“O empreendedor está cada vez mais consciente da importância de sua capacitação e preparação para o mercado”
26 de agosto de 2013
Com o surgimento da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, aprovada nacionalmente em 2006, o Brasil parece reconhecer, a cada ano a importância do pequeno negócio para a economia. Desde então, surgiram diversas políticas públicas de incentivo, os bancos passaram a tratar os pequenos negócios de forma diferenciada e o crédito para o segmento aumentou. Tudo isso aliado ao Simples Nacional, que desonerou e simplificou o recolhimento de impostos desses empreendedores.
As facilidades fizeram com que o estudo “Sobrevivência de Empresas” – divulgado no Paraíba Total, mostrasse que, no Estado, 80% dos negócios abertos superaram as dificuldades iniciais e mantiveram-se no mercado nos primeiros dois anos. Esse resultado foi, pela segunda vez consecutiva, o segundo melhor índice do país, ficando atrás apenas de Minas Gerais (81%).
De fato, a atuação do Sebrae vem ampliando sua presença nas diversas regiões do Estado. Em sua primeira entrevista exclusiva desde junho, quando assumiu a superintendência do Sebrae-PB, Luiz Alberto Gonçalves de Amorim, adiantou ao Paraíba Total os próximos passos da instituição na busca de qualificação e inovação nos negócios do Estado. Além da Ruraltur, que acontece na próxima semana, Luiz Amorim ainda comentou a fase de preparação da Feira do Empreendedor, que será realizada em maio do ano que vem, no Centro de Convenções. “Está programado para o nosso Plano Plurianual 2014-2017, um novo projeto, o StartPB , com o objetivo de prover um ambiente de produção e desenvolvimento de tecnologias inovadoras na Paraíba, articulando estratégias e ações convergentes entre instituições parceiras, como universidades, Instituições e associações empresariais”, comentou.
Abaixo, trechos da entrevista exclusiva.
Como o senhor avalia a capacidade empreendedora do paraibano, de um modo geral?
O paraibano, semelhante ao brasileiro, é muito batalhador, ou seja, está sempre buscando melhorar sua qualidade de vida, crescer em sua atividade, seja ela qual for. Para o Sebrae, na verdade, o empreendedor é aquele que desenvolve comportamentos diferenciados diante das dificuldades e das oportunidades que a vida e a localidade dele oferece. Há muitas pessoas que já possuem características que se traduzem em ações concretas, como iniciativa, planejamento e capacidade de gerenciar riscos. Mas é possível desenvolver esses aspectos com capacitação, força de vontade e visão de futuro.
O Brasil e a Paraíba têm investido no fomento do negócio do pequeno empreendedor?
Sim e muito. Há algumas décadas, a lógica do desenvolvimento era baseada da macroeconomia: era preciso estimular a instalação das grandes empresas para gerarem empregos em escala. Mas a base da economia brasileira está baseada nos pequenos negócios. Na Paraíba, elas representam 97% do total de empresas e com a criação da categoria do empreendedor individual, mais de 43 mil negócios já saíram da informalidade. Com a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, aprovada em 2006, muitas políticas públicas de incentivo à micro e pequenas empresas surgiram; os bancos passaram a tratar os pequenos negócios de forma diferenciada, facilitando acesso a crédito, as compras governamentais aumentaram, o Simples Nacional desonerou e simplificou o recolhimento de impostos e o Sebrae vem ampliando sua atuação em vários regiões do Estado para democratizar o acesso à a qualificação em gestão de negócios, na zona urbana e rural.
Qual a importância da atuação do Sebrae para estimular a adoção de medidas de inovação entre as micro e pequenas empresas?
Inovação é uma condição da qual as empresas não podem deixar em segundo plano. Quando falamos em inovação, não estamos tratando de grandes investimentos tecnológicos. O programa Agentes Locais de Inovação é a mais recente iniciativa do Sebrae para ampliar o alcance das soluções de inovação que as micro e pequenas empresas podem usufruir com apoio do Sebrae. São profissionais que visitam as empresas, realizam diagnósticos junto com o empresário e junto com ele constrói um plano de inovação na prática. Este programa começou em 2012 e esperamos até 2014 atender mil empresas de João Pessoa, Campina Grande, Patos e Sousa. O programa propõe soluções com apoio de consultores especializados. Devemos realizar serviços de consultoria em até duas mil empresas da Paraíba este ano, com investimento de R$ 6,5 milhões. Em 2012, foram atendidas 1,8 mil empresas paraibanas e investidos R$ 4 milhões.
Ainda há um índice grande de fechamento de empresas no Brasil. Como é na Paraíba? Quais os índices de negócios formais funcionando em nosso Estado?
Em julho deste ano, o Sebrae Nacional divulgou o estudo “Sobrevivência de Empresas”, que mostrou que, na Paraíba, 80% dos negócios abertos superaram as dificuldades iniciais e mantiveram-se no mercado nos primeiros dois anos. Esse resultado foi, pela segunda vez consecutiva, o segundo melhor índice do país, ficando atrás apenas de Minas Gerais (81%). A pesquisa mostrou também que, no país, a taxa registrada foi de 76% e, na região Nordeste, 71%. Entre as Capitais, João Pessoa também obteve a segunda melhor colocação, com 79%. Esse índice se deve ao melhor preparo dos empreendedores na condução de seus negócios, associado a um ambiente legal mais propício, com diminuição da carga tributária. Ele está cada vez mais consciente da importância de sua capacitação e preparação para o mercado e isso acontece tanto com o empreendedor de empresa formal, quanto os informais.
