Artesanato paraibano é destaque nacional
24 de março de 2016
O artesanato paraibano é destaque no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), no Rio de Janeiro, considerado um dos principais centros de exposição do artesanato nacional. A mostra, intitulada “Origem Vegetal: a biodiversidade transformada”, conta com obras de três artistas da Paraíba e será uma ótima oportunidade para apresentar as produções locais ao país e ao mundo, tendo em vista que ficará aberta ao público até o próximo dia 11 de setembro, semana de realização dos Jogos Olímpicos 2016.
Uma das artesãs selecionadas para a exposição foi Gilma Pereira, da cidade de Caaporã, que produz vassouras decorativas feitas de cipó e palha de coqueiro, um produto aparentemente simples, mas que traz toda uma nova ambiência ao espaço decorado. Para a artista, a mostra é uma oportunidade ímpar para apresentar ao mundo aquilo que é produzido no interior da Paraíba.
“Estou muito feliz com a escolha de meu trabalho. Muitas vezes temos certa dificuldade para apresentar ao grande público o que produzimos no interior do Estado. Com a exposição, meu trabalho vai ficar visível para muita gente, ainda mais que é no período das Olimpíadas, quando a cidade vai ter muito turista do país e do exterior”, disse a artesã.
A exposição no Crab tem como escopo os objetos feitos com matérias-primas derivadas de plantas e árvores, tais como madeiras, palhas, sementes e resina. No total são mais de 100 espécies de vegetais transformados, a partir da visão do artista, em objetos decorativos dos mais variados possíveis.
Na avaliação da analista técnica do Sebrae Paraíba, Maísa Melo, a exposição reforça o poder que tem o artesanato paraibano no cenário nacional. “Nosso artesanato é rico e nossas produções não ficam atrás de nenhum outro Estado. Quando fazemos o salão do artesanato temos quase 700 artesãos do próprio Estado, ou seja, há muita gente produzindo arte na Paraíba. Exposições como a do Crab são espaços excelentes para que nossos produtos ultrapassem fronteiras e sejam reconhecidos em várias regiões”, disse.
Outros dois artesãos selecionados para a exposição do Crab foram Eliane Pereira de Souza, do município de Pitimbu, que produziu frutas e animais marinhos em fibras, e Oziel Dias Coutinho, da cidade de Itabaiana, que produziu animais em madeira.
Entraves – De acordo com Maísa Melo, alguns entraves dificultam o crescimento do artesanato paraibano dentro do próprio Estado. “Percebemos nos nossos estudos que os artesãos têm problemas em colocar seus produtos nas lojas da Paraíba, em parte porque os lojistas alegam que os produtos de outros Estados chegam mais baratos já que são produzidos em grande escala. Por outro lado os artesãos, que são maior parte do interior da Paraíba, têm dificuldades logísticas para entrega dos seus produtos”.
Para resolver esses problemas, a analista técnica do Sebrae Paraíba destaca que diversas ações têm sido executadas pelo Sebrae para que os artesãos do Estado possam ampliar sua presença nos mercados locais. “O Sebrae está fazendo essa ponte entre artesãos e lojistas, através de suas feiras, exposições, rodadas de negócios e consultorias, mostrando ao lojista a importância de investir no nosso artesanato, que tem qualidade e bom acabamento, e também junto aos artesãos, facilitando o contato dele com os lojistas”.
A artesã Gilma Pereira acredita que tais ações têm potencializado o artesanato do Estado. “Já participei de consultorias que me ajudaram a melhorar meu trabalho, principalmente no acabamento do que faço. O Sebrae também tem sido um grande parceiro na divulgação do nosso artesanato, porque ajuda a dar visibilidade ao que a gente produz”, destacou.
Dados – Dados do Programa Brasileiro de Artesanato indicam que há mais de 92 mil artesãos inseridos no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab). Uma pesquisa realizada em 2014 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – último levantamento disponível – mostra que o artesanato persiste como atividade econômica presente em 78,6% dos municípios.
Sobre o Crab – O Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), erguido na Praça Tiradentes num conjunto de prédios construídos em 1808, no Rio de Janeiro, possui em seu projeto nove salas de exposições permanentes e de curta duração distribuídas em três pisos, além da loja do programa Brasil Original, do Sebrae, que vai oferecer peças selecionadas, com estimativa de negócios ao redor de R$ 1 milhão por ano. As peças serão oferecidas em sistema de consignação a partir de preços definidos pelos artesãos. Mais informações: www.crab.sebrae.com.br.