“O momento é de avaliar o impacto dos programas e projetos educacionais e vislumbrar perspectivas de crescimento com responsabilidade”
6 de outubro de 2014
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba tem um novo reitor. Doutor em Letras, o paraibano Cícero Nicácio ingressou no IFPB como Técnico Administrativo, em João Pessoa em 1993, quando ainda era Escola Técnica Federal, e logo depois, passou a lecionar a disciplina Língua Portuguesa. Com 15 anos de experiência em gestão acadêmica e administrativa, onde já ocupou as funções de Coordenador de Comunicação e Expressão da Direção-Geral do antigo CEFET-PB e do Campus de Campina Grande, Nicácio conversou com o Paraíba Total sobre a entidade, o mercado de trabalho e o cenário educacional brasileiro. “Temos um horizonte muito auspicioso pela frente, há indicadores muito forte que o ensino superior tem crescimento bem, sobretudo a pós-graduação”, comentou o novo reitor, durante a conversa.
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), conta com quase 27 mil alunos, matriculados em mais de 50 cursos, distribuídos nos seus 10 campi no Estado em funcionamento, e que são muito bastante requisitados no mercado de trabalho, com ênfase nas áreas de Tecnologia e Informática. “Os nossos estudantes são disputados pela rede e ao serem formados eles são procurados permanentemente. Então, o preparo técnico, a qualificação, a habilidade dos nossos estudantes, formado por uma série de aptidões, forma um perfil muito procurado pela cadeia produtiva nas mais diversas áreas”, destacou ele.
Abaixo, os principais trechos da entrevista.
O senhor assumiu a reitoria do IFPB em 13 de agosto. Quais são as suas principais metas de gestão?
Nossos planos são muitos. Inicialmente iremos fazer uma diagnose da implementação das políticas públicas em todas as áreas temáticas de ensino, pesquisa, extensão e gestão pública, e a partir desta diagnose que estamos dando sequenciamento aos processos e programas que estão em curso. Nossa orientação é para que não sofram descontinuidade para que a partir desse impacto não haja nenhum efeito negativo. Nossa orientação é para que nos estabeleçamos as premissas que prefiguramos na nossa campanha, ou seja, estabelecer um interlocução permanente com a comunidade, fazer uma expansão segura, identificar as fragilidades dentro dessa expansão e tendo, sobretudo, o propósito que tenhamos estabilidade no crescimento, uma vez que a instituição está atravessando um momento de muito crescimento. Então precisamos buscar o ponto de equilíbrio entre o crescimento e a sustentabilidade, preservando o padrão de qualidade do nosso ensino e serviços.
Qual será o diferencial da sua gestão nesses próximos quatro anos?
Pretendo levar a todos os campi do Instituto ao longo desses próximos quatro anos, o que levei enquanto estive à frente do campus de Campina: a humanização da gestão. Pois, precisamos reconhecer os direitos e deveres dos servidores para que se sintam humanamente acolhidos. Antes de sermos um espaço de tecnologia, somos espaços de seres humanos, que tem sangue nas veias e emoções, e o gestor não pode se descuidar deste aspecto.
Como é o IFPB em números atualmente?
Nós temos hoje quase 27 mil matrículas disponibilizadas nos nossos sistemas, tendo abrangência sobre todas as modalidades, tanto dos cursos técnico e superiores, como pós-graduação. Temos quase dois mil servidores entre professores e técnicos-administrativos, somos 15 unidades, sendo dez consolidadas e em pleno funcionamento, e cinco em vias de implantação, com procedimentos licitatórios, como é o caso de Itabaiana, e de construção como o de Esperança, além de Catolé do Rocha, Itaporanga, outros campi avançados com cursos da formação inicial continuada, e Pronatec, como é caso de Pedra de Fogo, Areia e o do Mangabeira, além de Soledade e Santa Luzia. Nós temos hoje mais de cinco dezenas de cursos, que tem uma amplitude de técnicos e superiores. E nossa orientação é para que nós preservemos a nossa identidade, nossa essência que é o curso técnico. E nossa meta é de ampliar esses cursos técnicos para acompanhar o ritmo da nossa expansão e o ritmo de aumento da composição do nosso quadro de pessoal.