Pela sua observação e pelo atendimento diário no Sebrae, quais os principais obstáculos para quem quer empreender?
A questão do planejamento e o conhecimento das oportunidades que o mercado oferece são pontos cruciais. O empreendedor também precisa respeitar sua capacidade financeira para aplicar da melhor maneira os recursos de financiamentos. Estes são alguns dos aspectos mais relevantes e que o empreendedor precisa estar consciente antes de investir numa atividade empreendedora.
Após seis edições de realização, quais os principais resultados que puderam ser percebidos com a Feira do Empreendedor, que aconteceu em setembro do ano passado?
Em setembro do ano passado, realizamos a quinta edição da Feira do Empreendedor, durante quatro dias. O evento foi um celeiro de oportunidades de negócios e aprendizado empresarial, com 13,6 mil visitantes e mais de 7 mil pessoas capacitadas. Durante a Feira, foram promovidas 198 capacitações, entre oficinas, painéis e palestras. Tivemos a grata surpresa de ter mais de 4 mil pessoas assistindo nossa programação de palestras à distância, pela internet. Apresentamos tendências interessantes, como a economia criativa, a sustentabilidade e a inovação. Em maio do ano que vem, faremos uma nova edição no Centro de Convenções do Cabo Branco e estamos em fase de planejamento.
De fato, é preciso desmistificar a ideia de que inovar exige uma tecnologia complexa e cara. Como levar essa consciência para os pequenos negócios?
Inovação muitas vezes é reduzida à informatização, automatização ou investimento em máquinas e equipamentos. Inovar pode passar por todos estes aspectos, mas para os pequenos negócios, há uma série de oportunidades de inovar no dia a dia, a exemplo da maneira de se relacionar com o cliente e customizar produtos e serviços. A questão é que o empreendedor não pode parar de inovar, mesmo que já tenha lançado um produto ou serviço único no mercado. Capacitamos as empresas para inovar e contamos com uma rede de consultores credenciados para apoiar aqueles que desejam melhorar sua capacidade inovadora.
Outro mito: o pequeno empreendedor já consegue entender a sustentabilidade como fator estratégico para existência de seus negócios?
Muitas micro e pequenas empresas já adotam práticas sustentáveis. Em Guarabira, por exemplo, oficinas mecânicas adotaram práticas sustentáveis, como a separação da água e do óleo, além do descarte adequado do material. A iniciativa, que objetiva evitar prejuízos ao meio ambiente, tem se tornado uma fonte de renda para as oficinas, que vendem o produto para empresas especializadas e licenciadas. Atuamos em uma empresa de luminárias da Capital que está se preocupando com descarte de lâmpadas fluorescentes, uma iniciativa inédita no estado. Ainda a muito por fazer, pois muitos precisam compreender que sustentabilidade não se reduz à coleta seletiva de lixo. A questão ambiental é importante, mas a responsabilidade social também faz parte do conceito de sustentabilidade.
Em relação às empresas de tecnologia, como anda o Farol Digital? O Sebrae-PB tem algum projeto de fazer um polo concreto de empresa nesse segmento, como existe em Pernambuco e na Bahia?
A Paraíba tem se destacado no Brasil como um dos Estados em que o setor de tecnologia da informação e comunicação (TIC) é um dos mais inovadores. Portanto, o Sebrae tem o setor de TIC como prioritário, desenvolvendo em conjunto com os parceiros projetos de geração de negócios de Tecnologia Inovadoras, a exemplo do que se propôs o Farol Digital. Durante a execução do projeto, 100 novas empresas foram criadas e este número é crescente a cada ano. E ainda houve um grande estímulo de informatização de micro e pequenas empresas de outros segmentos, cerca de 1.200 empresas introduziram tecnologia nos seus negócios. Está programado para o nosso Plano Plurianual 2014-2017, um novo projeto, o StartPB , com o objetivo de prover um ambiente de produção e desenvolvimento de tecnologias inovadoras na Paraíba, articulando estratégias e ações convergentes entre instituições parceiras, como universidades, Instituições e associações empresariais. Os polos de Pernambuco e da Bahia foram definidos dentro de uma estratégia ampla de Governo, o que é necessário e determinante. Algumas discussões foram iniciadas com os poderes públicos no Estado e o Sebrae tem se colocado à disposição para contribuir naquela que é a nossa missão: promover a competitividade e o desenvolvimento dos pequenos negócios.
Algo mais a acrescentar aos internautas do Paraíba Total?
Enquanto instituição fomentadora de desenvolvimento, estamos otimistas de que temos um cenário econômico e legal bastante favorável à sustentabilidade das empresas nos mercados paraibano e nordestino. O Sebrae está buscando se desafiar cada vez mais para cumprir sua missão dentro de um padrão de excelência que a sociedade nos exige e estaremos sempre à disposição para contribuir, inclusive, contando com o apoio da imprensa, na democratização do acesso à informação de qualidade.