“O tripé instrução, educação e solidariedade deve ser levado adiante pelos comunicadores da Paraíba”
25 de novembro de 2013
Defender os interesses das
emissoras de radiodifusão como executoras de serviços de interesse público, enfatizar os princípios adequados à radiodifusão
brasileira e solicitar a adoção de
medidas legais e judiciais de proteção são algumas das missões da Associação
Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Diretamente ligada à
Abert e aos interesses do radiodifusor no Estado, a Associação de Rádio e Televisão da Paraíba (Asserp) tem esse
papel e, recentemente, elegeu um novo presidente.
Henrique Kirilauskas,
antigo vice-presidente da entidade, tomou
posse do cargo da presidência da Asserp em outubro deste ano para exercer
mandato no biênio 2013/2015, juntamente com mais doze membros. “Somos a representação das defesas pelas questões
legais e não partidárias junto ao Ministério das Comunicações. Nossa missão é
instruir e melhorar a vida do radiodifusor”, explicou Henrique.
Além da Asserp, atualmente
com 48 afiliadas, Kirilauskas
acumula os cargos de presidência do Sindicato Patronal e da vice-presidência do
SBT Nordeste. Paulista de São Caetano do Sul, já atuou no mercado da
Comunicação do Ceará, e conversou com o Paraíba Total sobre avanços,
conquistas e desafios das emissoras de rádio e
TV da Paraíba.
O senhor assumiu a presidência do órgão há
quase dois meses. Como tem sido a gestão, quais são os principais objetivos?
A Asserp veio de uma boa
gestão, iniciada pelo presidente da Rede Paraíba de Comunicação, Eduardo
Carlos, e logo após comandada por Marilana Motta, da Campina FM. Assumo uma
gestão muito tranquila financeiramente. No entanto, tenho grandes objetivos no
momento como a luta pela flexibilização do horário da Voz do Brasil no Estado,
e a questão em torno da atuação de muitas rádios comunitárias do interior, que
estão tirando a verba das rádios comerciais quando vendem espaços publicitários
que não poderiam existir.
Quais os maiores desafios das emissoras de
rádio e das TVs da Paraíba?
O jornalismo televisivo na
Paraíba é diferente assim como no rádio, pois existe um carinho especial dos
paraibanos pela televisão, muito mais do que em outros Estados. Posso afirmar
isso com muita certeza por ser paulista, por ter morado no Ceará, e atualmente
também atuo como o vice-presidente do SBT Nordeste. Por isso, eu circulo pelo
Nordeste trabalhando pela televisão, e confirmo que o paraibano é mais atento a
esse veículo. Desse modo, eu vejo muito mais desafios para as TVs locais. Uma
emissora de televisão que vence aqui na Paraíba vence em qualquer outro estado
do Brasil. Já no rádio, com o advento de novas mídias que surgem o tempo todo,
o grande desafio é fazer com que ele se mantenha um grande veículo de comunicação
como sempre foi. Eu diria que a TV sofre menos nesse sentido.
E quais foram os maiores avanços e conquistas?
O primeiro avanço da
comunicação da Paraíba é ter um telespectador e ter um ouvinte um pouco mais
instruído do que os demais Estados. Quase todas as emissoras de rádio FM têm
programas jornalísticos que debatem política, gestão pública, e esse fato eu
considero um grande avanço para a Paraíba. A competitividade na rádio e na
televisão local também é fantástica, pois as emissoras se veem obrigadas a
melhorar as suas estruturas, seus conteúdos e impulsionam a busca por uma rádio
ou televisão bem melhor. E eu penso que a competitividade sempre é
melhor que o ostracismo.
O que falta para melhorar a relação entre emissoras e
agências? Como o senhor analisa essa relação?
Com a chegada da tecnologia,
a distância física vai se tornando inevitável cada vez mais. Cabe a cada
emissora de TV ter um relacionamento com agências, e esse acaba sendo nosso
maior desafio, uma vez que quanto mais distante nós ficamos, mas nós temos que
nos esforçar para mostrar para aquela agência ou cliente o quão bom é o nosso
produto.
De acordo com a ABERT, das 1.784 emissoras de rádio AM
existentes no Brasil, mais de 95% delas optarão pela migração de frequência.
