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Sonho da casa própria perde força entre os mais jovens e 82% preferem morar de aluguel, destaca pesquisa

9 de novembro de 2020

Na história das epidemias pelo mundo, é fato que elas contribuíram para mudanças de comportamento na economia e na forma de trabalhar, destituindo impérios e alterando modelos econômicos. A atual crise pandêmica que a sociedade tem vivido, segundo especialistas, deverá ditar um novo marco no mundo, com impactos diretamente nos aspectos culturais, sociais e sustentáveis, além da nova forma de trabalho, com modelos híbridos que se beneficiem da transformação digital adotada, compulsoriamente, pelas empresas.

Temas mais complexos, como formas de habitação e uso de transporte públicos também fazem parte das mudanças que podem ocorrer em um futuro próximo, levando gestores das cidades a trazerem soluções eficientes para se prevenir de uma nova pandemia. Mas como será a sociedade global depois que tudo isso se normalizar? Embora ainda seja cedo para cravar, alguns grupos já discutem como determinados setores irão se comportar, principalmente o imobiliário. Esse tema faz parte do Projeto Moradia no Mundo Pós-Pandemia, que se trata de um think tank que reúne professores e intelectuais do Brasil e faculdades internacionais, para debater tendências na sociedade civil.

“Uma pesquisa foi encomendada pelo projeto junto ao Instituto de Pesquisas Sociais Políticas e Econômicas (IPESPE), em fevereiro deste ano, e foi identificado que 55% das pessoas aceitavam morar em imóveis de acordo com a fase de vida, mudando conforme o momento que vivia. Voltamos a campo para saber se este comportamento continuava após a pandemia e nos surpreendemos com o aumento de cinco pontos percentuais (60%), além de novos dados”, explica Leão Serva, um dos idealizadores do projeto.

Enquanto mais de 70% dos entrevistados dizem gostar desta fase de home office, o número de pessoas interessadas em trabalhar próximo ao local de trabalho ou estudo, disparou de 38% para 57%, um aumento de 50% em relação à pesquisa anterior. “Já vínhamos acompanhando, nos últimos dez anos, que o brasileiro tem buscado meios alternativos de se locomover nas cidades, ao invés de usar transporte público. Essa nova informação, além de reforçar o que já sabíamos, também deixa um alerta para os gestores na confiança no uso do transporte público nas cidades. Além de maior qualidade de vida, trabalhando ou estudando perto de casa, as pessoas também querem mais segurança sanitária”, analisa Serva.

O compromisso em morar em um local fixo por anos ou de aluguel por, no mínimo, 24 meses, parece estar enfraquecendo na sociedade. De acordo com o estudo, o desapego por um imóvel já atinge 62% dos entrevistados e 63% dos que já admitem morar de aluguel com contrato flexível ao invés de comprar um imóvel. Enquanto as gerações boomers (nascidos entre os anos 1940 e 1960) e X (nascidos entre 1960 e 1980) prezavam pelo sonho do imóvel próprio, jovens entre 16 e 24 anos (82%) querem fugir da responsabilidade de financiar uma casa ou apartamento por até 30 anos.

“O estudo deixa evidente que a opção de moradia como serviço é um caminho sem volta para o setor imobiliário”, conclui.