Petrobras lançará até R$ 4 bi em títulos no mercado brasileiro
13 de maio de 2015
Pela primeira vez em 15 anos, a Petrobras vai tentar vender títulos de dívida no Brasil. O plano é levantar de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões para reforçar seu caixa e bancar seus investimentos.
A estatal foi obrigada a mudar a estratégia, porque os mercados internacionais estão avessos a seus papéis por causa da Operação Lava Jato. A Petrobras costuma fazer esse tipo de captação no exterior para pagar menos juros.
O público-alvo desses títulos serão os grandes investidores, como os fundos de pensão das estatais e os principais fundos de investimento em renda fixa.
Nesta semana, a Petrobras está concluindo a contratação dos bancos encarregados de coordenar a oferta. A missão deve ficar a cargo de Bradesco, Banco do Brasil, BTG Pactual e Votorantim.
Na divulgação do seu balanço, realizada em 22 de abril, o diretor financeiro da empresa, Ivan Monteiro, já havia acenado com a possibilidade de emitir dívida no mercado brasileiro.
Diretoria da Petrobras, em evento que apresentou os resultados de 2014. Na ocasião, a empresa indicou que poderia emitir dívida no Brasil
Os bancos acreditam que pode haver boa demanda pelos papéis da Petrobras no Brasil, apesar da crise de confiança que a empresa vem enfrentando. O risco desses títulos é um calote da estatal, possibilidade considerada remota depois que a empresa divulgou seu balanço.
Desde que o ex-presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e sua diretoria assumiram o comando em fevereiro, a estatal decidiu tomar mais empréstimos no mercado, apesar de sua dívida líquida já ter atingido R$ 282 bilhões.
Em seu último balanço, a empresa informou que pretende captar US$ 13 bilhões dos US$ 19 bilhões autorizados pelo conselho de administração.
Até agora, já conseguiu cerca de US$ 9 bilhões em operações com o Banco de Desenvolvimento da China, com o Standard Chartered e com bancos brasileiros.
A estatal pretende fechar o ano de 2015 com um caixa de US$ 20 bilhões, investimentos de US$ 29 bilhões e captações de US$ 13 bilhões.
Monteiro vem afirmando que a empresa vai buscar mercados alternativos para captar dinheiro, fora do eixo Nova York e Londres. Na exposição aos conselheiros, Monteiro disse que foi procurado pelo JBIC, banco de desenvolvimento do Japão, para discutir novos empréstimos à companhia.
O contato ocorreu no dia seguinte ao anúncio do financiamento de US$ 3,5 bilhões dos chineses. O executivo afirmou também que enxerga boas oportunidades na Europa. Segundo ele, a Petrobras recebeu sondagens para novos financiamentos de agências de cooperação da Noruega, Canadá, Inglaterra e Itália.