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Inadimplência do consumidor despenca em JP e mantém índice em Campina Grande

15 de janeiro de 2013

 -carteira vazia 

Os pessoenses fecharam o ano de 2012 menos endividados do que em 2011. De acordo com números levantados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o ano passado somou 32,189 mil inclusões na capital paraibana, enquanto em 2011 esse número havia sido de 42,516 mil, o que representa uma queda de 24,2%.
O levantamento apontou que só em dezembro a cidade totalizou 1,944 mil novos devedores, número também inferior ao de 2011, quando o último mês teve 2,003 mil inclusões (variação de -2,9% entre os dois anos).
Por outro lado, ainda que a quantidade de novos inadimplentes tenha diminuído, os índices de exclusão da lista do SPC seguem caindo.
Diante deste cenário, o diretor do SPC de João Pessoa, Lindemberg Vieira, acredita que o pagamento do 13° salário não teve grandes influências no pagamento de dívidas no último ano.
“A maioria dos pessoenses receberam o 13° em duas parcelas, ou seja, em dezembro só foi pago a metade, por isso acho que não fez tanto efeito, diferente do que acontece quando o abono é pago integralmente”, comentou.
Segundo ele, o ano de 2012 representou uma queda de 34,8% no número de exclusões na comparação com os doze meses anteriores, uma vez que as reabilitações de crédito partiram de 32,215 mil para 20,985 mil. Já em dezembro, essa redução foi mais evidente.
No último mês de 2011, 3,044 mil pessoas saíram do endividamento na capital, número que caiu 44,9% no mesmo período do ano passado, chegando a 1,676 mil pessoas.
Apesar das dificuldades encontradas na quitação dos débitos, Lindembergh considera que “o pessoense teve mais zelo neste último ano, inclusive evitando emprestar seu nome a terceiros, prática responsável por 22% da inadimplência na cidade”, disse.
Dívida de terceiros
Na sede do SPC não é difícil encontrar consumidores tentando quitar suas dívidas. Este é o caso de John Lenon Cruz, que fez um empréstimo para ajudar a sogra e ficou com o “nome sujo” no mercado. Ele conseguiu negociar duas de suas três pendências e conseguiu descontos de quase 94,48%.
“Eu tinha dívida no Itaú Card de R$ 2.976 e com as negociações caiu para R$ 164. Também devia à Losango há cerca de cinco anos de R$ 1.000 e agora ficou em R$ 160. Quitei tudo por causa das facilidades que obtive”, disse.
Segundo John Lenon Cruz, ainda falta pagar a dívida na BV Financeira, que é de R$ 2.000. Mas já fui lá e recebi a proposta de pagar apenas R$ 500 de forma parcelada ou R$ 350 se optar por pagar à vista”.
Janeiro em alerta
A chegada do mês de janeiro já está deixando o varejo em alerta.
Por ser um período de grandes gastos nos mais variados setores, especialmente para quem tem filho em idade escolar e precisar arcar com o pagamento de material e fardamento, é possível que, se não houver planejamento, a inadimplência cresça no Estado e provoque sérias consequências futuras.
“Os meses de janeiro e fevereiro sempre são preocupantes, porque muita gente gasta não só com compras mas principalmente com passeios e viagens, despesa essa que não é recuperável. Esse é um período de despesas com colégios e faculdades, entre matrículas e livros. Tudo isso pesa”, completou Lindembergh.
No Brasil
No país, a inadimplência no varejo avançou 1,9% em 2012, em relação a 2011, divulgou quarta-feira a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Para a economista do SPC Brasil, Ana Paula Bastos, o aumento não é preocupante.
"O nível de desemprego está baixo e os ganhos salariais têm crescido acima da inflação, o que possibilita ao consumidor ter maior controle sobre o orçamento e maior capacidade de quitar os débitos", analisou. 
Índice fica estável em Campina
Em Campina Grande, porém, o endividamento parece ter se mantido nos mesmos patamares que em 2011.
Segundo dados concedidos pela Câmara de Dirigentes Lojistas da cidade (CDL-CG), 14,550 mil pessoas passaram para a inadimplência durante todo o ano de 2012, apenas 0,4% a menos do que nos doze meses anteriores (14,610 mil endividados), diferença considerada irrelevante. Já dezembro foi de alta de 6,5%, uma vez que os números saíram de 909 e passaram para 968 em comparação com o mesmo mês de 2011.
A reabilitação de crédito segue a tendência da capital, apresentando reduções no acumulado dos doze meses e em dezembro. Em 2011, a cidade somou 9,983 mil exclusões contra as 8,774 mil do último ano (diferença de -12,1%).