“Nosso desafio é criar a confiança no empresariado paraibano de TIC para que ele desenvolva seu potencial para competir”
3 de setembro de 2015
O mercado brasileiro de TICs (tecnologias de informação e comunicação) tem crescido cerca de 10% ao ano, seguindo a tendência dos demais países emergentes. Na Paraíba, o setor também tem acompanhado o ritmo de crescimento e buscado se organizar. Em conversa com o novo presidente da Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações da Paraíba (Sucesu-PB ), Cláudio Piemonte, o Paraíba Total abordou questões como projetos da entidade e mercado.
À frente da entidade desde o início deste ano, o carioca o também diretor da e-Gen contou como tem sendo a sua atuação empresarial e as principais metas de sua gestão, que se estende até o final do ano de 2016. “Eu sempre acreditei na questão de se juntar forças e construir coisas a partir dessa aglutinação de pessoas, com boas visões”, contou ele.
A Sucesu-PB, que existe desde 1996, espera e atua, principalmente, na criação de um Polo Tecnológico em João Pessoa. “Precisamos de um ambiente onde seja possível se congregar as empresas e os demais setores da sociedade civil organizada, fazer uma gestão da inovação e ainda executar essa inovação”, destacou ele e outros pontos, na entrevista que segue.
Você é carioca, mas já mora aqui há 20 anos. Como ocorreu a sua escolha de morar e empreender na Paraíba?
Desde a época em que conheci minha esposa, que tem familiares paraibanos, sempre vínhamos a João Pessoa a passeio. E quando surgiu a oportunidade de vir morar aqui, não pensamos duas vezes. E isso ocorreu quando eu trabalhava na Itautec, empresa do banco Itaú e, minha esposa veio trabalhar na Universidade Federal da Paraíba. E assim, juntou a vontade de vir para cá com a oportunidade de nos transferirmos. Após dois anos trabalhando aqui pela Itautec, consegui abrir o meu próprio negócio, terceirizando o próprio serviço da Itautec. Abri uma loja de revende de celular da Claro e fui representante da própria Itautec na parte comercial de licitação, depois da Semp Toshiba e depois me tornei sócio da e-Gen, em 2003, junto com Anderson Teixeira.
O que te levou a ingressar para o segmento associativista e à direção da Sucesu-PB?
Eu sempre acreditei na questão de se juntar forças e construir coisas a partir dessa aglutinação de pessoas com boas visões. Conheci a Sucesu através do então presidente da Codata Fernando Tavares, e foi então que comecei a participar primeiramente como associado. Depois passei a me interessar e me envolver mais com as questões de entidade, quando por dois mandatos exerci a função de diretor. No início de 2015, assumi a presidência.
Qual a duração de sua gestão e qual a missão da Sucesu-PB?
Minha gestão começou no início de 2015 e vai até o final de 2016, com possibilidade de reeleição por mais dois anos. Quanto à nossa missão, precisamos juntar quem compra TIC a quem vende essa mesma TIC. É B2B, ou seja, é uma entidade 100% de negócios. Ao longo desse caminho, de vender e comprar, é desenvolvida toda uma cadeia produtiva. Portanto, é preciso adequar mão-de-obra e promover capacitação de quem produz. Uma coisa que eu observe aqui no Estado é que o comprador de TIC ainda tem um certo receio em comprar ou ainda não entende bem o que está comprando. Então, a associação também está tomando para si essa função de capacitar o comprador, envolvendo outros sindicatos, associações, as instituições de ensino, o governo estadual etc.
Qual é o principal desafio da associação?
Na verdade, é mais de um. Nosso primeiro desafio é primeiramente maturar o empresariado, pois o paraibano ainda tem receio de empresas de fora que vem se instalar no Estado, temendo perder espaço no mercado. Mas, na verdade, o mercado é de quem tem mais competência. Então, nosso desafio é criar essa confiança no empresariado paraibano para que ele desenvolva seu potencial para competir. O outro desafio seria criar o polo de tecnologia, no qual já trabalhamos há cerca de quatro a cinco anos, no sentido de sensibilizar os governantes, as instituições e os próprios empresários nesse sentido. Precisamos de um ambiente onde seja possível se congregar as empresas e os demais setores da sociedade civil organizada, fazer uma gestão da inovação e ainda executar essa inovação.
Como está formatada atualmente a Sucesu-PB?
Contamos com uma média de 40 associados. No geral, se percebe que o empresariado paraibano é, de fato, um pouco acomodado. Portanto, junto aos nossos associados procuramos trabalhar isso, pois muitos são ligados a contas de governo, tanto estadual quanto federal e municipal, e isso também resulta em uma concorrência desleal principalmente na área de TIC. São pouco os que são inovadores e que já querem exportar seus produtos e ideias.
A crise atingiu o setor de TIC na Paraíba?
Não. No nosso setor não existe de fato uma crise instituída. E ainda: o que tem afetado também tem trazido mudanças positivas. Inclusive existem algumas pesquisas que indicam que o setor até cresça algo em torno de 15% neste ano, algo bastante significativo para um período de recessão em que vive o País. O setor de TIC existe sempre uma coisa transversal, em que se consome desde o pequeno jornaleiro até a grande indústria. Geralmente no momento de crise, de controle de gestão, geralmente se recorre ao software que vai dar com precisão o controle de gastos, estoque, etc nas empresas. Para se trabalhar numa empresa, seja ela qual for, são necessárias as soluções em tecnologia.
Como está sendo projeto o polo de tecnologia? O que de fato falta para ele existir?
Basicamente o que faltam são condições física e/ou virtual. E esse ambiente precisa de normas e condições favoráveis para que se trabalhe a questão da inovação, da capacitação. Nós já estamos desenvolvendo ações nesse sentido, que é tentando sensibilizar os governos estadual e municipal. Já temos um pré-projeto com essa finalidade, batizado de Extremotec, que é a construção de uma unidade, em algum local, onde seriam colocadas as empresas, instituições de ensino, de fomento, para se trabalhar nesse ambiente a informação voltadas para o negócio. E também teria um braço acadêmico, onde seria desenvolvido o lado intelectual, as pesquisas e a mão-de-obra. O outro lado seriam os órgãos governamentais, fomentando tudo isso. Estamos avançando nas conversas com todos os segmentos envolvidos para que se saia do papel. Precisamos e queremos desse espaço que desde então precisa de seu espaço para funcionamento.
Quem pode integrar a Sucesu-PB?
Hoje nosso critério é sempre admitir até duas empresas concorrentes de automação de cada segmento mercadológico como bares, restaurantes, supermercados etc. e também de usuários que são gestores compradores desses produtos. Claro, empresas de Comunicação e de Tecnologia da informação são sempre bem-vindas.
Qual a maior meta de sua gestão?
Desde o início de nossa atuação estamos focando no sentido de que a Sucesu-PB seja bem organizada e forte e trabalhar as questões de parcerias de mercado. Como ainda a promoção de eventos, que deem visibilidade ao nosso mercado. Também queremos interiorizar a Sucesu-PB. Em Campina Grande e em Patos, por exemplo, existem muitas empresas com grande potencial.