“O fortalecimento do pequeno negócio deve ser tratado como política pública de Estado, de importância preponderante”
18 de novembro de 2013
A burocracia para se conseguir recursos viáveis sempre foi o maior
desafio para muitos empreendedores conseguirem materializar sonhos e projetos e
montar seus negócios. Contudo, a partir de 2011, os paraibanos passaram a contar
com o Empreender Paraíba, programa estadual que tem apresentado soluções de
financiamento e de apoio operacional individual e coletivo aos mais variados tipos
de cidadãos que buscam fomentar suas potencialidades.
E para melhor detalhar como funciona o programa e ainda falar de seus
avanços e metas, o Paraíba Total traz uma entrevista exclusiva com secretário
Executivo do Empreender Paraíba, Tárcio
Handel Pessoa. Especialista
em gestão de estratégica, gestão de negócios sociais, direito público e
auditoria e contabilidade pública, o administrador de empresas e advogado, nesta
entrevista, contou sobre como foi o desafio
foi implantar uma política pública de sucesso no município de João Pessoa e dar
a roupagem para que ela pudesse ganhar força e expandir no Estado.
“O Empreender PB está
conseguido dar a resposta social. Hoje estamos atuando com 40% do nosso
potencial. E quando viramos Agência de Fomento veremos o grande salto que o Estado
vai dar na sua relação com os pequenos negócios, será um tanque de guerra capaz
de mudar, profundamente, o modelo organizacional, com um ambiente propicio e
amplamente confortável para trabalhar a geração de negócio de pequenas empresas
e consolidação da geração de emprego e renda no Estado”, acredita ele.
Para 2013, a meta
de uma carteira ativa de R$ 50 milhões, adianta o secretário, na entrevista que
segue.
Os pequenos negócios foram responsáveis pela
geração de 82,2 mil novos empregos com carteira assinada, entre os anos 2000 e
2011, na Paraíba, segundo o Sebrae. Como o senhor avalia o setor do
microcrédito no Estado, que justamente impulsiona os micro e pequenos
empreendedores?
Eu acredito piamente
que é a partir do fortalecimento dos pequenos negócios é que nós teremos uma
economia forte. Isso é comum e histórico em países que hoje são desenvolvidos e
que conseguiram chegar no patamar que estão hoje. E nenhuma grande empresa
nasce grande, como nenhum grupo econômico nasce grande, antes de ser pequeno.
Então, eu acho que o fortalecimento do pequeno negócio deve ser tratado como
política pública de Estado, de importância preponderante. E é fundamental criar um ambiente propício para o
desenvolvimento desse negócio. Um ambiente capaz de gerar condições concretas
de competitividade, de acesso a crédito, de acesso a linhas de benefício, que
faça com que o pequeno empresário, o microempresário tenha condição de perdurar
e de crescer dentro do setor que ele vem desenvolvendo suas atividades.
O foco na base da pirâmide social e a consolidação
dos negócios sociais inclusivos e sustentáveis são tendência na expansão da
economia – até mesmo mundial. Como o Empreender identifica e fomenta as
capacidades produtivas no Estado, com suas variáveis em cada município e
segmento?
Nós fizemos um mapeamento de cadeias
produtivas nos municípios e, a partir desse mapeamento, montamos uma linha
específica de financiamento em negócio coletivo, que tenha a capacidade de
ativação de cadeias. Um exemplo deles é o financiamento de barcos de pesca
oceânica em Cabedelo. Nós já financiamos três cruzeiros, e com isso nós
recolocamos a Paraíba dentro do seleto grupo de estados que possuem uma
economia pesqueira com possibilidades de crescimento. Tendo em vista que o
Estado já foi uma potência nessa área e, através do Empreender, viabilizamos
aquisição de três barcos que fazem cruzeiro de pesca de atum nas águas do Oceano
Atlântico. E como este, temos outras linhas que buscam identificar as cadeias
produtivas. Então, é fundamental que nós pensemos que um negócio se consolida
dentro de um ecossistema, dentro de um ambiente. É inútil pensar que é só o
financiamento do pequeno empresário ou ao empresário consegue viabilizar a
possibilidade de sucesso desse negócio. Existem diversos fatores que estão
inclusos dentro desse arcabuz. E o Empreender PB vem pensando isso e vem evoluindo
e dentro em breve vai virar uma Agência de Fomento que vai ter como base a
construção de um ecossistema empresarial competitivo e focado
basicamente no suporte a pequena e microempresa, dando suporte à economia da
base da pirâmide e o apoio aos negócios sociais, que são de fundamental
importância dentro dessa percepção de modelo econômico, pois vivemos hoje em
escala global.
