“A Paraíba é um celeiro em TIC, mas falta propagação dos incentivos oferecidos pelo setor público”
19 de agosto de 2015
Fomentar a informática pública como ferramenta de aumento de produtividade, oferecendo informações e serviços no atendimento ao cidadão, promovendo o fortalecimento e a cooperação entre as associadas e ainda mantendo intercâmbio com associações congêneres nacionais e internacionais. Esses são os principais objetivos da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (Abep), composta por representantes de vários estados da federal e que tem a frente de sua direção um paraibano, Krol Jânio Palitot.
Em entrevista exclusiva ao Paraíba Total, Krol, que é formado em Ciência da Computação e especialista em Redes, Gestão Pública e Direito Administrativo, destacou como será a atuação da entidade na busca pela modernização administrativa. “Nosso pensamento é pluralizar, nós precisamos pensar nas associações de todos os estados como um todo. E minha intenção é a é poder proporcionar as soluções que foram desenvolvidas até hoje para que elas chegam o mais rápido também aos outros estados”, argumentou.
O novo presidente da Abep já foi superintendente dos institutos de pesquisa IMEQ e Imetro do Paraíba, professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) de Tecnologia da Informação e atualmente também preside a Companhia de Processamento de Dados da Paraíba (Codata).”Eu vejo que a Paraíba é um celeiro em TIC, mas falta propagação dos incentivos oferecidos pelo setor público”, destacou Krol na entrevista que segue.
Muito se fala na capacidade empreendedora do paraibano. Isso reflete também na área da Tecnologia da Informação?
Eu vejo que o paraibano tem uma capacidade de empreendedorismo espetacular, até várias empresas da nossa Paraíba conseguem se projetar nacionalmente, até mais em uma esfera internacional. Até porque várias soluções feitas aqui são utilizadas pelo governo federais e por empresas dos Estados Unidos, Inglaterra. Essas soluções são inclusive patenteadas. Então, eu vejo que a Paraíba é um celeiro em TIC, mas falta propagação dos incentivos oferecidos pelo setor público. Isso vai fazer com que nossa produção seja absorvida cada vez na esfera nacional e o que nós devemos fazer é justamente incentivar cada vez mais que essas tecnologias que são implementadas no nosso estado possam crescer e se expandir pelo mundo.
E a Paraíba tem investido bem no fomento de projetos e de negócios da área?
Sim. Vários setores começaram a gerar algum tipo de incentivo. Só que esses incentivos ainda não são propagados de uma forma correta. Até porque eles precisariam de workshops, especificações mais abrangentes para que as empresas pudessem chegar mais rápido nesse tipo de solução. Para que elas pudessem ter um conhecimento melhor. Várias soluções dentro do Governo do Estado ou de até mesmo de algumas outras entidades elas conseguem fazer isso. Como por exemplo o programa Empreender-PB, que gera incentivos. Você monta seu planos de trabalho e especialistas acompanham de perto o desenvolvimento do projeto e conseguem mostrar uma solução para um retorno financeiro seguro.
Quais são os principais desafios do mercado de Tecnologia da Informação na Paraíba?
O grande problema que vejo é a questão de incentivos em relação às tecnologias que são implementadas. Muitas empresas e de pequeno porte precisam de incentivo, de estímulo para que elas possam crescer, para que elas possam investir em tecnologia, em mão-de-obra, em equipamentos adequados. Faltam alguns meios de que possam incentivar esse foco, que seria algum financiamento, um tipo de abertura de comércio para que o nosso empreendedor possa resgatar posteriormente o que foi investido. A Abep trabalha restritamente com as empresas públicas de tecnologia, então são com as próteses de cada estado. O que podemos fazer nesse sentido é realizar algum tipo de interação para que essas empresas possam mostrar as suas soluções dentro das outras próteses e que possam ser compartilhadas como um todo. E quando eu digo da falta de incentivo isso é para todas, pois principalmente as pequenas não conseguem chegar ao mercado. Muitas vezes porque elas não têm como disponibilizar uma situação que ela chegue com a sua proposta, como uma empresa grande. Ou seja, ela não tem como mostrar que ela tem como fazer isso. Muitas vezes ela tem até o interesse de querer crescer e se desenvolver, mas resta mão-de-obra, resta uma solução de tecnologia que ela não consegue absorver mais naquele momento.
