“Na crise, quando acontecem demissões no mercado, muitos trabalhadores enxergam nos pequenos negócios uma oportunidade de sobreviver e vencer”
9 de setembro de 2015
Os números dos pequenos na Paraíba impressionam. São cerca de 120 mil, entre microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, além de 70 mil produtores rurais. Juntos, correspondem a 99% do universo empresarial paraibano e representam quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. São os pequenos negócios que levam desenvolvimento para as regiões onde estão localizados e desempenham um papel social fundamental, gerando 56,3% dos empregos formais e 51% da remuneração na Paraíba.
Nesta quarta-feira (9), o Sebrae Paraíba lança um movimento para expandir ainda mais atuação dos micro e pequenos negócios. A campanha nacional “Compre do Pequeno Negócio” pretende estimular a sociedade a consumir produtos e serviços fornecidos por micro e pequenas empresas. “Ele assegurar a compra no pequeno negócio, viabiliza a constituição de um mercado interno, de um mercado regional, além de fazer com que a geração de emprego se mantenha e até cresça, apontando para novas oportunidades”, adiantou com exclusividade ao Paraíba Total, o superintendente do Sebrae-PB, Walter Aguiar.
Ele recebeu nossa reportagem em seu gabinete para falar sobre o evento, sobre a nova unidade do Sebrae, que será inaugurada brevemente, sobre as iniciativas da instituição – mas abordou de que forma a crise econômica atinge a economia e, consequentemente, os pequenos. “Em tempos de crise, quando se acontecem demissões no mercado, muitos trabalhadores enxergam nos pequenos negócios uma oportunidade de sobreviver e vencer”, disse Walter Aguiar.
Na entrevista que segue, ele ainda abrange potencialidades e vocações do Estado, terreno fértil para a diversidade econômica regional.
O senhor está há exatos oito meses a frente do Sebrae Paraíba. Antes, teve uma boa experiência no setor público. Já podemos formatar um balanço da gestão?
Na realidade, eu vim ultimamente da área pública, mas eu já estive na iniciativa privada, tanto como microempreendedor, como trabalhador, gerente de algumas empresas da Construção Civil, que é minha origem como engenheiro civil. Essa experiência recente na administração pública é, sem dúvida, a mais forte nos últimos 20 anos. De fato, trazemos sim essa experiência para o Sebrae, mas também encontramos aqui uma experiência diferente, pois é uma empresa sem fins lucrativos, com uma grande responsabilidade social. Logo, aqui incorporamos muito dessa diferença, que consegue aglutinar a riqueza da experiência da administração pública com a riqueza da experiência da iniciativa privada. Essa junção é que faz com que o Sebrae tenha uma ação muito forte, muito respeitada e com muita utilidade dentro da sociedade como um todo. Nesses primeiros meses, temos desenvolvidos projetos importantes, como o que vamos lançar nesta semana, a campanha Compre do Pequeno Negócio e a inauguração da nova agência do Sebrae.
Como será essa nova agência, que será inaugurada em uma das mais fortes regiões econômicas do Estado?
Será 10ª agência do Sebrae no Estado que iremos inaugurar e ela vem num momento em que se amplia a atuação do Sebrae para uma região da cidade de João Pessoa, que cresce em termo de comércio que, representa cerca de 22% dos pequenos negócios do Estado, em cerca de 25 bairros que irá abranger, cerca de 10,5 mil pequenos e micro empreendedores se concentram lá. Além disso, a nova agência abrangerá mais cinco municípios circunvizinhos da Capital, a exemplo de Caaporã, Pitimbu, Alhandra, Conde e Pedras de Fogo. Ou seja, ela atenderá uma área de divisa com o Estado de Pernambuco, que também representa um novo nicho de desenvolvimento. Essa nova agência vem tanto em função do desenvolvimento da cidade de João Pessoa, como também de uma área potencial do Estado, de grande importância tanto para área pública quanto para a iniciativa privada, já que ali temos a Fiat, a Hemobras e o polo cimenteiro paraibano.
A expansão também se valoriza pelo turismo e pelo mercado imobiliário.
O turismo é sem dúvidas a área mais promissora neste segmento no nosso estado, com uma riqueza natural que se alia à modernidade, com uma localização extremamente estratégica naquela localidade. Sem dúvida é uma área bastante estratégia e valorizada, pois também ficará perto do Centro de Convenções que abrange o litoral Sul da Paraíba. Então, uma agência ali também só vai dialogar com todas essas potencialidades de desenvolvimento dessa região do Estado, inclusive da construção civil também. Mas, nosso foco é o pequeno. E mesmo em tempos não favoráveis para a nossa economia, o Sebrae aposta e investe, acreditando que a própria situação dificultosa faz inclusive com que em determinadas áreas se tenham grandes oportunidades de negócios. Em tempos de crise, quando se acontecem demissões no mercado, muitos trabalhadores enxergam nos pequenos negócios uma oportunidade de sobreviver e vencer. E o Sebrae está aqui pra isso, ou seja para ajudar no processo de capacitação, de orientação de gestão, planejamento feito da sua porta para dentro, aumentando sua capacidade no período de crise, tanto no mercado local, como até nas importações.
O pequeno negócio, principalmente após a Lei Geral, tem sido mais valorizado como motor da economia brasileira. Como o senhor analisa o movimento de abertura de empresas neste momento delicado da economia?
