Microempresas lideram geração de empregos formais em 2012 na PB
17 de outubro de 2012
As microempresas de até quatro funcionários são destaque na Paraíba quando o assunto é geração de empregos formais este ano. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), consolidados pelo Sebrae nacional, mostram que essas empresas geraram um saldo de 11,968 mil postos no acumulado de janeiro a agosto deste ano. O saldo englobando todos os portes de empresas até agosto na Paraíba gerou um saldo de 7,052 mil postos. Nos oito meses, essas microempresas registraram geração de vagas positiva. Os meses de maio (2.400) e agosto (1.774) tiveram os maiores picos no ano de empresas com até quatro funcionários.
Com a inclusão das micro e pequenas empresas (MPEs) na Paraíba de até 99 funcionários, o saldo cai para 9,787 mil vagas geradas. Já as médias e grandes empresas (MGEs) acumularam ainda um saldo negativo até agosto de 2,705 mil postos.
O resultado foi visto com naturalidade pela analista do Sebrae Paraíba, Bera Wilson, que atribui a grande quantidade de empregos gerados pelas MPEs à sua predominância em todo o Estado. “Temos um volume maior de micro e pequenas, que representam entre 98% e 99% das empresas paraibanas. Dessa forma, a lógica é que boa parte da mão de obra vá mesmo para esses pequenos negócios”, destacou.
A divulgação do sistema de Empreendedor Individual (modalidade de negócio caracterizada pelo faturamento máximo de R$ 60 mil por ano) também é lembrada como um dos fatores primordiais que têm alavancado a geração de emprego e de renda no Estado. “Muitos pequenos negócios estão se formalizando, o que eleva o número de vagas. Infelizmente, não temos um número significativo de grandes empresas e quem absorve a mão de obra são as pequenas”, disse.
“As empresas maiores não conseguem crescer num ritmo tão acelerado, pois a economia paraibana é formada quase que inteiramente por MPEs. Venho percebendo uma ascensão vertiginosa de pequenos mercadinhos e supermercados médios de bairros, salões de beleza, empresas de recreação, entre outras, fato que também está associado ao maior poder aquisitivo das classes C, D e E atualmente, principais clientes desses estabelecimentos. Além disso, as MPEs têm maior facilidade de se adaptar ao mercado”, ressaltou a gerente de Unidade de Gestão Estratégica do Sebrae, Ivani Costa.
Líder nas contratações deste ano, as empresas com até quatro funcionários como a Blosson Ville, loja que trabalha com venda de cosméticos e perfumes, fez uma contratação este ano.
"Normalmente são duas funcionárias na loja, mas estava sozinha desde o ano passado. A dona demorou para contratar outra pessoa por causa da correria do final do ano, mas isso acabou sendo possível em março”, explicou uma das vendedoras, Emília Ferreira.
Apesar das pequenas empresas de 20 a 99 funcionários acumularem um saldo negativo este ano (-607), a loja Sport Line foi uma das exceções nas estatísticas e realizou contratações.
Com 23 funcionários, a loja especializada em material esportivo abriu três novas vagas para colaboradores no mês de maio, em virtude do aumento da demanda.
“A procura é maior no começo do ano, principalmente por causa da compra de uniformes para as escolas, por isso a empresa tem sempre que aumentar a equipe. Eu e mais dois funcionários fomos chamados por essa razão”, resumiu a vendedora Josicléa dos Santos.
Médias e grandes mudam tendência em agosto na PB
Apesar da supremacia evidente das micro e pequenas empresas durante os primeiros oito meses do ano, os resultados do mês de agosto inverteram a tendência do ano. Segundo dados do Caged, as médias e grandes ajudadas pelas vagas sazonais das usinas de etanol e açúcar da Região Metropolitana de João Pessoa geraram 67,87% das vagas no mês de agosto, abrindo 5,329 mil postos na Paraíba. Já as micro e pequenas empresas foram responsáveis por apenas 32,13% (2,522 mil) do total de 7,851 mil postos gerados por todas as empresas naquele mês.
Para Bera Wilson, o início da safra da cana-de-açúcar pode ser apontado como um dos motivadores para o aumento das contratações no mês de agosto. “Temos que observar o cenário da economia paraibana, quais setores estão arrecadando mais ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços], entre outros fatores.
Já a gerente Ivani Costa ressalta também o crescimento do setor da construção civil na Paraíba. “Pode ser um reflexo da ascensão da indústria da construção nos últimos meses. Tem também a questão das contratações temporárias para este fim de ano, que já começaram”, explicou a gerente.
Conforme o levantamento, os setores de indústria de transformação (4,617 mil), agropecuária (1,723 mil) e serviços (701) lideram em empregos gerados tanto em MPEs como em MGEs. Do saldo de 7,851 mil postos criados na Paraíba em agosto deste ano, 67,8% vieram das médias e grandes, enquanto as micro e pequenas ficaram com uma participação de 32,2%.