HSBC vai encerrar atividades no Brasil e cortará quase 50 mil empregos no mundo
9 de junho de 2015
O banco HSBC anunciou nesta terça-feira (09) um novo plano estratégico que inclui uma reestruturação de 10% de seu elenco no mundo todo, uma revisão de sua futura sede, o abandono de mercados como Brasil e Turquia e sua ampliação de negócio no continente asiático. O novo plano empresarial procura reduzir custos em R$ 15,5 bilhões (US$ 5 bilhões) e conseguir um retorno sobre o patrimônio líquido de mais de 10% para 2017.
Com isso, o HSBC cortará quase 50 mil postos de trabalho e reduzirá seu banco de investimentos, diminuindo os ativos do maior banco europeu em um quarto em uma medida para simplificar e melhorar sua lenta performance. O banco disse nesta terça-feira que cerca de metade dos cortes de postos de trabalho virá das vendas dos negócios no Brasil e na Turquia.
Segundo o executivo-chefe do grupo financeiro, Stuart Gulliver, a pequena abertura do Brasil ao comércio internacional e a falta de escala no mercado brasileiro explicam a decisão do HSBC de deixar o Brasil. No México, ao contrário, o banco continuará de portas abertas. Para explicar a manutenção da outra filial latino-americana, o executivo argumentou que o “quadro é diferente no México, onde a economia é aberta e há 11 reformas em curso”.
Durante evento para atualização do cenário para os investidores do HSBC, o principal executivo do grupo explicou, com naturalidade, a decisão de sair do Brasil. “Os negócios têm gerado resultado abaixo do esperado no Brasil, Turquia, México e Estados Unidos. O que vamos fazer é vender o Brasil e a Turquia e mudar no México e EUA”, disse Gulliver, ao ressaltar que a filial brasileira do HSBC vai se restringir a uma pequena operação para atender grandes empresas. “Vamos manter uma modesta presença no Brasil”.
A venda da filial do Brasil acontece diante de dois principais problemas. O primeiro é estrutural e diz respeito à falta de abertura comercial do País. “Brasil e Turquia são economias mais fechadas com pequeno porcentual das exportações sobre o Produto Interno Bruto”, disse. Números apresentados pelo executivo mostram que as exportações brasileiras, por exemplo, respondem por 10% do PIB. O mesmo indicador está em 31% no México, 23% na China e 16% na Índia.
Outro problema é do próprio banco. No Brasil e Turquia, o HSBC sofre com a falta de escala. Para ser o terceiro maior banco dos dois mercados, o executivo explicou que as filiais teriam de multiplicar o total de ativos em mais de seis vezes. Na apresentação na capital britânica, Gulliver mostrou um quadro em que mostra o HSBC Brasil com US$ 63 bilhões de ativos em dezembro de 2014. Em sexto lugar no ranking dos maiores bancos no mercado brasileiro, o HSBC está muito atrás do Santander — o quinto — que somava US$ 225 bilhões.
Plano estratégico
A outra metade dos cortes virá de cerca de 10% do restante dos seus 233 mil funcionários com a consolidação de operações de tecnologia da informação e departamentos administrativos e o fechamento de agências bancárias.
O banco, que foi fundado na Ásia e tem sede em Londres, fez o anúncio em comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong, pouco antes de oferecer uma atualização detalhada sobre o novo plano aos investidores.