Itaú Unibanco eleva lucro no 4º trimestre
2 de fevereiro de 2016
O Itaú Unibanco teve lucro pouco acima das previsões nos últimos três meses de 2015, com receitas maiores e controle de despesas, mas previu salto superior a 40% na provisão para calotes e possível retração no crédito neste ano, refletindo a economia do país, que ruma para a pior recessão em um século.
O maior banco privado do país anunciou nesta terça-feira que seu lucro recorrente do quarto trimestre somou R$ 5,773 bilhões, alta de 2% sobre um ano antes. A previsão média de analistas consultados pela Reuters era de lucro recorrente de R$ 5,51 bilhões.
Após efeitos extraordinários, o lucro líquido teve alta de 3,2% no comparativo anual, a R$ 5,698 bilhões.
Apesar do crescimento de apenas 4,3% da carteira de crédito, que fechou o ano em R$ 548,1 bilhões, o Itaú Unibanco viu a margem financeira com clientes crescer 1,1% na base sequencial e de 13,2% o sobre um ano antes.
A capacidade de repassar taxas maiores nas operações de crédito e de obter bons resultados com a tesouraria levaram o banco a ter alta de 20,7% da margem financeira gerencial no ano, acima da estimativa de 14,5 a 17,5%.
O índice de inadimplência, medido pelo saldo de atrasos com mais de 90 dias, foi a 3,5%, 0,2 ponto percentual maior que no trimestre anterior e 0,4 ponto acima de um ano antes. O índice de 15 a 90 dias recuou 0,4 ponto na comparação com o terceiro trimestre, a 2,6%.
Ainda assim, a despesas com provisão para calotes, líquida de recuperação de crédito, caiu 0,4 por cento na base sequencial a R$ 4,634 bilhões, refletindo o crescimento de 35,4% das receitas com recuperação de crédito baixado para prejuízo.
A despesa não decorrente de juros, incluindo administrativos e salários, subiu 1,95% sobre o trimestre anterior e 9,95% sobre um ano antes. No consolidado de 2015, o aumento foi de 8,8%, dentro da meta do banco de fazê-la ficar abaixo da inflação, de 10,7% pelo IPCA.
Em outra frente, as receitas do trimestre com serviços e tarifas avançaram 10,6% ano a ano, para R$ 7,645 bilhões.
A rentabilidade sobre o patrimônio líquido, que mede como o Itaú Unibanco remunera seus acionistas, foi de 22%, queda de 1,3 ponto percentual na medição sequencial e de 2 pontos sobre um ano antes.
No conjunto, o Itaú Unibanco fez previsões pessimistas para este ano, considerando um intervalo que vai de contração de 0,5% para alta de 4,5% em sua carteira de crédito consolidada, puxada pelo desempenho no Brasil.
O banco também previu aumento médio superior a 40 por cento das provisões para perdas com inadimplência, considerando o ponto médio da faixa de R$ 22 bilhões a R$ 25 bilhões de reais, em relação à média prevista para o ano passado.
O banco também previu expansão de 2 a 5% da margem financeira com clientes, linha que teve expansão de 15,6% no ano passado.