Como anda o ensino, a pesquisa e a extensão oferecidos pelo IFPB? E como o senhor analisa a qualidade do Instituto nessas áreas perante a oferecida pelas demais instituições de ensino superior e técnico dos outros estados do nordeste e do país?
Eu acho que nós estamos em uma posição interessante. Logicamente que temos pontos fortes e temos também algumas venerabilidades, mas estamos bem posicionados na rede geral. O instituto desfruta de ótimo conceito, nos temos uma comunidade bastante comprometida com o interesse público, muito determinada ao cumprimento de sua missão social, as políticas afirmativas, de inclusão social elas são dedicadamente executadas, de modo que os indicadores apontam pra uma posição de respeito. Agora, naturalmente, temos que ter a humildade de reconhecer que precisamos avançar sempre em todas as áreas e reconhecer que temos que temos alguns problemas, que temos de diagnostica-los e buscar ações e intervenções de resolutividade com bastante segurança, para potencializar a nossa posição de qualidade.
Atualmente tem crescido em que percentuais a procura na Paraíba pela educação superior e a qualificação profissional em função da exigência do mercado de trabalho? Na sua opinião a que se deve essa preferência?
A procura é incessantemente crescente, nos temos os nossos dados nos nossos indicadores, nos nossos levantamentos institucionais e eles apontam claramente que essas demandas são progressivamente crescentes e isso, demonstra uma credibilidade, uma confiabilidade da nossa comunidade, que naturalmente, também apontam um aumento da responsabilidade e instituição de continuar nessa rota de busca da qualidade. Se fizermos um procedimento analítico, podemos verificar que a cada ano subimos um patamar a mais na procura. E isso sinaliza claramente para esse aspecto da confiança, naturalmente pelo contingente populacional também, que aponta para uma crescente nesse universo que está sendo absorvido, mas também para isso aumenta o percentual da nossa responsabilidade em atender essas expectativas.
Em sua opinião os alunos do IFPB têm sido bem aproveitados no mercado de trabalho da Paraíba? E os cursos que a instituição oferece estão dentro das exigências e das potencialidades de trabalho que têm o Estado?
Eu tenho a alegria de afirmar, e não é de hoje que, desde outros tempos atrás a nossa instituição vem abastecendo, digamos assim, o mercado de trabalho, continuamente. Os nossos estudantes, eles são disputados pela rede e, ao serem formados, são procurados permanentemente. Então, as empresas disputam os estudantes egressos, ao ponto que, os nossos cadastros, eles alimentam o mercado produtivo, as empresas buscam a instituição. Então o preparo técnico, a qualificação, a habilidade dos nossos estudantes, formado por uma série de aptidões, forma um perfil muito procurado pela cadeia produtiva nas mais diversas áreas. E os nossos cursos, são concebidos a luz das demandas ensejadas por esse mesmo mercado de trabalho. Agora, nos sempre enfatizamos que a instituição tem o intuito de formar apenas técnicos e tecnólogos competentes para acessar a empregabilidade, o espaço da absorção do emprego, mas também formar cidadãos que sejam transformadores da sociedade, que sejam críticos, reflexivos e analíticos e se posicionem de modo a problematizar a dinâmica dos fenômenos sociais, e acima de tudo competentes em suas habilitações e habilidades.
Como andam os projetos expansão do IFPB, em termo de estrutura física (campi) e no ensino (mais cursos e pós)? Quais os principais focos para essas áreas?
O instituto está crescendo muito. Temos cursos mais antigos, que precisamos fazer novos investimentos, adotar melhorias e expansão de laboratórios, e temos aqueles mais novos que precisamos angariar recursos para expandir também equipamentos físicos como restaurantes, espaços esportivos, gabinetes médicos-odontológicos, e precisamos fazer continuamente a contratação de pessoal, pois não pode haver uma disparidade entre a expansão física a quantidade de pessoal, pois essas demandas são ensejadas pela expansão que é contínua. Então, nos campi mais antigos precisamos fazer intervenções e temos os mais novos que precisam de investimentos e de contratações, de modo que nós temos que fazer os investimentos de acordo com o perfil de temporalidade desses campi.
