Empresário sertanejo amplia indústria com pequenas atitudes sustentáveis
25 de outubro de 2012
Faltava apenas um período para o jovem empresário Leonardo Teodoro, 35 anos, graduar-se em Letras. Mas àquela altura, a literatura que ele mais estudava era sobre prolipropileno, conhecido por nós como plástico. Então ele deixou a faculdade, investiu no próprio negócio e se dedicou ao mercado de vassouras e acessórios de limpeza, boa parte deles tendo o plástico como matéria-prima. Com uma preocupação a mais: reutilizar o máximo dos resíduos que a indústria fabricasse e ampliar os negócios com práticas sustentáveis.
Leonardo instalou com recursos próprios um galpão na zona rural de Catolé do Rocha, no Alto Sertão da Paraíba, e ficou muitas noites sem dormir no início do negócio porque precisava lidar com um maquinário novo, comprado com as economias da família, que muitas vezes travava e não dava para solicitar assistência técnica a toda hora. “Tive que aprender o processo produtivo nos mínimos detalhes porque tinha poucos funcionários que também estavam aprendendo a lidar com isso”, afirmou.
No início, ele produzia um modelo de vassoura e dois modelos de rôdos e tinha seis funcionários. A única matéria-prima que ele compra de fora são os monofilamentos, ou os pelinhos da vassoura, feitos de garrafa PET que vêm de São Paulo. Cada quilo de monofilamento corresponde a 68 garrafas PET. Todo o resto é reaproveitado dentro da própria fábrica e Leonardo não deixa sobrar nada. Absolutamente nada.
“Primeiro, eu pensava em aproveitar o máximo de materiais por uma questão de otimizar custos, baratear a produção. Mas a medida que ia implantando uma pequena mudança eu notava que os resultados ambientais eram muito mais relevantes. Foi assim com iluminação do galpão e com a reutilização da água”, explica ele, que com iluminação natural economizou 10% de energia e com o uso racional da água obteve uma redução de 60% no consumo. Ele também reutiliza as embalagens dos seus produtos, comprando de volta dos clientes, evitando o aumento da produção de lixo na comunidade.
A fábrica está instalada numa região semi-árida em que água é o bem mais escasso. No entanto, ao redor da empresa não faltam fruteiras e árvores de sombra que são aguadas pouco a pouco pela água que vem do ar condicionado do escritório. E mesmo enfrentando a pior seca dos últimos 20 anos na região, os funcionários conseguem cultivar uma pequena área ao redor da fábrica para o plantio de raízes e hortaliças, que reforçam os lanches da manhã e da tarde.
Vencedor por duas edições consecutivas da etapa estadual do Prêmio SESI de Qualidade no Trabalho, na categoria Desenvolvimento Socioambiental, a empresa chegou ao segundo lugar nacional na edição 2010 desta categoria do prêmio. Leonardo se orgulha das conquistas e de vender para vários estados do Nordeste, tanto no varejo quanto no atacado. Ele ampliou os negócios com a produção de fios para fabricação de cadeiras e hoje possui 19 funcionários, produzindo 20 mil vassouras por mês, em 13 modelos diferentes, além de 4 modelos de rôdo. “Sustentabilidade é uma palavra que está usada com oportunismo por muitas empresas. Mas é totalmente possível adotar práticas sustentáveis, sem novos investimentos e ainda obter lucro”, avalia Leonardo, que aproveita muitas sugestões dos próprios funcionários, que são recompensados financeiramente pelas boas ideias aplicadas dentro da empresa. “É uma via de mão dupla: a empresa cresce e os funcionários também”, conclui.