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“Os empresários necessitam aprimorar os estabelecimentos para torná-los melhor apresentáveis ao consumidor”

28 de novembro de 2014

Com o intuito de contemplar os profissionais do setor que mais se destacaram pela qualidade do seu trabalho em 2014, o Sindicato de Farmácias em João Pessoa (Sindifarma JP) realiza o Prêmio Business do Mercado Farmacêutico Paraibano. A solenidade, que reconhece vencedores em diversas categorias do segmento, acontece no dia 5 de dezembro, às 19h, no Clube dos Médicos, na Capital.

Com cerca de 200 associados, o  Sindifarma JP quer manter sua credibilidade no setor e ampliar sua atuação, segundo o presidente da entidade, Herbert Almeida. Em entrevista ao Paraíba Total, ele avalia o mercado no Estado, especialmente sobre a sobrevivência dos pequenos estabelecimentos frente à vinda das grandes redes e o cumprimento das lei destinadas ao segmento, como a exigência de um farmacêutico nas drogarias e a opção de vender além de remédios. “Os principais desafios dos associados é que eles estão hoje necessitando de aperfeiçoamento em suas empresas para torná-las melhor apresentáveis e agradáveis ao consumidor, como também qualificar seus colaboradores, para uma maior presteza de serviço no atendimento”, disse à reportagem. 

Sobre o auxílio do sindicato ao associados, Herbert Almeida explica que o Sindicato tem investido na capacitação contínua. “Hoje temos um departamento para acompanhar toda a legislação, todo o processo de renovação de alvarás da Vigilância Sanitária e da Anvisa. Estamos buscando a união da categoria, investindo em educação continuada. Isso é uma semente para o crescimento geral”, explicou.

A entrevista completa pode ser conferida abaixo.

Qual a missão do Sindifarma? Como acontece sua contribuição para o desenvolvimento da Paraíba?

Não atuamos apenas na convenção coletiva e na legislação, mas sim para melhorar constantemente os empresários do segmento. Pegamos na mão do empresário para que ele tenha segurança e não caminhe só. Para isso, nós temos grandes parceiros como a Fecomércio e o Sebrae, que nos proporcionam condições de logística, com arquitetos, em layoutização, treinamentos e especializações dentro da área de Marketing e de Administração, além do Sesc/Senac. Então, nossa contribuição direta é nesse sentido, de caminhar auxiliando os nossos associados, principalmente os pequenos, para que os mesmos não sejam engolidos pelo mercado. Ou seja, a nossa grande missão é fortalecer os empresários do ramo.

Quais os principais desafios dos associados e como a entidade tem auxiliado para contorna-los?

Os principais desafios dos associados é que eles estão hoje necessitando de aperfeiçoamento em suas empresas para torná-las melhor apresentáveis e agradáveis ao consumidor, como também qualificar seus colaboradores, para uma maior presteza de serviço no atendimento. O setor necessita aprimorar os estabelecimentos para uma maior presteza de serviço no atendimento. Hoje temos um departamento para acompanhar toda a legislação, todo o processo de renovação de alvarás da Vigilância Sanitária e da Anvisa. Estamos buscando a união da categoria, investindo em educação continuada. Isso é uma semente para o crescimento geral. Estamos sempre em processo de construção de ações do segmento para desburocratizar a legislação. Nossas ações são constantes e sempre colocando a sociedade como coparticipante para garantir nossa credibilidade.

Quantas farmácias integram a entidade aqui na grande João Pessoa? E quais os critérios para ingressar?

Hoje temos em torno de quase 200 associados, que aumentamos nos últimos dois anos de minha gestão. Pela nossa presteza de serviço, temos atraído associados constantemente. Nossa receita e despesa estão disponíveis no nosso site. Com toda transparência, estamos crescendo.

 Como o senhor tem observado o mercado farmacêutico na Paraíba? Está dentro da realidade do Nordeste e do País?

Estamos sim, com certeza. O empresário associado inclusive tem sempre que estar antenado e oxigenando a legislação. Hoje alguns pequenos empresários paraibanos estão se tornando farmacêuticos. Por isso, ele precisa sempre investir para se tornar mais competitivo, e o sindicato também tem auxiliado muito nesse sentido.

Qual a expectativa do Sindifarma para a segunda edição do Prêmio Business de Farmácia, que acontece em dezembro na Capital?

A expectativa é de grande sucesso. O objetivo é superar a satisfação dos empresários, funcionários e principalmente do profissional farmacêutico, que é uma peça importante no estabelecimento comercial das farmácias e drogarias. Realizamos no ano passado a primeira edição e, a cada ano, nós procuramos uma melhora significativa no evento. O Prêmio terá diversas categorias e será realizado no dia 5 de dezembro, no Clube dos Médicos, em João Pessoa.

