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Trucks e bikes impactam setor gastronômico na Capital

10 de dezembro de 2015

Tendência mundial de comercializar alimentos sobre rodas, o movimento crescente dos food truck e food bikes estão transformando o conceito de lanches em diversas cidades brasileiras. Com o conceito gourmet, se instalam em locais estratégicos para oferecerem lanches rápidos, doces e bebidas – alguns até improvisam mesinhas ao redor. 

Em João Pessoa, a esse mercado, ainda informal, tem crescido bastante e impactado o setor gastronômico. Segundo o  presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes na Paraíba (Abrasel-PB), Paulo Amaral, houve uma queda de 10% a 12% no fluxo de clientes no segmento formal de alimentos da Capital nos últimos meses, mas que também vem sendo percebida pela Abrasel Nacional em outras regiões do País com uma média de 11% ao logo do ano. Para ele, além da chegada dos trucks, essa queda teve ainda outros fatores reais. “No nosso estabelecimento, apesar de nossa clientela se manter fiel, tivemos uma pequena queda de fluxo. Contudo, não atribuo esse impacto apenas à atuação dos trucks na cidade, mas sim ao período de recessão econômica em que vivemos, que tem diminuído o poder de aquisição da população”, afirmou Paulo, que é proprietário da lanchonete Fina Fatia, localizada em Tambaú. 

O dirigente da Abrasel-PB alertou sobre a necessidade de regulamentação dos trucks em João Pessoa para que haja uma competitividade justa e salutar entre todos os que atuam no segmento alimentícios e também para que haja uma segurança alimentar para a população. “Para nós, que pagamos a maior carga tributária do mundo, seria desleal e inviável competir com quem não paga impostos, possuem custos baixos e ainda não passam por nenhum tipo de fiscalização por parte dos órgãos que monitoram a segurança alimentar”, disse. 

A regulamentação da atividade em João Pessoa, no entanto, já teve seu ponta pé . Após o Governo do Estado ter vetado o projeto de lei estadual da Assembleia Legislativa da Paraíba, com base no argumento  de que o Estado não teria competência sobre o tema, agora a mesma propositura foi apresentada e já tramita na Câmara Municipal pessoense.

Alternativa econômica – Mesmo funcionando informalmente, o mercado tem chamado atenção de quem quer ganhar um dinheiro a mais e incrementar o orçamento.  Quem apostou nisso foi  Rosa Soares e Lucas Dantas, que criaram a food bike Doce a Dois, há quatro meses e que tem sido a principal renda do casal. Eles têm atuado diariamente em diversos pontos da cidade, além de realizarem parceria com outros trucks e bikes e eventos.

Para montar o negócio, o investimento foi de R$ 1.200. “Com esse valor compramos nossa bike e os utensílios necessários. Como eu já tinha curso de confeitaria do Senac de São Paulo e fazia pão-de-mel por encomenda, decidimos encarar o desafio e foi só adquirir a matéria prima e produzir”, contou Rosa.

Na food bike eles comercializam cheesecake por R$ 5 a unidade.  Com uma média de 20 a 100 unidades vendidas por semana, o casal já conta com um faturamento médio mensal de R$ 3.000. “Como já está dando para tirar nosso investimento e pagar nossas contas, estamos confiantes de que esse negócio vai dar certo e que poderemos até expandir no futuro”, comentou Rosa.

Já o food trucks Los Taqueiros, de Diego Taco e Claudio Lucena, optaram pelos tradicionais tacos mexicanos.  Eles comercializam cada um por R$ 7.  “No nosso caso, foi uma segunda renda. Pois, sou arquiteto e meu sócio é publicitário. Vimos nesse momento de crise uma possibilidade de empreender com esse produto e esse modelo de negócio, que já conhecíamos dos Estados Unidos”, contou Diego.

Juntamente com seu sócio, ele investiu R$ 40 mil no negócio. Como tem apenas pouco mais de dois meses de atuação no segmento, o faturamento médio mensal ainda gira em torno de R$ 4 mil. Otimista, ele espera retorno em 2016. “Esperamos em pelo menos um ano não só vermos um retorno do que investimos e quem sabe, essa também possa ser a nossa principal renda”, acrescentou ele.