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Tarifa de energia do setor industrial da Paraíba está entre menores do país

26 de dezembro de 2012

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A tarifa da energia elétrica de alta tensão (do setor industrial) da Paraíba tem um dos menores valores do país, quando comparado aos demais Estados, segundo aponta uma pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No ranking dos menores custos, o Estado tem a 5ª posição do país e a 3ª do Nordeste. O custo de cada MWh (megawatt-hora) é de R$ 289,2.
O valor, apesar de baixo em relação aos demais, ainda é considerado alto pelo presidente do Centro das Indústrias do Estado da Paraíba (Ciep), João da Matta. “Pode parecer menor do que as tarifas de outros lugares, mas como vivemos em um Estado de baixo consumo, onde a indústria ainda encontra muitas dificuldades, é difícil manter preços competitivos lá fora”, ressaltou.
Para ele, a possível redução da tarifa de alta tensão em até 28% em fevereiro de 2013, prevista pelo governo federal, é a melhor alternativa para alavancar o ramo industrial paraibano no próximo ano. Mesmo assim, João da Matta ressalta que é importante que o governo do Estado também tome medidas que amenizem os altos custos de produção atuais.
“A energia elétrica é a principal matéria-prima da indústria, incidindo diretamente nos custos, por isso é preciso que os governantes tenham um cuidado especial com ela para termos um melhor equilíbrio na economia. Na Paraíba, as indústrias pagam 25% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), um valor altíssimo que torna a produção muitas vezes insustentável. O setor está em recessão em todo o país e os efeitos nos estados mais pobres são maiores ainda”, comentou, lembrando que as pequenas e médias empresas são as mais prejudicadas, por não terem condições de buscar outras fontes de energia.
Fiep espera redução de taxa
De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a tarifa industrial paraibana é 13,49% menor do que a média do Nordeste (R$ 334,3 MWh) e 12,06% inferior em relação à do país (R$ 329 MWh). Além disso, as despesas com energia elétrica e combustíveis representaram 2,9% dos custos totais das empresas brasileiras em 2010, segundo a Pesquisa Industrial Anual (PIA).
Mesmo abaixo da média nacional, o presidente da Federação das Indústrias da Paraíba (Fiep), Buega Gadelha, ressalta que a redução do valor da tarifa é fundamental para o setor industrial.
“O custo da energia de produção fica bem maior com os impostos, a margem de lucro da distribuidora e outros fatores.
Acho que o ideal seria que a taxa fosse pelo menos metade do que é hoje”, destacou Buega.
Sobre a redução da tarifa de energia, o gerente de Faturamento da Energisa na Paraíba, Cleyson Jacomini, diz não ter dúvida de que a intervenção do governo se mostra fundamental para o desenvolvimento do país. “A medida proposta pelo governo federal (que reduzirá o valor da tarifa a partir de fevereiro) tem exatamente o objetivo de reduzir as tarifas, importante elemento do chamado Custo-Brasil, o que, no nosso entendimento, poderá favorecer também o crescimento da indústria no país”, disse.
O estado brasileiro com a tarifa mais cara é o Mato Grosso, com R$ 419,2 MWh, enquanto o líder no Nordeste é a Bahia (R$ 365,2 MWh). Já o menor valor praticado no país é de Roraima (R$ 255,9 MWh) e no Nordeste é do Piauí (R$ 271,7 MWh), seguido de Alagoas (R$ 284,3 MWh) e logo depois está a Paraíba (R$ 289,2 MWh).
Alto custo
Apesar do preço da energia industrial na Paraíba ser bem menor do que o da maioria dos estados brasileiros, os dados da Firjan garantem que a tarifa praticada aqui é mais cara do que em 19 dos 27 países que possuem dados disponíveis na Agência Internacional de Energia (AIE). Para a Energisa, o motivo disso é muito simples.
“Um dos grandes responsáveis pela diferença de tarifa de energia elétrica do Brasil em relação a outros países é a grande carga tributária que incide sobre as tarifas de energia no Brasil”, declarou Jacomini. Entre os países com preços mais competitivos do que a Paraíba estão Portugal, Japão, Reino Unido, Alemanha, Espanha e Argentina.
A tarifa da Paraíba ainda é superior à média registrada nos países estudados, que é de R$ 215,5 MWh. Em comparação com a tarifa média mundial e com a dos países da América Latina (R$ 197,5 MWh), nenhum estado brasileiro apresenta valores competitivos.
“Temos que entender que estamos num mundo globalizado.
Podemos estar com uma das menores tarifas do Brasil, mas esse valor ainda é muito elevado se comparado aos outros países da América Latina. É preciso criar condições de igualdade para poder competir com os outros países”, opinou o presidente da Fiep.