Muitas grandes redes estão vindo para a Paraíba, como Big Ben, e mais recentemente a Drogasil. Isso é bom ou ruim para o mercado? Afeta as operações das pequenas?

Essas grandes empresas vêm se alojando em João Pessoa, evidente que estão de olho no crescimento do Estado e do Nordeste. Inclusive o governo federal fez muitas ações no Nordeste e na Paraíba no crescimento do consumo de medicamentos. Agora, não devemos ter medo do concorrente. O pequeno e médio empresário não pode se acomodar, é necessário se atualizar, se especializar, enfim, se prevenir da competitividade.

Existe uma tendência de as drogarias venderem além dos remédios. Hoje, se encontram comidas, sorvetes e até aparelhos celulares nos estabelecimentos. Qual a opinião do senhor sobre essa estratégia de vendas?

Essa foi uma conquista em 2004, por meio da lei estadual 7.668, que ajudou os pequenos empresários do setor a agregar valor, trabalhar para pagar seus impostos devidamente. E isso também é uma forma de levar comodidade ao cliente que busca cada vez mais praticidade no seu dia a dia nas drogarias e farmácias. Acreditamos que foi muito positivo para o mercado.

Existe uma lei que toda farmácia deve ter um farmacêutico. Isso tem sido cumprido pelos empresários paraibanos? Há profissionais qualificados disponíveis para este fim?

Hoje é preciso se atentar para a importância deste profissional. Evidente que nós sabemos da grande dificuldade que ainda se há para se que se tenha um profissional disponível a todo momento no estabelecimento, em função do valor para mantê-lo – o que é justo, pois ele estudou e se formou para ser bem remunerado pelo seu importante e essencial trabalho. Infelizmente as pequenas empresas, que representam em torno de 70% do segmento aqui na Grande João Pessoa, não têm condições de ter dois, três profissionais farmacêuticos para estar diuturnamente em seus estabelecimentos. Mas, é preciso, sim, que o empresário tenha essa consciência de investir tanto parte logística, quanto na parte profissional. E sabendo dessa dificuldade, em 2010, nós conseguimos abrir uma faculdade em João Pessoa para que proprietários, filhos e também integrantes das famílias de donos de estabelecimentos do segmento, pudessem ingressar nos estudos para no futuro exercer a função no empreendimento familiar. E essa tem sido a grande salvação das pequenas empresas para superar brevemente essa problemática ainda existente. Já que para se abrir e manter aberto todo e qualquer estabelecimento comercial do segmento é preciso cumprir a lei 5.991, que exige a presença de um farmacêutico profissional. E na Paraíba faltam sim profissionais, pois eles atuam nas áreas públicas, privadas, em laboratórios, hospitais, clínicas, ou seja, eles têm um leque de opções para atuar. Por isso, não são suficientes para o segmento farmacêutico, que também, segundo eles, não oferecem um salário de exclusividade de atuação.

Como o Sindifarma vê a viabilidade da atuação de técnicos da área no tocante ao auxilio nos estabelecimentos?

É uma discussão antiga. Há uma lei que reconheceu o técnico de farmácia como auxiliar do profissional farmacêutico, assim como na enfermagem há os técnicos de enfermagem e enfermeiros profissionais. Isso vai fazer com que tenhamos uma pessoa habilitada para dentro dos questionamentos que o consumidor fizer, caso o profissional de farmácia não esteja presente no estabelecimento. Isso seria o caminho para suprir essa carência dos profissionais de farmácia. E o sindicato não tem fechado os olhos sobre esse caso.

O aumento do consumo da Classe C também tem seus reflexos no setor farmacêutico? 

 Esse crescimento de consumo é fruto de ações de acessibilidade do governo federal, com a questão dos medicamentos garantidos pelo programa “Aqui tem Farmácia Popular”, onde a população de qualquer poder aquisitivo tem acesso aos medicamentos dentro do programa, com fornecimento gratuitos de medicamento para hipertensão, diabetes e demais produtos de custo mínimo. Isso deu uma otimização das vendas, e as classes C e D tiveram também acesso ao medicamento de forma racional.

Quais os projetos do Sindifarma para 2015?

Anualmente, fazemos nossa prestação de contas aos nossos associados que pagam em dia e querem ver resultados, investimentos e avanços. Então, este ano o nosso avanço foi na questão do processo pedagógico, do ensino para o empresário e do ensino para os atendentes de farmácia, onde abrimos um mini auditório, dedicado ao nosso ex e primeiro presidente, Assis Lima. Em 2015, atuaremos nesse crescente. É pouco o que temos, mas já mostra nosso empenho e compromisso com os associados.