O Empreender Paraíba foi lançado em 2011 e alcança
movimentos de crédito em todo o Estado. Qual a avaliação do senhor sobre este
projeto desde o início? Quais os resultados mais significativos,
especialmente nas comunidades rurais da Paraíba?
Vejo como uma política pública avançada que sai da lógica do
assistencialismo e entra em outra lógica que vem pensando na estruturação de
ambientes. Esse de fato é seu grande diferencial. É uma política pública
sustentável, tendo em vista que ela tem uma fonte de recursos próprios que vem
avançando bastante. Para se ter uma ideia, nossa perspectiva é de
fechar o ano com uma carteira ativa de R$ 50 milhões investidos na base da
economia paraibana e isso realmente é muito forte, pois é muito
dinheiro investido da base da nossa economia. O exemplo dos exemplos concretos
de que o Empreender PB
vem se consolidado na Paraíba é visível do resultado por ser visto na Praia de Coqueirinho,
onde construímos uma praça da alimentação que hoje virou atração turística
naquela praia. Foi feito um investimento de R$ 500 mil na sua construção.
Recentemente foi inaugurada a primeira franquia do
Empreender PB, em Bananeiras? Por que o local foi escolhido? Como foi esse
processo? Como estão os resultados até agora? O escritório de Patos funciona
nos mesmos moldes?
O projeto da franquia é um projeto bastante ousado. Estamos
usando toda a ferramental defrank chaise, toda tecnologia desenvolvida dentro do escopo da franquia e
trazendo para reaplicação de políticas públicas o que é uma grande desafio. E
daí o motivo de escolher Bananeiras por estar à frente da gestão um prefeito
extremamente competente e centrado e um gestor muito preparado e que tem uma
visão muito apurada para políticas públicas, então a escolha foi pessoal que
fizemos. Tendo em vista a importância desse projeto que é a primeira franquia
publica do Brasil.O local de Bananeiras também favoreceusim, pois estamos usando como
protótipo, transformarmos a franquia de bananeiras em um laboratório e esse
laboratório vem rendendo frutos. Nós estamos concluindo, eu creio que até o
final do ano e inicio de janeiro já estamos lançando a replicação desse modelo
de franquia, onde ainda estamos finalizando sua remodelagem para implementar em
outros municípios a serem escolhidos. O escritório de Patos também é outra
estratégia que nós estamos trabalhando de abertura de escritório do empreender
em outros municípios e Patos tem uma articulação muito forte na área do sertão
e funciona como um braço avançando do programa. Nós estamos na eminência de
abrir em Campina Grande, eu creio que ainda em final de novembro ou início de
dezembro estaremos inaugurando escritório lá, e para o próximo ano devem surgir
outros escritórios. A gente vai balizar entre modelagem de franquia e modelagem
de escritório próprio para aumentar a capacidade de abrangência do programa na
Paraíba.
O programa tem cinco linhas de crédito. Quais as mais participativas e as
com menor procura. Quais os segmentos mais visados para investimento? Haverá
também novas linhas de crédito no próximo ano?
Dentre as cinco linhas, a mais procurada é a de financiamento
para empreendedor individual. Temos as linhas coletivas que são bem mais
restritas, nelas temos financiamentos de até R$ 500 mil, e o processo para
consolida-la é muito mais elaborado, muito mais complexo, pois se tem a
necessidade de que se haja realmente a consolidação de uma cadeia e isso não
significaria uma procura menor, mas sim uma consolidação menor. Hoje temos
apenas umas 40 operações coletivas, enquanto que a de individuais temos mais de
8 mil. Temos as taxas de juros mais baixas do Brasil, variação de 0,38% a 0,64%
ao mês, dependendo da linha, mas elas são computadas dentro da lógica de juros
simples. E estamos montando uma revisão de linhas e vão ter sim coisas
novas, umas linhas bem ousadas daqui para próximo ano, que vão atender a uma
demanda que existe deprimida de alguns setores da sociedade. Sobre os
segmentos que mais visa investimentos é muito pulverizado, e eu destaco, por
exemplo, o setor de serviços, ele é muito forte basicamente na região
metropolitana de João Pessoa ou na região da Grande Campina, mas não existe um
setor específico temos desde criador de camarão à empresa de reciclagem de
cartucho, de cabeleireiro até dentista que buscou o financiamento e todos tem
em comum é o sentimento de empreendedorismo, buscando a través do negocias uma
melhorai de vida para eles e para a família.
