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“Prender a atenção dos alunos sempre foi um desafio em sala de aula, seja com o antigo gibi ou agora com a rede social”

20 de maio de 2015

O quadro negro, os livros didáticos e a orientação pedagógica não são mais as únicas ferramentas para que o professor venha desenvolver com eficiência a sua atividade em sala de aula. A revolução tecnológica tem feito com que os profissionais se adaptem a uma nova realidade para poder acompanhar o ritmo de uma geração de estudantes impacientes, hiperativos e vidrados no mundo virtual.

E para entender um pouco mais sobre os novos desafios do educador, o Paraíba Total entrevistou o economista e master coach Antonio Amorim, que esteve na Paraíba ministrando a palestra “A Educação em tempo de Empobrecimento da Atenção” para integrantes do Centro Universitário do Vale do Ipojuca – DeVry de João Pessoa. Ao longo da entrevista, Antonio Amorim, que também é pós-graduado em psicologia organizacional e ator do livro “Construindo Pontes – 10 passos do Aquário ao Oceano”, analisou o processo educacional brasileiro, o perfil do alunado atual e destacou os obstáculos a serem superados pelos educadores. “Prender a atenção dos alunos sempre foi um desafio presente em sala de aula, seja com o antigo gibi escondido dentro do livro ou agora com uma rede social”, avaliou Amorim, também diretor da Universidade Internacional da Paz- UNIPAZ- BA e Presidente do Conselho Consultivo do Instituto do Conhecimento – ICON.

Para ele, é importante que haja não apenas uma revolução tecnológica nas escolas e sim, que aconteça uma evolução na capacitação do docente. “Vemos claramente que o grande desafio hoje é dar atratividade ao conteúdo a ser repassado ao alunado. Então, também não é competir é sim preciso transformar aquela informação em conhecimento e criar o mecanismo ideal de sua transmissão, gerando um campo de motivação para o alunado poder se interessar e se descobrir ali”, destacou ele, juntamente com outros pontos, na entrevista que segue.

Qual o foco e o público-alvo da palestra que o senhor ministrou na Paraíba, que tem como tema “Educação em tempo de Empobrecimento da Atenção”?

Na verdade essa palestra ela faz parte de um ciclo de palestras que eu tenho feito para colégios, para coordenadores, professores e diretores, de colégios convidados da DeVry Brasil, onde a mesma tem sedes de sua instituição. O tema que abordamos é uma provocação da questão da atenção, que em um primeiro momento, pode ser sugerido como a quantidade de ofertas de tecnologia que se tem. Hoje o aluno entra na sala e tem celular, com Google, redes sociais, com Whatsapp, ou seja, uma série de ofertas, e isso pode sugerir esse empobrecimento, que se dar por esse nível de ofertas.  Mas, eu diria que tudo isso é mais uma consequência do que uma causa. Ao meu ver, a causa efetiva é o modelo educacional que precisa trazer a realidade para dentro da sala de aula. O mundo está hoje disponível no celular, da TV que está tudo interligado, inclusive dentro da sala de aula. Aquilo que gera interesse no aluno precisa ser tratado, e esse interesse também não é igual para todo mundo, pois nem sempre o que é interessante para um é para outros alunos.

Do seu ponto de vista, é necessário adaptar o conteúdo das aulas às inovações tecnológicas para se conseguir atenção do aluno?

É preciso unir os dois pontos. Por exemplo, se hoje transformarmos em todas as escolas os quadros negros em quadros digitais, e tudo que está sendo demonstrando não se gerar interesse, de nada vai adiantar todo o investimento tecnológico. Portanto, tem que ser uma coisa combinada. Os alunos não são mais os mesmos, os métodos de ensino também não podem ser os mesmos. Temos uma geração de nativos digitais. Prender a atenção dos alunos sempre foi um desafio presente em sala de aula, seja com o antigo gibi escondido dentro do livro ou agora com uma rede social. E isso não passa apenas pelo professor, pela escola, pelo aluno, passa pelo MEC, o se fazer despertar para o aluno o que é que ele gosta de fazer e o que ele tem de talento para fazer. Pois, isso é o que vai fazer despertar o interesse dentro dele.

Como fazer com que todos os anseios individuais sejam atendidos no ambiente escolar?

Hoje a estratégia é repensar de uma forma transversal. Pois não há uma pessoa que tenha essa formula pronta, que passe pelo Ministério da Educação e que se adeque às modernidades. Hoje, temos um nível de informação bastante brutal. Por tanto, é preciso selecionar as informações, e isso é feito por meio de foco. O ideal é direcionar esse foco para os estudantes.

Estamos muito distantes desse modelo eficiente de educar?

Infelizmente estamos mesmo muito distantes desse modelo eficiente de educar. Pois, quando eu escuto qualquer coisa ou inovações, alguém já diz que é exigência do MEC. E o que se vê muitas vezes é o MEC atribuindo ao professor a questão de ter que se atualizar. E fica nesse jogo. E isso é, na verdade, uma grande vontade política. Uma grande discussão a ser travada.

Qual o novo perfil do educador ideal, além de ser antenado nos anseios do alunado e nas tecnologias?

Na verdade, ele ainda guarda algumas coisas tradicionais, tais como ter uma visão, uma base científica boa, que é importante, ter uma consciência social de entender que somos agentes sociais e consciência de cidadania. Não adiante apenas se passar os conceitos, falar da história. E nem precisa mais transmitir tudo e isso ao pé da letra, pois hoje o aluno vai no Google e já tem essas informações. Também não é competir é transformação aquela informação em conhecimento e criar o mecanismo ideal de sua transmissão, gerando um campo de motivação para o alunado poder se interessar e se descobrir ali.

Qual o grande desafio hoje para o educador?

Vemos claramente que o grande desafio hoje é dar atratividade ao conteúdo a ser repassado ao alunado.

De que forma os pais podem contribuir com esse processo educacional?

Na minha opinião, o educar já é uma tarefa conjunta dos professores junto com os pais. Acho também que é preciso que os pais venham dar espaço aos filhos para fazerem suas escolhas profissionais, pois tentar influenciar só vai ajudar a dificultar o processo de interesse do aluno. E essa escolha independe de idade e sim da individualidade de cada um.

Qual sua avaliação do resultado das baixas notas do Enem?

No tempo da máquina de escrever as pessoas escreviam melhor do que hoje na era do computador. Vivemos em um momento de transmissão, de profunda mudança no sentido da comunicação. E isso tem um lado ruim porque muitas escrevem com erros, mas tem o lado bom, pois elas voltaram a escrever, seja pelo email, pelas redes sociais, mesmo que com erros. Então, vivemos em um processo que vai precisar de ajuste, não dá para voltar à situação passada, mas para provocar uma atualização. O importante é tornar uma consciência nas pessoas de que é preciso melhorar.

Algo mais a acrescentar aos leitores do Paraíba Total?

Só quero ressaltar a importância da existência desse tipo de espaço, que não vejo como uma palestra e sim de troca de conhecimento, que me enriquece sempre e que é extremamente saudável. Por isso, é sempre válido ampliar os espaços de discussão e palestras nas instituições educacionais seja sobre qual for a temática. Pois, isso ajuda no esclarecimento, no aprender e despertar para a importância de ensinar. E aqui na Paraíba essa experiência de troca foi uma extremamente rica.