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Apagão fecha lojas, suspende aulas e congestiona trânsito da Paraíba

29 de agosto de 2013

Um apagão atingiu a região Nordeste na última quarta-feira (28). Na Paraíba, apesar de durar, em alguns locais, menos de duas horas, o apagão causou prejuízos e transtornos. Em João Pessoa, escolas suspenderam as aulas, lojas fecharam as portas e repartições públicas deixaram de funcionar. Ainda houve confusão no trânsito.

Este foi o terceiro apagão no Brasil em menos de um ano. A energia foi interrompida às 15h23 e começou a ser restabelecida, em alguns pontos de João Pessoa, por volta das 17h, segundo informação da concessionária na Paraíba, Energisa.

As lojas ficaram às escuras e com os sistemas de alarmes e de operadores de caixa parados. Temendo roubos e furtos, muitas fecharam as portas, impediram a entrada de novos clientes e liberaram os funcionários antes do horário previsto. O mesmo ocorreu em shoppings da Capital, que apesar de possuírem geradores, estes não suportavam o funcionamento de todos os estabelecimentos, de modo que as lojas permaneceram fechadas durante o apagão.

O mesmo ocorreu em um supermercado, que funciona no Centro. Lá, os clientes precisaram esperar dentro do estabelecimento pelo retorno da energia. É que o local, apesar de ter gerador elétrico, estava impedido de registrar as compras porque o sistema não funcionava.

Para evitar a ação de criminosos, a Polícia Militar intensificou o monitoramento no Centro. “Aumentamos o efetivo nas ruas, deslocamos equipes para áreas onde existe a maior presença de lojas, temendo possíveis arrastões. Também orientamos as lojas a fecharem mais cedo”, disse o comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Adielson Araújo.

Segundo o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de João Pessoa (CDL/JP), Eronaldo Vasconcelos, não houve uma recomendação oficial para que os estabelecimentos fechassem as portas. Ele disse que a decisão foi tomada pelos próprios proprietários das lojas, diante da impossibilidade de trabalhar sem a energia. “O comércio fechou três horas mais cedo. É um prejuízo que ainda não podemos calcular”, avaliou..

O Operador Nacional do Sistema (ONS) é o órgão responsável pela regularização do fornecimento da energia. Por meio de nota, o ONS informou que o desligamento foi causado depois que uma queimada atingiu uma linha de transmissão situada no município de São João do Piauí (PI). Segundo o ONS, o fornecimento voltou às 17h30.

Bancos

Como foi foi comemorado no Estado o Dia do Bancários, esses estabelecimentos estiveram fechados, funcionando apenas os caixas-eletrônicos. Com o apagão o serviço foi suspenso, mas voltou com o retorno no fornecimento de Energia.

Aeroportos sem perdas

O aeroporto Internacional Castro Pinto, em Bayeux, funcionou normalmente na quarta-feira (28) mesmo com o corte no fornecimento de energia elétrica. De acordo com o superintendente Alexandre Oliveira da Silva, a utilização de geradores garantiu a normatização dos serviços.

O uso de geradores elétricos também foi o responsável pelo funcionamento normal do aeroporto de Campina Grande, João Suassuna.

Telefonia móvel também é atingida

A falta de energia também causou problemas nos serviços de telefonia móvel. Clientes das operadoras TIM e Vivo ficaram sem poder utilizar os serviços de voz e dados por várias horas. Segundo a Vivo, clientes da Paraíba Bahia, Sergipe, Pernambuco, Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte e parte do Piauí foram prejudicados. A TIM não informou os locais que foram afetados, já a Oi e a Claro disseram que clientes podem ter enfrentado dificuldades pontuais para completamento de chamadas e tráfego de dados.

Fragilidade do Sistema

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, convocou para esta quinta-feira (29) uma reunião extraordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) para analisar o blecaute que atingiu a Região Nordeste. Segundo Lobão, a queda de energia não significa fragilidade no sistema do país, episódio que ocorreria em qualquer país do mundo.”Fragilidade não existe. O sistema é bom, é forte, é igual aos melhores sistemas do mundo. Esses episódios acontecem aqui, aconteceram recentemente nos Estados Unidos, por queimadas também, e em todas partes do mundo”, disse o ministro.

Interior

A população de cidades do Sertão e Brejo da Paraíba tiveram que esperar mais do que os moradores de Campina Grande para ter o fornecimento de energia elétrica restabelecido após o apagão. Em Campina Grande, a maior parte da população ficou sem energia por um período de uma hora e meia, entre 15h e 16h30. Lojas do Centro também chegaram a fechar as portas por não ter condições de efetuar vendas, as maquinetas de cartões de crédito estavam sem funcionar por causa da falta de energia.

Nos bancos, caixas eletrônicos ficaram desativados. Algumas escolas liberaram os alunos mais cedo. Em outras cidades do interior, todo o comércio ficou fechado. Em Patos e Guarabira, até às 19h a energia ainda não havia sido restabelecida. 

á no  bairro das Malvinas, um incêndio provocado por conta das velas deixou todo um cômodo de uma casa destruído. As chamas do fogo atingiram o teto e os bombeiros afirmaram que há risco de desabamento. Com a falta de energia, também faltou água e os moradores tiveram dificuldades para apagar o incêndio. A dona da casa, que é hipertensa, segundo vizinhos, teve de ser internada depois do incêndio.

Na cidade de Patos, o comércio também fechou as portas mais cedo. Os prejuízos maiores foram causados a donos de sorveterias e lanchonetes. O trânsito ficou complicado e algumas pessoas, sem saber que se tratava de um blecaute em nível regional, acreditavam que a situação seria resolvida em pouco tempo.

Em Sousa, fábricas e indústrias foram os mais prejudicados por conta do apagão. O comércio, no entanto, não fechou e os funcionários ficaram esperando o horário de expediente acabar para voltarem para casa. Sem acesso à internet, casas lotéricas e correspondentes bancários fecharam as portas e pequenos comerciantes relataram prejuízos por fechar em um horário de grande movimento.

De acordo com o secretário executivo do Procon estadual, Marcos Santos, quem teve prejuízos com queima de equipamentos elétricos deve procurar o órgão para fazer a reclamação. Caso seja comprovado que o prejuízo foi por conta do blecaute, ele tem a opção de fazer a troca do produto, ser indenizado ou ter garantido o conserto do aparelho.