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Juros chegam ao nível mais alto do ano, mas ritmo de alta é menor que Selic

21 de novembro de 2013

O consumidor voltou a pagar mais caro para financiar e fazer empréstimos em 2013. Entre seis linhas de crédito – juros do comércio, cheque especial, financiamento de veículos, cartão de crédito , empréstimo pessoal nos bancos e em financeiras – o aumento dos juros desde janeiro, ainda assim, caminhou em ritmo bem mais lento que a guinada da Selic no período: enquanto a taxa fixada pelo Banco Central (BC) subiu 2,25 pontos percentuais (de 7,25% para 9,5%) até outubro, os juros do consumidor tiveram um aumento proporcionalmente mais modesto.

Eles alcançaram seu maior patamar em 12 meses em outubro, após seis altas seguidas. Chegaram a 91,42% ao ano, de acordo com a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) – um crescimento de 2,91%. No mesmo período, a Selic disparou 31%.

Recentemente, os bancos públicos lançaram mão de uma política de redução das taxas cobradas no crédito, o que forçou as instituições privadas a seguirem o mesmo caminho. A estratégia bateu com o ciclo de queda da Selic que teve início em meados de 2011, e só voltou a subir no início deste ano.

Em maio de 2012, quando a taxa básica estava no mesmo patamar que a atual (9,5%), os juros anuais do crédito eram de 105,36%, ou 13,94 pontos percentuais acima de outubro deste ano. A redução foi ainda maior em pouco mais de dois anos.

Desde o início do ciclo de queda da Selic, em julho de 2011 – quando ela batia os 12,5% – a redução média dos juros para pessoas físicas chegou a 26,79 pontos percentuais.

Taxas de juros para pessoas físicas em seis linhas de crédito (outubro de 2013):

LINHA DE CRÉDITO

TAXA MENSAL

TAXA ANUAL

AUMENTO

(ANTE 09/13)

Juros do comércio

4,19%

63,65%

1,21%

Cartão de crédito

9,37%

162,64%

0%

Cheque especial

7,83%

148,56%

0,77%

CDC de veículos (bancos)

1,65%

21,70%

0,61%

Empréstimo pessoal (bancos)

3,16%                  

                        45,26%

1,28%

Empréstimo pessoal (financeiras)        

7,09%

127,50%

0,28%

Taxa média

5,56%

91,42%

0,54%

Cartão é líder em juros

As taxas do rotativo do cartão de crédito ainda são as campeãs em juros altos, embora tenham ficado estáveis nos últimos meses: a cobrança média foi de 192,94% ao ano (ou 9,37% ao mês), seguida do cheque especial, cujo valor dos juros ficou em 148,76% em outubro – menor nível desde novembro do ano passado.

Deixar de pagar o total da fatura do cartão, por exemplo, pode ser perigoso. Se o valor cobrado for de R$ 1 mil, mas o consumidor só puder bancar R$ 150 por mês – considerando os juros médios de outubro –, ele pagará 41% a mais de juros em nove meses e 15 dias: o custo total será de R$ 1.419,58.

Isso se conseguir pagar corretamente as parcelas. Se ele preferisse depositar os mesmos R$ 150 mensais na caderneta de poupança durante um ano, teria acumulado R$ 1,848.98.

Se o consumidor economizar R$ 1 mil por mês na poupança durante três anos, terá acumulado R$ 39,243.74 – R$ 3.242,74 só de juros – considerando um rendimento anual de 6%. Já se preferir financiar um veículo do valor que acumulou no mesmo período, pagando juros mensais de 3%, o valor da parcela será de R$ 1.797,47 por mês. Ele terá pago neste período R$ 64.708,92, ou 60% a mais que se tivesse poupado, pelo mesmo veículo.