Qual a análise da associação sobre o decreto que possibilita essa migração?
Na minha análise, é a melhor
notícia do rádio dos últimos 50 anos.É
fantástico porque o rádio AM está morrendo, já que o receptor não tem sido mais
vendido, e também porque o jovem não escuta mais AM, ele escuta FM. Desse modo,
a AM volta a ter chance de faturar, de brigar pelo espaço, mas ainda existem
grandes rádios AM na história do Brasil que deixarão de migrar, aquelas que são
referência como as rádios de Cajazeiras, por exemplo, não irão migrar por não
ser útil. Mas para quem está passando por dificuldades, tenho certeza que é o
melhor negócio.
Sobre o projeto de digitalização das rádios no Brasil. O
senhor acredita que a Paraíba está avançada em relação a isso?
Na verdade, o projeto está
completamente parado. Trata-se de um projeto nacional que não andou, e essa
ideia surgiu, primeiramente, para as rádios AM como uma alternativa. A Asserp
esteve no Ministério das Comunicações em algumas audiências brigando e
mostrando para o Ministério que digitalizar uma rádio AM não era a solução, mas
sim transformá-la em FM. Apenas quando todas as rádios FM estiverem
trabalhando, aí sim devemos buscar a digitalização. O processo não ocorreu
porque a tecnologia americana não chegou ao Brasil. Apenas os alemães trouxeram
a forma deles de atuarem, mas não era compatível com o nosso sistema de rádios.
Então toda certeza que tenho hoje é que o processo de digitalização das rádios
está parado. Ele não vai andar enquanto não for terminado 100% o de televisão,
que só está previsto para acontecer em 2018.
Em relação ao conteúdo, qual sua leitura sobre as temáticas e
do uso da informação pelos veículos de comunicação abertos do nosso Estado?
O conteúdo é muito
competitivo. Você ter programas jornalísticos numa rádio FM é atípico. Porém,
me preocupa muito o nível que é discutido, como presidente de classe, me preocupa
muito a forma que se é tomado o microfone. Existem jornalistas que soltam o
verbo independentemente de quem está do outro lado, e estes profissionais
acabam denegrindo as pessoas. Infelizmente, o direito de defesa muitas vezes é
esquecido na Paraíba.
O senhor acredita que as emissoras têm contribuído para o
desenvolvimento do nosso Estado? Elas estão comprometidas com isso?
Sim. Acho que isso é uma
grande virtude do comunicador, que procura sempre estar ajudando. Eu acho que
desenvolvemos o Estado quando ajudando as pequenas causas. A televisão, em
particular, se envolve e se comove em prol da comunidade em geral. Desse modo,
acredito que o Estado é beneficiado com o desempenho das emissoras de rádio e
televisão. Temos um papel muito importante de instrução, de educação e de
solidariedade. É um tripé que tem que ser levado adiante pelos comunicadores.
Como as TVs, de um modo geral, têm se comportado em relação à
força da internet e das redes sociais?
Posso responder como todas
as emissoras do Brasil: ninguém sabe exatamente o que acontece por ser um meio
tão recente. Algumas informações que nós temos é que os picos de internet se
dão durante os picos de audiência da televisão. Os grandes momentos de
repercussão na internet, na redes sociais, saem de discussões que vieram da
televisão e do rádio, isso é fato. A internet ainda não tem força para gerar
conteúdo sozinha. Tudo é muito novo e não tem essa força ainda. Agora como
gestor de TV, tenho que aprender a trabalhar com esse meio, pois ele vai ter o
seu espaço garantido e a gente ainda não sabe qual é o tamanho desse espaço.
Cabe a nós acompanhar e talvez trabalhar em conjunto.
Algo mais a acrescentar aos leitores do Paraíba Total?
Gostaria de dizer que a
comunicação na Paraíba é extremamente competitiva, discutida, e ela gera
repercussão de todos os fatos. Mas, eu gostaria que todo ouvinte e todo
telespectador também questionasse o que está ouvindo e assistindo, porque só
conseguimos ter crescimento quando temos a necessidade de mostrar sempre o
melhor. Quando o ouvinte ou telespectador permanece em silêncio, o que falamos
se torna sempre a verdade, mas nem sempre é.Peço
que critiquem, analisem, pois a evolução se dá pela dificuldade.