Tendo agora um paraibano à frente de sua direção, inclusive com sua experiência frente à Companhia de Processamento de Dados da Paraíba (Codata), de que maneira será a atenção dada pela Abep ao setor de atuação no nosso Estado?
Veja bem: em relação à Abep, o nosso pensamento é pluralizar. Nós precisamos pensar nas associações como um todo. Até porque nós tratamos todas entidades como iguais, seja Nordeste, Norte, Sul, Sudeste, enfim, o Brasil todo. Então, o mais interessante que nós vemos na Abep é que o problema de uma região, de um estado, ele não é único. Ele é um problema que é compartilhado por todos, assim como as soluções. Então, a minha intenção é a frente da Abep e da Codata da Paraíba é poder proporcionar as soluções que foram desenvolvidas até hoje para que elas chegam o mais rápido também aos outros estados. E que essa troca de experiência seja tão viável que tanto para nós como para os demais estados da federação e que integram nossa associação.
Qual a importância da atuação da Abep para estimular a adoção de medidas de inovação entre seus associados?
Nós criamos dentro da Abep várias câmaras. Essas câmaras estudam várias soluções, a exemplo das que vão debater sobre videomonitoramento, sobre fibra ótica, sobre cidades inteligentes, sobre vários pontos, que serão abordados por todos os estados. E que os mesmo podem ser direcionados para que aquelas soluções estão sendo estudadas possam crescer de uma forma conjunta. O estado que tiver determinado conhecimento mais aprimorado a tecnologia, por exemplo em leitura biométrica, nós poderemos trocar essa experiência para que um estado que já esteja precisando dessa solução, ele não precisasse levar tanto tempo para chegar em denominador comum, se essa solução necessária já está pronta por outra. É uma troca de informação, de experiência que seja de grande importância e viabilidade para o sucesso de todos.
Quais são os principais projetos e metas para sua gestão, frente ao Abep?
A minha principal meta seria a questão da transparência, da viabilização de projetos e da abordagem rápida e prática em relação as situações que existem hoje. Então, a minha intenção maior seria o compartilhamento das informações e o estreitamento, cada vez mais dos projetos, que cada estado desenvolve. É uma forma de poder minimizar o desenvolvimento de soluções, para cada vez mais elas possam serem mais dinâmicas e ágeis em seus processos.
Quando foi fundada a Abep, qual a sua missão e como se dá a sua composição atual?
A Abep foi criada em 1977. Sua missão é promover a cooperação entre as suas associadas e participar efetivamente na formulação de políticas públicas de TIC, nas diversas esferas governamentais, visando o fortalecimento da informática pública como instrumento de gestão, prestação de serviços e cidadania. Atualmente a entidade é composta por um presidente, vice-presidente, diretor-executivo; vice-presidente de Tecnologia; vice-presidente de Gestão; secretário-executivo, presidente do Conselho de Associadas, vice-presidente do Conselho de Associadas, além do Conselho que é composto por três titulares e três suplentes. Todos os cargos e funções estão bem distribuídos por representantes de vários estados da federação, que foram empossados em 27 de fevereiro de 2015 e seguirão em exercício até 27 de fevereiro de 2016.
Qual a orientação para os empreendedores de TIC que ainda não colocaram em prática seu negócio?
A minha dica e orientação é que inovem. Inovando é possível cada vez mais viabilizar o que nós temos de ideia. Com tecnologia, essas inovações podem chegar mais rápidas ao consumidor, quando se tornam viáveis, capazes de serem executadas e absorvidas por toda a sociedade.