“O neuromarketing oferece novas hipóteses de relacionamento com o consumidor”
24 de fevereiro de 2016
Ter bons produtos na vitrine não é mais suficiente para alavancar vendas e trazer a identificação do público. Cada vez mais, as marcas apostam em ações diferenciadas que exploram outros sentidos dos consumidores. Essa estratégia está diretamente relacionada com o neuromarketing, uma a tentativa de entender cientificamente o comportamento dos consumidores pelo cérebro. Em laboratório, sensores mapeiam as reações positivas e negativas do cérebro a certos estímulos, como cores e sons. Essas informações, se bem analisadas, são cruciais para as empresas, que pode, a partir delas, traçar suas estratégias de comunicação.
O especialista no assunto Fernando Kimura esteve em João Pessoa para uma palestra voltada a empresários e conversou com exclusividade com o Paraíba Total. Segundo ele, as empresas estão se especializando nesta área cada vez mais – o que tem tornado o mercado mais instigante e competitivo. “Na minha visão, por mais moderno que seja um consumidor, ele compra por instintos primitivos, por sensações”, lembra Kimura, que é especialista em Marketing Digital pela ESPM e Neuromarketing pela Universidade de Buenos Aires.
Confira trechos da conversa na entrevista que segue.
Como o neuromarketing pode ajudar empresas e consumidores?
Ele ensina o que funciona e o que não funciona na comunicação entre eles. Ensina como saber melhor sobre a marca, desde a embalagem do produto até a própria experiência ao proporcionar uma sensação que se queira que o consumidor tenha com a marca. Isso vale para que se possa trabalhar toda a comunicação e tem a ver com marketing digital, institucional e até assessoria de imprensa e comunicação.
O neuromarketing funciona apenas para grandes marcas ou também para pequenos negócios?
Ele serve tanto para um como para o outro. Serve para uma padaria, um posto de combustível. Devemos observar sempre o consumidor em três esferas, que é o psíquico, social e cultural, percebendo o que psicologicamente o seu produto, seja qual for, busca e o que ele entrega.
Nos eventos isso também funciona?
Na verdade os eventos estão virando uma commodity, onde todos os palestrantes são incríveis, em lugar e layout diferentes. Ao mesmo tempo eu vejo formatos diferentes, inovadores, onde a marca se relaciona com público de conteúdo. Muitos misturam arte, entretenimento, empreendedorismo, música, palestras.
Ainda dá para inovar nesta área?
Ainda há muito espaço para se inovar. Ainda não se explora muito esse negócio de falar que o cérebro é exclusivo, de criar sensações nas pessoas, de criar benefícios aos consumidores e sensações para que ele fique desesperado querendo aquilo.
Encontrar a aderência da marca com o consumir é um desafio?
É sim ainda um desafio de tentativas e erros, e o neuromarketing oferece novas hipóteses de relacionamento com o consumidor. O Itaú, por exemplo, é ótimo nisso. Testam toda hora e até erram, mas as pessoas nem percebem. Então, é possível despertar as áreas do inconsciente.
Com a chegada das novas tecnologia, das redes sociais, mudou o de compra em relação às décadas passadas, por exemplo?
Não minha opinião. não. Na minha visão, por mais moderno que seja um consumidor, ele compra por instintos primitivos, por sensações. E nos anos 80, tivemos as mesmas reações que temos hoje ao adquirir um produto top de linha. Os produtos mudaram, mas o comportamento do consumidor é o mesmo de sempre.
Em sua palestra, você deixa uma pergunta: o que seria da economia se não fosse a inveja?
Certa vez eu fiz essa pergunta ao Ricardo Amorim (economista e comentarista da Globo News). Ele me respondeu que, ao invés do governo cortar ICMS, baixar juros dos produtos de linha branca, que era melhor mesmo elevar o índice de inveja entre os consumidores, que isso elevaria a arrecadação. Achei genial! Sabemos que 85% das decisões que tomamos são feitas no subconsciente. Por isso, alguns estímulos podem ser decisivos na hora da compra. Isso pode ser usado para o bem ou para o mal. Muita gente compra por sentir inveja.
Qual a sua dica para o empresário que quer melhor conhecer essa área?
Vale a penas eles observarem o que ainda há nas empresas de diferente e como você pode trazer isso para o seu universo. Por tanto, é preciso sair um pouco do seu universo. Vá a feiras do Sebrae, a eventos de empreendedorismo, verifique a inteligência compartilhada. Aproximem-se do consumidor. Hoje a informação está presente em todo o lugar e ela geralmente é grátis.
Você tem dado palestras em todas regiões do País. Há diferenças muito gritantes entre o consumo entre as regiões do país?
Tem sim. Eu vejo muita inovação no Nordeste e no Norte. Claro que no Sudeste há mais empresa, mais instituições e mais informações, mas na minha opinião, a inovação no Norte e Nordeste é mais impactante nesse sentido.