Empreendedorismo materno incentiva empresária a expandir negócios
9 de maio de 2015
Que a maternidade transforma a mulher, ninguém duvida. Muitas sofrem só de imaginar o retorno ao trabalho fora de casa dali a poucos meses após o bebê nascer e ficam tão transformadas com a experiência, que desistem de seus antigos postos para buscar diferentes alternativas para ter mais tempo com o filho. Outras descobrem oportunidades de negócios a partir da necessidade que surgem junto com os filhos.
Esse movimento é tão forte que até possui um termo específico no mundo dos negócios: empreendedorismo materno. Forte nos Estados Unidos há tempos, o movimento vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Segundo dados do Anuário das Mulheres Empreendedoras e Trabalhadoras em Micro e Pequenas Empresas, elaborado pelo Sebrae, em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômico – Dieese, entre 2002 e 2012, o total de empreendedoras aumentou 19%. Muitas, inclusive, executivas bem sucedidas que abriram mão de altos salários para ficar mais perto dos filhos.
Nicolle Nery, 35 anos, administradora de empresas e enfermeira, faz parte das estatísticas de mulheres que se reinventaram e vêm desbravando o universo do empreendedorismo. Foi depois do nascimento de Arthur, há quase 5 anos, que ela decidiu mudar o rumo de sua vida profissional. Como consultora de vendas e representante comercial, Nicolle não encontrava brecha na agenda (sempre lotada) para curtir momentos prazerosos ao lado do filho.
“Eu estava sempre trabalhando e precisava deixar meu filho em berçário. Mas, não consegui encontrar algum que tivesse um projeto pedagógico”, disse em entrevista ao Paraíba Total. Foi aí que ela, com a ajuda do marido, Márcio Chevitarese, decidiu abrir o Baby’s Cool, um berçário com proposta pedagógica e atividades com foco no desenvolvimento individual dos bebês.
A proposta inovadora deu certo e o Baby’s Cool virou referência, servindo, inclusive, de modelo para a abertura de outros berçários com a mesma proposta em João Pessoa.
Confira trechos da conversa com a empresária, case de sucesso no Estado.
1) Como e quando surgiu a ideia de ser empreendedora? Como você identificou a oportunidade para montar o Baby’s Cool?
Minha necessidade surgiu a partir da minha experiência com a maternidade. Após o nascimento do meu primeiro filho, fui em busca de berçários que pudessem o acolher para que eu pudesse retornar ao trabalho após a licença maternidade. Na época, existiam apenas 4 berçários na região da praia e nenhum deles oferecia o “básico” em cuidados. Eram estruturas velhas e adaptadas… Casas residenciais que foram denominadas berçários e ali reuniram algumas crianças… Profissionais “comuns”, sem formação, uniforme e nenhuma experiência ou vivência pedagógica do universo infantil. A criança passava ali o dia todo como se estivesse depositada! Sem estímulos, desenvolvimento e cuidados necessários! Após constatar essa realidade do mercado, decidi contratar uma enfermeira que ficaria na minha casa com o bebê! Mas quando retornei ao trabalho, fui desligada da empresa e, com a minha rescisão, resolvi empreender e formatei o que seria o meu ideal em um berçário! Fiz tudo pensando no melhor para o meu filho.
2) Quais as principais dificuldades que você encontrou? Como superou?
A principal dificuldade é sem dúvida a mão-de-obra. Qualificar e capacitar pessoas para exercerem uma função tão específica e repleta de responsabilidades. Não basta ter um diploma. É preciso identificar o perfil adequado… Amar o que faz, e ter experiência com a prática didática! Conhecer o universo da criança e respeitar o desenvolvimento de cada uma delas. Para sanar essa dificuldade, investimos em treinamento e muita capacitação. Temos uma seleção rigorosa e, quem entra, passa por um longo processo avaliativo. Investimos em coach, em estudos contínuos, em desenvolvimento de lideranças e extraímos o que cada profissional tem de melhor. Incentivamos a participação em congressos e feiras e, anualmente, nossa equipe docente viaja para cursos específicos. Hoje temos os melhores profissionais do mercado e estamos no processo de criação de um curso de especialização em educação infantil para pedagogos de outras instituições. Nosso objetivo é contribuir para a educação de uma forma geral.
3) Em janeiro deste ano, o Baby’s Cool foi ampliado e passou a integrar um projeto maior: o Sistema de Ensino Prime’s Cool. Com isso, você passou a atender crianças de 45 dias até 10 anos e não mais até 3 anos. Quais fatores você considera mais importantes para o sucesso e a ampliação da sua empresa?
Começamos de forma tímida, pois o mercado ainda era receoso sobre berçários. Nós viemos para inovar esse conceito e para mostrar que o berçário era um espaço de desenvolvimento e necessidade para qualquer criança. Aliamos a necessidade dos pais, em ter um lugar seguro e que atenda de forma minuciosa seus filhos, com a necessidade de um desenvolvimento mais específico para as crianças. Com o tempo, ganhamos a confiança e mostramos que viemos para ficar. Mas, as crianças ao completarem 4 anos tinham que migrar para outras escolas. Os pais, satisfeitos com o trabalho, pediam que ampliássemos, e assim fomos fazendo ano a ano. Entretanto, chegou uma hora que o espaço ficou pequeno e foi necessário mudar de local. E assim nasceu o Prime’s Cool. Atualmente, contamos com uma área de 4500 metros, onde podemos explorar nossas práticas pedagógicas com qualidade, trazendo para a realidade o ideal de uma educação lúdica e prazerosa. Cada ambiente foi projetado para que encantasse as crianças e os pais; para que fosse possível extrair dos nossos alunos o maior potencial individual. Vivenciar na prática para depois partir para o concreto. Esse é o nosso trabalho. A criança aprende de forma contextualizada e através das suas diversas experiências. Nosso objetivo é contribuir para essa formação como condutores do saber e incentivar as crianças a fazerem a diferença, para que sejam crianças argumentativas, educadas, inteligentes e com espírito de liderança. Que possam utilizar tudo que aprendem hoje na sua vida pessoal e profissional, no futuro, se destacando. É o que se chama de educação personalizada: conhecer cada criança de verdade, o que ela come, o que ela gosta, o que a motiva… Isso faz toda a diferença!
4) O que diria às mães que estão pensando em iniciar um negócio?
Abrir um negócio é fácil. Manter esse negócio aberto de forma rentável é, muitas vezes, o difícil. Mas a receita do sucesso é simples: fazer por amor, depositar seus sonhos é o que lhe conduz a realizá-los. Mas, conhecer o mercado, os concorrentes e buscar sempre se diferenciar. Copiar é fácil. Mas, criar é o diferencial. Quem cria, inova; quem inova, empreende. Essa é a receita.