde terão informações de equipamentos turísticos, de hotéis, aeroporto,
rodoviária, estação ciências, entre outros locais turísticos da cidade.
Como serão
feitas as campanhas contra o turismo de prostituição e de outras praticas
irregulares em João Pessoa no período da Copa do Mundo de 2014?
Temos já
uma campanha periódica junto com o Ministério Público do Trabalho, em que
combatemos a prostituição de crianças e adolescentes, e isso é feito a cada
quinze dias em todos os locais de hospedagem da cidade. Nós deixamos
informativos e conscientizamos os recepcionistas de que eles não podem permitir
a entrada de crianças e adolescentes, quando não estiverem acompanhadas de
responsáveis legais ou pais. E não houve aumento e sim apenas ocorrências
localizadas e que estão sendo estancadas. Também já foi sendo instalado o CAC –
Centro de Atendimento ao Turista. Vamos encontrar o melhor local, e já vamos
abrir licitação para que a empresa que ganhar já possa ter a ordem de serviço
nos próximos meses. Teremos muitas novidades até lá.