Sobras de produção da Alpargatas viram peças de moda em projeto do Unipê
21 de fevereiro de 2013
Nas mãos de estudantes de Moda do Unipê e de mulheres da comunidade Jardim Alfa, em João Pessoa, materiais que iriam para o lixo ganham formas e são transformados em bijuterias, cintos e bolsas. E o melhor: de forma criativa e sustentável. A proposta dá nome ao projeto “Tecendo Cores e Formas”, desenvolvido por alunos e professores do curso de Design de Moda do Centro Universitário de João Pessoa com moradoras dessa comunidade, na periferia da Capital. O objetivo? Ensinar essas mulheres a produzir bijus e acessórios de moda com lixo eletrônico, sobras de tecidos, miçangas e outros materiais recicláveis doados por empresas, para que possam gerar renda para essas famílias.
Este ano, o projeto ganhou um grande aliado, a empresa Alpargatas, que passou a doar sobras de produção e materiais utilizados na customização de sandálias para serem reaproveitados em projetos sustentáveis do Unipê. Materiais como miçangas coloridas, argolas, linhas e elásticos já foram doados pela Alpargatas.
Gerar renda para as comunidades
“Essa parceria com o Unipê Sustentável abre uma grande possibilidade de utilizar sobras de produção, que já foram tiradas de uso, para serem reaproveitadas em projetos que possam gerar renda para as comunidades. Disponibilizamos alguns materiais que antes eram descartados e iam para o lixo para aprimorar a confecção de produtos que vão gerar renda para famílias. A ideia é montar uma exposição itinerante e levar para dentro das fábricas para que os funcionários percebam a importância da reutilização desses materiais”, afirmou o diretor executivo do Instituto Alpargatas, Berivaldo Araújo.
Atrair jovens e afastá-los das drogas e da violência
“Isso é uma alternativa econômica para mulheres que não estão inseridas no mercado de trabalho e podem encontrar nesse tipo de artesanato uma fonte de renda. Além disso, esse projeto social também tem o objetivo de atrair jovens para uma atividade econômica, afastando-os das drogas e da violência”, ressaltou o secretário-executivo do Unipê Sustentável, professor Klauber Nascimento Brito.
Emprego, renda e cidadania
Além da geração de renda, o projeto gera cidadania. “O contato com a arte muda o olhar, a forma de perceber o mundo e o comportamento das pessoas. Além disso, esse projeto cria uma oportunidade de emprego e renda, melhorando as condições de vida dessas pessoas, tirando-as da exclusão social e da situação de risco, e dando dignidade e cidadania”, ressaltou a artista plástica Maria dos Mares, presidente da Associação Nova Paisagem da Comunidade Jardim Alfa.
Projeto na Comunidade Jardim Alfa
O projeto ‘Tecendo Cores e Formas’ é desenvolvido na comunidade Jardim Alfa desde março de 2012, pelas professoras Larissa Uchôa e Eny Marisa, com alunos do curso. O projeto dá consultoria e ensina mulheres e jovens a criar acessórios de moda com restos de tecidos e outros materiais, doados por empresas parceiras. A iniciativa é pioneira. A ideia é que a própria comunidade possa produzir bijus e outras peças para serem comercializadas e possam gerar renda às famílias.
Agregando valor
“São acessórios como cintos, bolsas, colares e pulseiras usando retraços têxteis. Como as empresas descartam esses produtos, eles são doados para esse projeto e se transformam em bijuterias. Com a doação de argolas, miçangas, elásticos e linhas pela Alpargatas, vamos introduzir esses materiais à produção de bijus para agregar ainda mais valor às peças. Além disso, vamos usar esses materiais na produção dos alunos, uma forma de conscientizá-los para a produção criativa e sustentável”, destacou a coordenadora do curso de Design de Moda, professora Gabriela Maroja.
“Ideia é inserir peças no circuito do artesanato paraibano”
A professora Gabriela Maroja ressaltou que o projeto dá rendeu os primeiros frutos. No ano passado, uma coleção de bijus foi desenvolvida por alunos, professores e mulheres da comunidade Jardim Alfa e apresentada na Feira do Empreendedor, do Sebrae, em João Pessoa. “A ideia é mostrar o trabalho dessa comunidade e inserir as peças no circuito do artesanato paraibano”, afirmou a professora.