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Paraibanas apontam avanços e desafios de trabalhar no meio político

25 de março de 2016

Há anos elas deixaram de ser meras “rainhas do lar”. De cuidarem exclusivamente dos filhos, dos maridos e das suas casas. Em uma revolução árdua e contínua, as mulheres passaram a ocupar as mais diversas funções nas várias esferas da sociedade – antes destinadas apenas aos homens. Elas se qualificaram, buscaram independência financeira, viraram líderes, esportistas, executivas e empreendedoras e estão cada vez mais presentes na política brasileira.

O número de mulheres da política, de fato, ainda é irrisório e não representa a realidade brasileira – seja como eleitoras (desde a década de 1930), seja como candidatas a cargos públicos. Segundo o site da Câmara dos Deputados federais, um estudo da União Interparlamentar, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), colocou o Brasil em 120º lugar em um ranking da proporção de mulheres nos parlamentos, o que significa estar atrás de países islâmicos como Paquistão, Sudão e Emirados Árabes Unidos.

Porém, mesmo que ainda tímida, a presença cada vez maior de candidatas é algo fundamental para o fortalecimento da democracia, afinal, a representatividade feminina é extremamente necessária quando pensamos nas lutas pelos direitos das mulheres em um contexto no qual, como se sabe, ainda há muito preconceito, exclusão e violência contra elas. Na Paraíba, das eleições de 2008 para de 2012, subiu de 34 para 47 os municípios paraibanos administrados por mulheres, representando um aumento de 44,12%.

Porém, nas câmaras municipais e na Assembleia Legislativa Estadual (ALPB) ainda é pequena a atuação feminina, bem como a representatividade delas nos assentos da Paraíba no Congresso Nacional. Já que na Câmara Federal e no Senado sequer temos uma figura feminina ocupando uma cadeira na atual legislatura.

Na Câmara Municipal de João Pessoa são apenas duas vereadoras, Raíssa Lacerda (PSD) e Eliza Virgínia (PSDB), na atual legislatura, composta por 25 homens. E na ALPB a bancada de parlamentares mulheres é composta por apenas quatro deputadas estaduais dentre os 32 homens: Daniella Ribeiro (PP), Camila Toscano (PSDB), Estela Bezerra (PSB) e Olenka Maranhão (PMDB).

Dia-a-dia – Para mostrar um pouco do dia-a-dia dessas mulheres paraibanas multifuncionais, que não se conformaram apenas com as suas atribuições convencionais de mães, esposas, donas de casa, filhas e profissionais liberais, e ainda abraçaram a política paraibana, o Paraíba Total conversou com representantes das Casas legislativas “Epitácio Pessoa, a ALPB, e a “Napoleão Laureano”, a Câmara de Vereadores da Capital.

Ao logo das conversas, as parlamentares que já vieram de famílias tradicionalmente políticas no Estado, também falaram da falta de incentivo dos partidos políticos para engrenarem na política local e sobre como elas encaram os preconceitos da sociedade, que ainda vê homens como ideais para ocuparem os cargos de representação pública. 

Camila Toscano 

Deputada estadual pelo PSDB de Guarabira, casada, mães de dois filhos, advogada e esportista, a paraibana Camila Toscano é deputada estadual e presidente da Comissão da Mulher na Assembleia Legislativa.

Como a senhora se interessou em participar da política?

Desde muito pequena, quando tinha apenas 2 anos, eu acompanhei meus pais na política. Mesmo sem participar como candidata, sempre estive diretamente com eles em comícios, passeatas, e isso acabou despertando em mim esse interesse de participar. Então, quando surgiu a oportunidade na última eleição de 2014, abracei esse projeto

Por que há falta de interesse das mulheres na política? 

Ao meu ver a grande dificuldade e o que mais espanta as mulheres da política é ter que conciliar o trabalho com a família. Pois, tem sim que abrir mão, pois não se faz um bom trabalho sem se dedicar e acaba deixando a desejar. No nosso partido eu não acredito que haja falta de incentivo, pois nele temos o PSDB Mulher e lá se procura ter essa representatividade feminina. Mas existem sim partido que não investem e não querem mulheres na política e botam só para preencher as cotas.

A senhora já sofreu algum tipo de discriminação?

Na verdade eu nunca passei e não passo por isso, porque eu não permito, eu me imponho! Eu primeiramente não me preocupo com isso, pois não me vejo desigual e não deixo essa abertura para que venham me discriminar e temos que por em pratica esse compromisso, pois não só somos apenas iguais aos homens em muitas coisas, como podemos ser até melhores que eles em muitas funções que atuamos. Portanto, as mulheres precisam também colaborar com essa mudança e lutar mais por seus sonhos. Hoje, nosso maior cargo público, o de Presidente da República é ocupado por uma mulher.

Raíssa Lacerda 

Raíssa Lacerda é vereadora de João Pessoa pelo PSD, pedagoga, casada, mãe de três filhos, praticante religiosa e torcedora do Botafogo da Paraíba.

Como a senhora se interessou em participar da política?

Na realidade, há mais de 18 anos eu comecei como voluntária de comunidades carentes e trabalhavam junto às pessoas católicas e evangélicas, e via o quanto era bom ajudar ao próximo. E as pessoas começaram a me cobrar  que eu fosse candidata, já que como vereadora eu poderia ajudar ainda mais à população da nossa querida João Pessoa, como assim tenho feito ao logo dos meus dois mandatos na Câmara Municipal de João Pessoa.

Por que há falta de interesse das mulheres na política? 

A grande carga de trabalho diária as desestimula. A mulher é cobrada e a carga quadriplicada, atenção aos filhos ao marido, à casa, à família, ao trabalho. Nem todo mundo quer encarar mais uma atribuição. Há sete anos sou vereadora, e estou no meu segundo mandato. E me orgulho muito do meu trabalho, que inclusive anualmente é reconhecido pela imprensa que cobre a Câmara Municipal, onde por sete anos consecutivos foi apontada a vereadora mais atuante da Capital. 

A senhora já sofreu algum tipo de discriminação?

Já sofri sim, com preconceito enquanto mulher na política, quando me disseram que mulher era para está em casa, cozinhando, lavando e passando roupas! E isso só me deu foi mais força e coragem de mostrar que nós mulheres podemos ser cada vez mais atuantes e melhores na nossa sociedade e com isso chegarmos onde nem imaginamos  chegar, nas funções mais diversas.