A crise de fato atinge a todos os segmentos, pois ela é bastante real e o Brasil para sair dela terá que criar um novo modelo de desenvolver, para assim apostar naquilo que o Sebrae já coloca há alguns anos que é apostar na inovação, na competitividade, que são pilares fundamentais para se caminhar em todos os momentos, sejam eles bons ou de recessão. E é por isso que o Sebrae sempre tem apostado no micro e pequeno negócio. Ele á uma saída, uma alternativa muito forte. No caso da Paraíba, ele é responsável por 57% dos empregos formais. No Brasil se chega a ter 52% desses empregos formais com base no pequeno negócio. Na Paraíba, 99% dos empreendimentos são feitos do pequeno negócio e isso é um circulo promissor, pois assim se está viabilizando os negócios, de seu bairro, fazendo com que o dinheiro circule naquela região, fortalecendo esse mercado local, regional, abrindo oportunidades em vários segmentos. Então, como o pequeno negócio não está livre da crise, procuramos fazer com que ela seja o mesmo perversa possível para quem empreende com inovação.
Como será desenvolvida na Paraíba a campanha nacional do Sebrae Compre do Pequeno Negócio?
A campanha Compre do Pequeno Negócio, apesar do termo comprar, não resume apenas ao processo de compra. Ele assegurar a compra no pequeno negócio, viabiliza a constituição de um mercado interno, de um mercado regional, além de fazer com que a geração de emprego se mantenha e até cresça, além de apontar para novas oportunidades de negócios. E aqui o Sebrae também vai dar esse apoio ao pequeno empreendedor em como e em que ele deve melhor investir, e isso é fornecido de uma forma muito profissionais e muito técnica, para que ele se sinta ainda mais seguro no seu investir, que já é em grau pequeno de fato, já que seus recursos nem sempre são próprios deles e por isso precisam muito dessa segurança e confiança, até porque nem sempre ele tem como pagar por uma pesquisa de mercado ou de visibilidade, como os grande têm. Já estamos fazendo campanhas junto aos segmentos e entidades. Pois primeiro se dá esse processo de divulgação junto à sociedade, e termos algumas datas importantes. A de lançamento será nesta quarta-feira, dia 9, além do dia 5 de outubro, que teremos o “Dia da Compra”, que é o Dia da Microempresa.
Como funciona e qual a importância do Pacto de Desenvolvimento Territorial que o Sebrae está desenvolvendo?
Antes de tudo, se construir um processo de desenvolvimento sem se compactuar com os atores que fazem parte desse processo. E o Sebrae teve uma experiência muito rica nos Pactos 1 e 2 do Cariri, onde Prefeituras e entidades locais foram atores fundamentais, articularam as políticas públicas de acordo com o processo de construção de um planejamento que foi feito para eles. A exemplo do que foi colocado que a caprinocultura era algo fundamental para o desenvolvimento de determinada região e isso foi levado pelas prefeituras dessas localidade, como fator importante para se realizar políticas públicas nesse sentido, levando a ser um dos polos mais produtivos de caprinocultura do País, fruto desse processo de desenvolvimento acompanhado pelo Sebrae e com ativa participação dos atores locais. E foi com base nesse sucesso, que o Sebrae vai buscar desenvolver esse pacto em outras nove regiões do Estado, isso com base nas potencialidades e vocações de cada uma dessas regiões, envolvendo, seus atores, municípios, empresas, e demais atores sociais, e claro sempre focando os pequenos negócios, com planejamento, capacitação, competitividade etc. O Sebrae participa do planejamento e da articulação, além do processo de capacitação, procurando a vocação de cada região e município.
O senhor falou de potencialidades e vocações. A Paraíba é rica neste sentido, com destaque para diversos segmentos. Como agir pontualmente neste cenário de diversidade?
Diferente de outros estados que são conhecidos por alguma de suas potencialidades, a Paraíba ainda não tem uma vocação única, especifica. Você vai hoje no sertão paraibano, na Região de Itaporanga, e lá se tem uma vocação para a indústria têxtil, coisa que há 10 anos não tinha e que hoje o Sebrae tá próximo disso, impacto forte na localidade, baixo desemprego e atividade que dialoga com a região de seca. Já em Pombal e Sousa, por exemplo, há a maior bacia leiteira do Estado, onde se tem a empresa Isis, de produtos lácteos, e fica vizinho a Itaporanga e que tem potencialidades bem distintas. Em Cajazeiras, temos potencialidade de confecção como em Caruaru e, no litoral Sul, temos o turismo, como já foi dito. Em João Pessoa, temos potencial para turismo de eventos, agora potencializados coma chegada do Centro de Convenções, bem como em Campina Grande, com a realização de grandes congressos, além do São João. E isso é muito rico, basta se planejar, desenvolver e focar dentro da técnica e não do “achismo”.
Um dos setores que está crescendo fortemente é o de turismo de eventos. O Sebrae tem promovido e apoiado diversos, em todo o Estado e, inclusive, promovendo uma forte capacitação no mercado.
O Sebrae acompanha de perto todo esse movimento. A Paraíba tem recebido grandes eventos nacionais e alimenta os pequenos eventos também. Já somos referencia em receber eventos do País inteiro, não apenas João Pessoa, mas no interior do estado. Isso reflete no Sebrae, que caminha de acordo com a vocação de cada região. Buscamos beber da sabedoria para caminhar e dialogar com essas iniciativas. E precisamos estar preparados para acompanhar todas essas mudanças.
Um dos eventos mais esperados do Estado é a Feira do Empreendedor. Já podemos adiantar algo sobre a próxima edição?
A Feira do Empreendedor é mais do que um evento. É um momento em que o Sebrae dialoga com os que realmente movimentam a economia do Estado. A edição de 2016 acontece no Centro de Convenções, de 18 a 22 de maio. Será um espaço de oportunidades para quem quer iniciar um negócio ou inovar sua empresa. Esperamos que seja ainda melhor do que as anteriores. Na última, levamos a medalha de prata em comparação as demais realizadas nos outros estados.