“A Paraíba começa a sair do período de amadorismo e entra definitivamente nos cenários turísticos nacional e internacional”
4 de novembro de 2013
Após o término do principal evento turístico do Estado, o Festival de Turismo de João Pessoal, que terminou no último domingo (29), o setor jogou luz, mais uma vez, nos gargalos que enfrenta: malha viária ruim, falta de criatividade nos negócios e pouca qualificação dos agentes receptivos. A constatação foi afirmada pelo presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no Estado, a Abav-PB, Bruno Mesquita.
No entanto, segundo ele, há bastante otimismo no setor, principalmente em relação aos novos equipamentos criados, como o Centro de Convenções Ronaldo Cunha Lima e o novo polo Cabo Branco, que vai abrigar negócios e novos hotéis. “Estamos no caminho certo e tenho certeza que seremos um grande destino turístico, cresceremos com responsabilidade e sustentabilidade”, disse Bruno, ao Paraíba Total.
Na entrevista que segue, ele avalia o setor, o mercado de trabalho dos agentes e confirma o crescimento do setor internamente, com novos associados, e externamente, com fomento ao bom receptivo paraibano.
Como é a Abav Paraíba em números e como ela atua no Estado? Como tem sido a adesão de novas agências à Abav-PB desde o início da sua gestão?
A Abav tem 36 associados na Paraíba. Representamos as agências de viagens do Estado no mercado local, promovendo cursos de capacitação, oferecendo assessoria jurídica e efetuando ações para que agências associadas tenham a credibilidade dos consumidores locais. Acreditamos poder chegar aos 80 associados até junho de 2014, buscaremos adesões de mais agentes de Campina Grande e Interiores do estado e reforçaremos as adesões dos agentes da Capital.
Quais as expectativas para este mandato junto a Abav-PB, que se dá até o final de 2015?
Aumento dos números de associados, cursos de capacitação, Procaps, ações junto a parceiros de outras atividades comerciais, como farmácias, restaurantes, academias etc para que possam conceder descontos aos associados.
Qual sua opinião sobre o fato de as grandes operadoras estejam se transformando em agências de viagens?
Esta é uma tendência de mercado, da mesma forma que hoje operadoras efetuam vendas diretas para o público final. As agências passaram a operar direto com hotéis, companhias aéreas, locadoras de automóveis, entre outros.
Quais são os desafios dos agentes de viagens do Estado?
Ter mais criatividade e se capacitarem mais para poderem concorrer com os sites de compra direta e os sites de venda coletiva. Agências e operadoras que hoje não utilizam sites online estão fora de mercado, pois o cliente quer agilidade e preço em suas consultas e compras.
Em relação à divulgação do destino, infraestrutura local, estabelecimentos e equipamentos, qual a situação da Paraíba e como estamos em relação aos demais estados nordestinos?
A Paraíba começa a sair do período de amadorismo e entra definitivamente nos cenários turísticos nacional e internacional. Nossa rede hoteleira cresce em um ritmo acelerado, o destravamento do polo turístico Cabo Branco foi também um grande avanço. Teremos cinco grandes hotéis de porte acima de 200 leitos, além de termos uma grande vantagem em relação a outros estados, já que aprendemos muito com os erros dos mesmos. O Governo do Estado e a Prefeitura de João Pessoa já divulgam de forma mais efetiva o Estado no País e fora dele. Nossa malha viária é nosso maior gargalo.
Em relação ao mercado de trabalho, como seria o agente de turismo modelo? Nossos profissionais estão preparados para o receptivo?
Agente modelo não existe, mas se ele existisse, deveria ser altamente capacitado, tendo domínio pelo menos da língua inglesa e da língua espanhola, sabendo noções de atendimento ao público, sabendo se relacionar com toda cadeia do trade turístico. As maiorias dos agentes receptivos não estão qualificadas para atender bem o cliente.
Como o segmento espera os grandes eventos? Quais serão os ecos para o estado?
Com a inauguração do Centro de Convenções em sua totalidade, o turismo e os eventos vão alcançar outro patamar no Estado. Toda a cadeia produtiva está animada com esse novo nicho que surge em nosso Estado, pois poderemos receber feiras e congressos de grande porte.
Como esquentar mais esse mercado?
Fechando grandes acordos comerciais principalmente com as companhias aéreas, com o sentido de aumentar a malha aérea e reduzir custo. Criar uma melhor infraestrutura de mobilidade, capacitar toda a cadeia e divulgar mais e mais o destino. Temos que nos orgulhar de nosso Estado. Estamos no caminho certo e tenho certeza que seremos um grande destino turístico, cresceremos com responsabilidade e sustentabilidade.