“Apesar da crise, o Nordeste e a Paraíba vão novamente pegar o rumo do crescimento”
6 de maio de 2015
Apesar da crise econômica, o Dia das Mães este ano ainda terá lucratividade para o comércio. Isso segundo a última Pesquisa de Intenção de Compras do Instituto Fecomércio de Pesquisas Econômicas e Sociais da Paraíba (IFEP), na Região Metropolitana de João Pessoa, que apontou que 66,53% dos filhos paraibanos pretendem presentear suas mães nesta data que é considerada o “Natal do primeiro semestre do ano”.
Em entrevista exclusiva ao Paraíba Total, o presidente da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado da Paraíba (Fecomércio), Marconi Medeiros, afirmou que mesmo com o momento de aperto econômico da população, espera um crescimento de pelo menos 5% nas vendas do Dia das Mães, em comparação ao mesmo período do ano passado. “As vagas de emprego também estão melhorando e vão crescer no mesmo percentual de 5% diante do mesmo período do ano de 2014. Isso também pela proximidade das vendas para o Dia dos Namorados, que também aquece o comércio”, acrescentou ele.
Ainda durante a entrevista o dirigente da Fecomércio analisou outros pontos que correspondem ao segmento que ele responde no Estado e também contou um pouco da experiência de sua recente viagem à China.
Veja trechos da conversa.
O senhor foi com um grupo de empresários para China no último mês. Como foi a viagem?
Diria que foi bem mais que uma viagem de negócios. Foi uma busca por experiência nessa 117ª Canton Fair, missão Empresarial Brasil-China. Nós tivemos com toda a delegação, composta por 20 representantes do setor produtivo da Paraíba, inicialmente na cidade de Guangzhou, com mais de 15 milhões habitantes onde participamos da maior feira setorial do mundo, com todo tipo de produto, de autopeças, de material de construção, ou seja, multi-setoriais. Depois também ainda em Guangzhou, participamos de uma visita técnica no porto da cidade onde fomos recebidos pelo diretor do porto, que é o maior interposto comercial de contêineres. Ainda lá nós fizemos uma visita técnica a uma indústria de ônibus elétricos, verificando que nós também temos condições de aproveitar esse tipo de ônibus para o transporte daqui para o Brasil e também para a Paraíba, um transporte altamente viável e que evita problemas que tanto enfrentamos aqui como congestionamento e poluição. Agora, nós iremos disseminar essa ideia no Estado, já que não foi em nossa delegação ninguém do setor de transporte local. Visitamos Hangzhou, realizamos uma visita técnica para a empresa Alibaba, a maior empresa de e-commerce do mundo, e ainda participamos de uma reunião na Câmara de Comércio com aproximadamente 50 empresários do setor industrial. E por fim, em Dubai, fomos recebidos por representantes do governo de Dubai e dos Emirados Árabes. Lá nos foi demonstrado o programa de excelência em todas as esferas do governo local, que também iremos disseminar aqui.
O que mais lhe chamou atenção e o que os paraibanos podem levar de aprendizado?
Além da missão institucional, ela também foi uma missão comercial, pois tinha representantes de indústrias que fizeram negócios. E isso é sempre interessante. Mais o que mais me chamou a atenção foi comprovar que a Paraíba é um grande parceiro da China e que deve aumentar cada vez mais suas parcerias de negócios. A partir de agora podemos ver que o empresariado chinês tem verdadeiramente o empresariado brasileiro com como parceiro, e também o empresariado nordestino. Lá também descobri que o Brasil e Nordeste brasileiro estão bem em relação àquele país, além de estarem bem posicionamos em relação aos demais países do mundo. E foi muito bom ver que eles têm o Brasil como uma nação rica e forte, que tem alguns problemas para resolver, mais nada que não seja corrigível, pois temos muita garra e determinação para isso.
Qual a missão e as metas da Fecomércio?
Temos certeza que existem alguns obstáculos, mas que vão ser transpostos, tanto pela classe empresarial, quanto pelas classe política, tais como esse ajuste econômico que é hoje o grande desafio para que as despesas possam ficar menores que a arrecadação federal. E a Fecomércio apoia, torce e colabora para que isso aconteça o mais rápido possível, juntamente com os 27 Sindicatos que temos hoje espalhados pelo Estado da Paraíba, e atuantes em vários setores, como comércio, serviço e turismo.
No momento como o senhor avalia o mercado com essa crise econômica?
De fato, passamos uma dificuldade econômica e financeira no país, mas com esse ajuste fiscal do Governo Federal, mas ainda não precisamos o valor desse impacto setorialmente no Estado. Apesar da crise, o Nordeste e a Paraíba vão novamente pegar o rumo do crescimento. Isso eu não tenho dúvidas de que vai acontecer. Torço muito para isso.
Quais são as perspectivas nas vendas com a proximidade do Dia das Mães e Dia dos Namorados?
Independente do momento, marcado pelo baixo crescimento econômico, o aumento da inflação e a alta dos juros que encarece o crédito ao consumidor e influencia negativamente as compras a prazo, no Dia das Mães o comércio deve crescer as vendas em pelo menos 5% em relação ao ano passado.
Que setores são mais procurados durante esse período?
Nessa época, sem dúvida, os itens de vestuário, calçados, perfumes, seguido de eletrodomésticos e eletrônicos, são os mais procurados pela população, inclusive pelos consumidores que pretendem presentear as mães no próximo domingo e aos namorados no próximo mês de junho.
Com relação à criação de novas vagas temporárias. Qual a sua comparação com relação ao mesmo período do ano anterior?
As vagas de emprego também estão melhorando e vão crescer no mesmo percentual de 5% diante do mesmo período do ano de 2014. Isso também pela proximidade das vendas para o Dia dos Namorados. Creio nisso porque a Paraíba ainda é um estado que vem crescendo tanto na arrecadação de impostos quanto na geração de emprego, em seus mais diversos setores.
Qual o perfil do consumidor paraibano?
Eu vejo o paraibano como um bom perfil de consumidor. Pois é um consumidor responsável, em sua maioria. Um consumidor preocupado em ser adimplente e saber que só por tudo isso o comércio pode gerar mais emprego e mais renda.
Como a Fecomércio vê a expansão do comércio eletrônico?
Minha visão é positiva, pois é mais uma forma de comercialização que devemos, sim, adotar. Não vejo como predatória ou prejudicial, pois da mesma forma que existem pessoas que só compram vendo e tocando no produto, existem outras que buscam comodidade e preços acessíveis, descontos, muitas vezes oferecidos nessa nova modalidade de vendas, o e-commerce. E vejo positivamente sim ainda, principalmente se os impostos forem destinados ao Estado do consumidor que adquiriu o produto.
Nos últimos anos, a Paraíba tem atraído diversas franquias. Como o senhor analisa o crescimento deste modelo de negócio na Paraíba?
Essa outra modalidade de franquias também é positiva, pois pessoas que talvez não tivessem coragem para empreender em um novo negócio, por meio das franquias que já dispõem de um modelo de sucesso, que são casos de sucesso, dão essa motivação ao empresário e a confiança que seu negócio tem tudo pra dar certo. Além do formato existe a ampla assistência oferecida aos seus franqueados. E esse acompanhamento é essencial para se trilhar no sucesso.