Estoque alto traz preocupação ao varejo paraibano
2 de setembro de 2013
Com estoques ainda em alta e promoções se prolongando, as lojas dos segmentos de calçados e vestuários na Paraíba, que têm maior representatividade nas vendas do varejo, estão mais receosas com a renovação de peças e calçados para as vendas de final de ano, época em que as compras são aquecidas pelos festejos natalinos. A expectativa de vendas para o último trimestre ainda continua tímida.
Segundo o presidente da Federação das Câmaras de Lojistas da Paraíba (FCDL-PB), José Artur de Almeida, a retração no estoque é um fenômeno esperado em João Pessoa. “Temos percebido um comportamento mais comedido do empresário.
Ele não quer apostar no volume de compras do seu estoque, está com medo de comprometer a saúde financeira e o capital de giro da empresa. Isso é reflexo do momento econômico que vivemos”, disse.
A comerciária Maeli Darcy Prazeres, gerente da loja de confecções Catan, disse que o próximo mês servirá para prestar atenção no comportamento do consumidor. “As vendas estão mais baixas e a renovação do estoque é feita de acordo com a demanda do consumidor. Daqui a pouco chega o momento de renovação das peças e vamos observar o fluxo de pessoas. Só assim podemos saber se os pedidos para estoque serão altos ou baixos”, disse.
De acordo com Maeli Prazeres, se as vendas seguirem a tendência dos meses anteriores, as compras do último trimestre do ano precisarão ser compactadas. “Todo comerciante espera crescimento de vendas no final do ano. A gente nota que os últimos meses não foram tão bons como no ano passado”, disse.
No segmento de calçados, o comerciante também está mais cauteloso, com medo das possíveis baixas do final do ano. O gerente da loja Thiago Calçados, Fabrício Guimarães, disse que para o último trimestre é esperado crescimento de 20% nas vendas, metade do volume do ano passado, quando foi registrada alta de aproximadamente 40%.
Com a possibilidade de recuo das vendas, as lojas já apostam em ofertas para atrair a clientela, movimentando o giro de estoque. “Projetamos o mesmo volume de estoque do ano anterior. Estamos fazendo promoções para renovação de estoque e assim as peças que temos guardadas sejam logo vendidas, assim podemos manter o mesmo volume de estocagem”, disse Fabrício Guimarães.
No comércio informal, o receio de acúmulo de estoque é ainda maior. A comerciante Eliane Peixoto, que tem uma pequena loja de calçados no Centro de João Pessoa, disse que o desempenho do varejo este ano está muito abaixo do esperado, por isso o volume de estocagem será menor. “As vendas estão fracas este ano, ainda mais para nós que só vendemos à vista. Este mês de agosto foi o pior de todos. Na minha lojinha vamos diminuir as compras para o final do ano, porque ainda temos produtos guardados”, disse a comerciante.
Municípios do interior
Nos municípios do interior, a expectativa é que o segmento de calçados e vestuário vá comprar menos peças para venda. O varejo no Brejo paraibano, por exemplo, deve diminuir em 3% o volume do estoque no último trimestre do ano, segundo informou o presidente do Clube de Dirigentes Lojistas (CDL) de Guarabira, Robério Arnaud. “Estamos em um momento complexo, com a inflação alta, taxas de juros sendo elevadas e perda de poder aquisitivo. O estoque será menor que anos anteriores”, disse.
Segundo Arnaud, os donos dos estabelecimentos estão impondo restrições aos clientes, devido à insegurança da economia local. “O comerciante está com mais receio. Eles estão colocando menos ofertas de crédito em virtude da situação econômica de hoje. Guarabira polariza o comércio em torno de 30 cidades, isso atrai muita gente. Mas ainda assim o cenário inspira cuidados, por isso o comerciante está mais cuidadoso”, disse.
Campina Grande
Já o presidente da CDL de Campina Grande, Tito Motta, acredita que o último trimestre conseguirá alterar o atual cenário econômico do segmento de calçados e confecções. “O terceiro trimestre do ano tradicionalmente é um dos mais fortes. A atual coleção dos calçados e vestuários (primavera) tem venda menor, por isso o estoque é reduzido. Para os últimos meses do ano a coleção é a de verão, que com certeza vai ampliar as vendas”, disse.
Tito Motta afirma, entretanto, que apesar da expectativa de crescimento, os comerciantes se mostram cuidadosos com o momento econômico do país. “Há preocupação em se reduzir o estoque, principalmente por causa da inflação e do crescimento do dólar. Isso faz com que caia o poder de compra dos consumidores. Mas o terceiro trimestre do ano (julho-agosto-setembro) serviu como um ‘freio de mão’. Os comerciantes organizaram melhor seu estoque e o consumidor estabilizou suas contas, por isso acreditamos em um crescimento na ordem de 15% nas vendas de calçados e roupas”, prevê.
Vagas temporárias
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que este ano a criação de postos de trabalhos temporários será menor que no ano passado. Enquanto em 2012 o crescimento dessas vagas foi de 3,1%, este ano deverá avançar apenas 1,8%.
Na Paraíba, a perspectiva é que o crescimento também seja menor com a economia desaquecida. O presidente da CDL de Guarabira, Robério Arnaud, disse que o recuo do crescimento das vendas do varejo vai afetar a criação de novos postos de trabalho. “As contratações temporárias vão acontecer, mas não no mesmo volume que ano passado. Ela vai diminuir porque a retração é vista globalmente na economia brasileira. Por isso estamos fazendo campanhas para incentivar que as pessoas não deixem de comprar no final do ano”, explicou.
Em Campina Grande, a tendência é que na segunda quinzena de novembro comecem as contratações temporárias, mas somente o desempenho econômico do setor poderá dizer se este volume será satisfatório. “As contratações crescem na mesma proporção que o mercado. Elas dependem muito da confiança do empresário com seu negocio, se conseguirmos avançar nas vendas, aumentaremos também o número de temporários”, explicou o presidente da CDL da cidade.
Para José Artur de Almeida, a diminuição dos postos temporários não é uma constatação nova. “Já percebemos há alguns anos que o número de contratações temporárias vem diminuindo. Para este ano acreditamos que também haverá diminuição”.