Programa Casulo traz cultura indígena e quilombola para a FINCC 2019
30 de setembro de 2019
Indígenas, quilombolas e assentados do município de Conde são um dos destaques da Feira Internacional de Negócios Criativos e Colaborativos (Fincc), que se encerra neste sábado (28). Num estande colorido e cheio folhagens, produtos agrícolas, artesanato e doces, os participantes se dividem entre danças indígenas, vendas de produtos e pinturas corporais. A iniciativa é parte do Programa de Economia Criativa do Conde – Casulo, criado pela prefeitura local para fomentar a economia criativa e mostrar que o Conde não tem somente belas praias para oferecer ao público. A feira acontece no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, e é uma promoção do Sebrae-PB, com apoio do Governo do Estado da Paraíba.
“O objetivo do Casulo é levar o município para feiras, capacitar os seus integrantes e buscar soluções criativas, com a participação da comunidade. Queremos sustentabilidade financeira para todos, sem agredir o meio ambiente”, diz Vanessa Merked, coordenadora do programa. No Conde, há duas aldeias tabajaras (Vitória e Barra de Gramame) e dois quilombos (Ipiranga e Mituaçu), além do Assentamento Tambaba e de propriedades rurais, de onde sai uma grande variedade de produtos orgânicos. “A feira está sendo importante por muitos motivos, entre eles, pelas discussões que sobre o escoamento dessa produção”, acrescenta.
Para essa produção chegar às mesas dos consumidores, o Casulo tem contado com colaboradores voluntários, como Fernando Teles, aposentado que mora em Jacumã. “Eu sempre comprava esses produtos e levava para o meu trabalho. Os colegas perguntavam onde eu havia adquirido aqueles produtos tão bons, e começaram a me encomendar. Depois que me aposentei, passei a ajudar o pessoal fazendo essa ponte, sem ser um atravessador”, diz ele. Segundo Fernando, além de distribuir a produção em vários locais, ele também faz intercâmbios. “O município não produz fuba e arroz, por exemplo; então, enviamos produtos orgânicos para os parceiros que os produzem e eles nos enviam o produto de que necessitamos”, conta.
Debaixo de um cajueiro – No Assentamento Tambaba, há um inusitado shopping rural, empreendimento que começou com a determinação de uma mulher, Maria das Neves da Silva Pereira, em 2013. Ela tomou R$ 50 emprestados, fez dois tipos de doces – goiaba cremosa e coco com leite condensado – e se sentou embaixo de um cajueiro, por onde havia grande movimentação de pessoas, para vendê-los. A partir dali, tudo começou a mudar em sua vida.
“Tenho o sonho de montar uma fábrica de doces. É o que me mantém na luta”, diz ela, que, antes de realizar esse sonho, já conseguiu o que parecia ser impossível: criar o shopping rural (que tem nove lojinhas), um camping e dois restaurantes no assentamento. “Estamos cada vez mais organizados. Participo de feiras, viajo representando o turismo rural e procuro sempre aprender. Hoje, já temos mais de 500 visitantes por dia”, conta.
Novas economias – A Fincc também ofereceu palestras, oficinas e espaços para exposição e venda de produtos relacionados a segmentos da economia criativa. O networking foi promovido no Espaço HUB 360, em Coquetéis de Networking, que aproximaram profissionais de áreas afins, e no Pitch com Café, durante o qual os empreendedores puderam apresentar, durante cinco minutos, seus produtos para investidores, patrocinadores e aceleradoras. Paralelamente, também foram realizadas mentoria de negócios, recepção de caravanas empresariais e rodadas de negócios.