Salões de beleza lutam para recuperar a clientela perdida na pandemia
7 de setembro de 2020
Antes da pandemia, o Diva era mais que um salão de beleza na Vila Madalena, em São Paulo: era um verdadeiro ponto de encontro. A equipe de 35 colaboradores chegava a fazer 120 atendimentos diários, especialmente às sextas e aos sábados.
A covid-19 obrigou o estabelecimento a fechar as portas por quase quatro meses, entre meados de março e o dia 6 de julho, quando foi reaberto sob condições bem diferentes, incluindo restrições para o número de clientes.
Não é por conta das limitações de acesso que o movimento vem se mantendo entre 25% e 30% do que costumava ser, contudo. O motivo principal é mesmo a resistência de muitas clientes em retornar. E nem todas que já retornaram estão frequentando o salão com a mesma regularidade de antes.
Carmen Dardé, sócia do Diva, diz que o negócio só sobrevive por conta da solidez decorrente de 17 anos no mercado e pela convicção da equipe de que o tempo das vacas gordas vai voltar. “O setor de beleza vinha de muito anos de crescimento constante. Nas crises econômicas até podia cair um pouco, mas ficava longe de abalos realmente significativos como este provocado pela pandemia”, ela descreve.
Série de protocolos
O Diva aderiu aos programas de redução de salários para os profissionais registrados e ajudou os parceiros que são microempreendedores individuais – manicures e cabeleireiros – a buscar os auxílios governamentais.
Outra providência foi criar um programa de antecipação de pagamentos por serviços futuros, baseado na oferta de pacotes com preços atraentes às clientes. “Com isso entrou algum dinheiro, tanto para a empresa quanto para os colaboradores, no período mais drástico, em que tudo precisou parar completamente”, lembra Carmen.
Depois dos dois primeiros meses de isolamento, alguns dos profissionais da casa, especialmente manicures, mas também cabeleireiros, começaram a retomar o atendimento de algumas clientes, a domicílio. O processo não é intermediado pelo salão, de tal forma que a renda obtida nesses atendimentos tem ficado integralmente para os trabalhadores.
Quando a reabertura do salão foi permitida, todas as providências e protocolos de segurança já estavam preparados. Um tapete sanitizante e um totem com álcool em gel foram instalados na entrada, além da disponibilização de vários dispensers e borrifadores para higienizar cadeiras e bancadas.
A distância entre as estações de trabalho aumentou para pelo menos dois metros, os tradicionais café e capuccino deixaram de ser servidos, não há mais revistas circulando de mão em mão e água, agora, só em garrafinhas individuais.
Perda de receita
De todas as adaptações, a que parece ter afetado mais as clientes é a necessidade de realizar apenas um serviço de cada vez. “Muita gente ganhava tempo fazendo as unhas junto com o cabelo. Agora não pode ser assim, em respeito às novas normas”, diz Carmen.
Para reduzir o número de pessoas dentro do estabelecimento e diminuir a exposição dos funcionários ao transporte público, o salão estabeleceu uma escala de trabalho – metade da equipe está trabalhando às segundas, quartas e sextas e a outra metade às terças, quintas e sábados.
O atendimento a domicílio ainda está sendo permitido pelo salão, mas em algum momento essa possibilidade será interrompida.
“Quem quiser ser atendida pelo Diva não será dessa forma, e quem quiser continuar prestando esse tipo de atendimento terá que romper o vínculo conosco”, avisa a sócia do estabelecimento. “Temos uma estrutura muito grande e não podemos suportar a perda de receita por muito mais tempo.”