Quais os grandes diferenciais do Empreender-PB em
relação aos demais programas de microcrédito encontrados atualmente no mercado?
A capacitação e o acompanhamento seriam alguns deles?
Eu destaco o Empreender PB não como um problema de microcrédito,
mas sim um programa de apoio ao empreendedorismo, porque vai além do
microcrédito, pois além dos valores de operações que já chegam a R$ 500 mil e
abraçando essa lógica de apoio, que o acompanhamento de qualificação, até a
articulação de atores dentro dessa ambiência para que haja a possibilidade de
surgirem negócios, um passo a passo e uma ligação de diversas áreas.
O Paraíba Total já noticiou liberação de crédito do
Empreender para diversos municípios, como Boqueirão, Pocinhos etc. Quantos
contratos já foram feitos até hoje, ou seja, quantos empreendedores já foram
beneficiados com o programa e quanto de volume de recursos já estiveram
disponíveis?
O panorama que estamos trabalhando é de fechar o ano como a
meta de uma carteira ativa de R$ 50 milhões, e nessa carteira teremos
aproximadamente dez mil negócios, e desses beneficiados temos um outro cálculo
que é vai variando entre individuais e coletivos que vai apoiando em média de
três pessoas, por negócio assistido em média. E de forma bem segura podemos
dizer que temos até agora uma 30 mil pessoas pelo programa ao longo desses
cerca de três anos de ação do Empreender PB em todos os 223 municípios.
No caso específico do município de
Cabedelo, que foi o mais recente beneficiado com o Empreender PB, qual foi o
volume de recursos e a sua destinação?
Recentemente nós financiamos dois
barcos para Cabedelo. Um já havia sido financiado no início do ano o e mais
dois que já estão indo para o mar para pesca de atuam. Eles têm a capacidade de
capturar 40 toneladas de atum. E o primeiro o Albacore tem uma capacidade maior
de 80 toneladas. E nossa perspectiva é de que eles façam esses cruzeiros e
retornem com o produto oriundo dessa pesca para que possam efetuar realmente a
consolidação dessa cadeia produtiva. Além desses também financiamos vários
recursos individuais para Cabedelo. Onde foram R$ 210 mil liberados para os
dois barcos e outros cerca de R$ 200 mil para diversos empreendedores
individuais do município de Cabedelo e 50 artesãos da Praia do Jacaré, com a
perspectiva de melhoria da sua capacidade de produção e também de melhor
expandir e representar bem a cultura do Estado.
Como os interessados podem proceder para se
inscrever no programa?
A forma mais simples e mais rápida é através do site, pois entrando
no www.empreender.gov.br, a pessoa vai ter um espaço para inscrição e lá vai ser gerando
um número que é um protocolo que será a vida do processo dentro do Empreender
PB. Então, efetuada essa inscrição ele entra em uma lógica de desenvolvimento,
de passos que cumina com a liberação. Agora enfatizo a inscrição não quer dizer
necessariamente você vai ser efetivado para o programa, tem tida uma triagem,
pois se trata de um financiamento de crédito produtivo e por isso temos um
diferencial que se leva um tempo de pelo menos quatro meses para que seja feita
a não se e a operação seja consolidada. Esse é o período crítico propriamente
dito.
Qual a previsão do Empreender para as
próximas operações individuais e associativas?
A meta de uma carteira ativa de R$ 50
milhões em 2013. E o importante também falar que o que vamos fazer se
consolidar daqui para frente e que vem atuando como fundo de apoio ao
empreendedorismo nos últimos três anos. Mas, nossa meta é virar na agência de
fomento que é transformar o Empreender PB em algo parecido como o BNDES para o
Governo Federal, um banco de investimentos do Estado para podermos mudar
profundamente o perfil econômico dos pequenos negócios do nosso estado, e
teremos uma política pública de governo que vai passar a uma política pública
de estado, pensando ações de logo prazo que possam mudar o perfil
socioeconômico e o modelo organizacional na Paraíba.