logo paraiba total
logo paraiba total
[gtranslate]

Especialista mostra que após ressaca de crédito, consumidor deve evitar empréstimo

21 de março de 2015

Dados recentes da Serasa e do SPC Brasil apontam uma perda de apetite pelo crédito e uma menor disposição do consumidor em assumir dívidas. Segundo a Serasa Experian, a demanda por crédito caiu 2,5% em janeiro e recuou 10,7% em fevereiro. Na comparação anual, aumentou apenas 0,9%, quando a média dos últimos anos era de crescimento de 5% em 12 meses.

Segundo o SPC Brasil,  as consultas para vendas a prazo (indicador que funciona como um termômetro de intenção de compra) recuou pelo segundo mês consecutivo, em fevereiro ao cair 4,83% ante janeiro (-28,85%). 

Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, explica que os bancos cobram taxa de juros maior porque o risco de inadimplência está crescendo, apoiado em outros indicadores, como o pessimismo do consumidor, do empresário, com a insegurança em relação ao emprego. “Muitos setores fazem um movimento de demissão ou utilizam mecanismos que reduzam custos. A tendência é que ao longo deste ano a indústria, principalmente de bens duráveis, dê férias coletivas, reduza jornadas de trabalho, corte horas extras, tudo em um esforço para não demitir, o que também gera custos. Isso tem impacto na renda, na liquidez e na expectativa de quem emprega, compra ou vende”, explica Marcela.

O índice de Intenção de Consumo das Famílias, verificado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), atingiu em março o menor nível da série histórica iniciada em janeiro de 2010, ao registrar quedas de 6,1% em relação a fevereiro e de 11,9% em relação a março de 2014. O indicador fechou março em 110,6 pontos e permanece ainda acima da zona de indiferença (100 pontos), indicando um nível ainda favorável.

O economista da Serasa afirma que os bancos e instituições financeiras nunca perdem. “Eles ganham de qualquer jeito, mas com crise e elevação do produto do juro, parecem que vão bem neste momento” diz Rabi, da Serasa Experian. Para oo economista, o mais aconselhável é o consumidor não se endividar agora, pelo contrário deve poupar até que a economia volte a ganhar confiança. “O único financiamento que vale ser feito nesse momento é o da casa própria. Isso quando for possível trocar a parcela do financiamento pelo aluguel. Não é  hora para comprar um imóvel apenas para investimento. Os juros não favorecem esse tipo de investimento”, explica Rabi.

Marcela Kawauti, da SPC Brasil, explica que é preciso analisar o crédito hoje considerando não apenas as dívidas em atraso dos bancos (credores de 50% dos inadimplentes), mas também as dívidas do comércio, que representam 20%, inadimplência puxada principalmente pelos crediários e financiamentos diretos disponíveis no varejo.

“Os bancos estão sendo mais cuidadosos na hora de conceder crédito e o consumidor não está assumindo dívidas para comprar linha branca, carro, moto com prazos longos. Essa falta de disposição ou condição para a compra retrai também o crédito no comércio e na indústria, na venda de bens em geral, e provoca um efeito na cadeia produtiva, com setores industriais passando por um momento difícil. Junta-se a isso o empresário sem confiança ou estímulo para investir e temos essa estagnação da atividade”, analisa Marcela.

Para Marcela, a melhora sistêmica começou a ser embasada agora e só vai melhorar em meados de 2016. “Quando o ciclo de ajuste fiscal e monetário acabar, deve melhorar confiança. Ainda estamos no meio do ciclo. O ajuste fiscal [uma série de medidas para reduzir de despesas do governo] nem passou no Congresso. O ajuste monetário [elevação da taxa de juros] já começou, mas o impacto demora de 8 a 9 meses. Tudo isso contribui para dizer que nesse ano o crédito não vai voltar a impulsionar a economia. A melhora começa só no ano que vem e não vai ser no começo do ano”, podera Marcela.

A economista-chefe do SPC Brasil explica que a inflação no País não é só de demanda. “A inflação tem a ver com reajuste de preços administrados que estavam represados (luz, gasolina) e foram reajustados agora. A produtividade baixa também eleva os custos de nossos produtos. Em resumo, nossa inflação é estruturada e por isso é resistente. Leva tempo e demanda ajustes para recuar.” Marcela afirma ainda que o impacto do dólar na cadeia também prejudica. “Não sabemos até onde vai o preço da moeda hoje. É um risco adicional e está presente em vários componentes da indústria.”