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Consumidor foge das dívidas no Natal, revela pesquisa

21 de novembro de 2013

Depois da farra do consumo e da explosão do crédito e da inadimplência,
a principal marca do Natal deste ano é a maturidade do consumidor. O brasileiro
pretende até gastar mais com uma quantidade maior de presentes, quase 30% em
relação ao ano passado, mas vai dar preferência ao pagamento à vista e em
dinheiro. Se optar pelo financiamento, a intenção é usar os prazos mais curtos.

Essas são as principais conclusões de uma pesquisa nacional sobre a
intenção de consumo do Natal da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas
(CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), executada pela empresa
Expertise, ligada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A enquete
consultou 651 pessoas na última semana de outubro em 26 capitais e no Distrito
Federal.

“O brasileiro está dando prova de maturidade, está mais pé no
chão”, afirma o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Jr, ao destacar, por
exemplo, que mais da metade dos entrevistados (57%) pretende comprar presentes
de Natal pagando à vista, em dinheiro. Cartão de crédito parcelado, com 16% das
intenções de forma de pagamento, e cartão à vista (9%), que no passado recente
foram apontados pelos consumidores como o principal meio de pagamento que levou
à inadimplência aparecem, porém, com menor força.

Dois outros resultados da pesquisa que reforçam a maturidade do
consumidor neste ano são o prazo de pagamento e o destino do 13 º salário. Mais
da metade dos entrevistados (53%) que planejam comprar a prazo pretende dividir
o pagamento em até três vezes.

Pellizzaro Jr. ressalta, no entanto, que cresceu de 2012 (46%) para este
ano (51%) a intenção de gastar o 13º com compras e o valor médio do desembolso
também subiu 28,6%, de R$ 86,59 para R$ 111,39. N o entanto, entre os que não
pretendem realizar compras de Natal (25%), a maioria (67%) planeja poupar e
quitar dívidas (16%), usando o 13º salário. “Isso reforça a queda da
inadimplência registrada nos últimos meses.”

Na avaliação do presidente da CNDL, o motivo para o maior otimismo do
brasileiro neste fim de ano é o recebimento do 13º salário, que teve em 2013 um
acréscimo de 10% em relação a 2012. Mesmo com uma inflação acumulada na casa de
quase 6% em 12 meses, existe um ganho real de poder aquisitivo, observa.

O outro ponto que sustenta a disposição de gastar mais, especialmente
das classes de menor renda, é, segundo Pellizzaro Jr., o arrefecimento da
inflação dos alimentos. Ela afeta principalmente a renda dos mais pobres.
Segundo a pesquisa, 57% dos consumidores das classes C, D e E planejam comprar
quatro ou mais presentes este ano. Esse resultado é maior do que o pretendido
pelas classes mais abastadas, A e B, que é de 46%, e também supera a média
nacional (55%). “Os mais pobres são mais generosos, apesar de terem menos
renda para consumo”, observa.

Esse maior otimismo do consumidor captado pela pesquisa levou a revisões
ao longo do ano nas projeções de vendas para o Natal do varejo restrito, aquele
que não inclui veículos, partes e peças e materiais de construção.

No começo do ano, a CNDL projetava crescimento de 4% no volume de vendas
para o Natal deste ano em relação à mesma data de 2012. Ao final do primeiro
semestre, essa projeção foi elevada para 4,5%. Agora a entidade calcula que o
crescimento atinja 5%.