Como o senhor avalia o mercado de ensino na Paraíba? Há espaços para mais universidades e faculdades públicas e privadas?
Antes de pensar numa expansão, nós precisamos parara para refletir sobre a rede que nos criamos e que estamos atualmente. Nós estamos chegando a 20 unidades no instituto, num raio de 50 quilômetros quadrados, já é possível identificar uma representação do nosso instituto federal em toda a malha territorial do Estado da Paraíba, isso aponta para um grande esforço que o Governo Federal vem empreendendo para dotar a Paraíba, no Estado em particular, e o país como um todo de uma rede que tenha capilaridade e que haja intervenção do aparelho estatal nas mais diversas localidades implementadas. Então, a rede hoje substantivamente, é instalada, o que se precisa é pensar em suas políticas públicas, na sua manutenção e elevação contínua da qualidade. Então, vejo que a expansão deve acontecer dentro desse parâmetro de qualidade e de plenas condições de trabalho da equipe de técnicos, dos educadores, do bem-estar dos nossos estudantes. Desse modo o momento é de observar, de fazer uma diagnose da essencialidade das políticas públicas, o impacto dos programas e projetos educacionais, dos métodos e práticas de procedimentos com um único foco, oferecer à sociedade eficiência na prestação de serviços educacionais de qualidade e naturalmente vislumbrar perspectivas de crescimento dentro da lógica, com muita responsabilidade.
O setor de educação pública é muito concorrido, e ao mesmo tempo ainda carente de investimentos. Que diferenciais o IFPB adotou para enfrentar essas dificuldades e se manter uma das melhores instituições de ensino do Estado e até mesmo da região?
O primeiro plano foi otimizar a aplicação dos recursos públicos. Nós precisamos e temos procurado fazer esse esforço. Descentralizar ações. O instituto, tem demonstrado historicamente que tem uma percepção sensível para implementar ações nas políticas de inclusivas, aí nos temos vários exemplo como o Mulheres Mil, o Pronatec, o Proeja, o Certifique, ações de extensões focadas na potencialização do desenvolvimento regional, a interface com os movimentos sociais, com entidades governamentais e não-governamentais, mas sobretudo, a preocupação com a instrumentalização do nosso acervo de capacidade instalada, ou seja, a grande imagem de respeito que criamos ao longo do tempo, a que agregamos a nossa reputação institucional, ela foi galgada a partir dessa preocupação de ter uma ensino de qualidade, que ponha em prática a convergência harmoniosa entre a prática e a teoria, além de agregar valor a praticidade, valorizando também o aspecto cognitivo e o lúdico. Isso é o nosso diferencial e que aponta para vanguarda da instituição, que também é ver e trata como respeito o nosso alunado, pois vislumbra esse alunado como um agente que vai administrar o nosso país no futuro.
Na sua visão, quais são as perspectivas para o ensino superior na Paraíba nos próximos anos e como o IFPB se projeta nesse contexto?
Essa concepção analítica que dedicamos nessa entrevista ao ensino técnico, ela também se aplica ao ensino superior. As universidades também atravessaram um estágio de crescimento sem precedente na rede. O ensino superior teve também um grande investimento e uma grande expansão e precisa também fazer uma retroalimentação analítica de seus projetos e programas e identificar as suas potencialidades e fragilidades. Pois, temos um horizonte muito auspicioso pela frente, há indicadores muito forte que o ensino superior tem crescimento bem, sobretudo a pós-graduação, onde nós temos uma multiplicação de cursos de pós e de graduação, de mecanismos de fomento de pesquisa aplicada em diversas áreas, também o Prouni que é oportunidade dos estudantes terem o contato com outras culturas, com outros países, enfim, temos avançado bastante, mais precisamos avançar cada vez mais. E para isso, é preciso que o ministério promova essa continua retroalimentação analítica dos seus programas para continuarmos avançando.