Grande explosão atinge Beirute e deixa ao menos 10 mortos, na tarde desta terça (4)
4 de agosto de 2020
Uma grande explosão atingiu na tarde desta terça (4) a cidade de Beirute, capital do Líbano, levantando bolas de fogo e colunas de fumaça gigantescas e afetando construções a quilômetros de distância.
Segundo autoridades locais, o incidente deixou ao menos dez mortos, além de centenas de feridos. Paredes de prédios foram destruídas, janelas quebraram, carros foram virados de cabeça para baixo e destroços bloquearam várias ruas, forçando feridos a caminhar em meio à fumaça até hospitais.
Ainda não se sabe ao certo o que motivou a explosão e se outras aconteceram na cidade.
Duas fontes de segurança e a agência de notícias estatal NNA afirmam que a origem da explosão, na área portuária da cidade, onde ficam diversos armazéns, foi num depósito de explosivos que estava pegando fogo —não há informação se o incêndio foi proposital e qual tipo de explosivo havia no local.
O governo decretou um dia de luto nacional na quarta-feira e o presidente Michel Aoun convocou uma reunião de emergência do Conselho Superior de Defesa.
Segundo testemunhas, as explosões foram ouvidas até na cidade costeira de Larnaca, no Chipre, a cerca de 200 km da costa libanesa.
A TV Al Arabiya noticiou explosões por toda a cidade e afirmou que uma delas teria ocorrido perto da residência do ex-premiê Saad Hariri. A informação não foi confirmada oficialmente. Ele postou uma foto em uma rede social logo após as explosões, indicando que está bem e que não ficou ferido.
Georges Kettaneh, presidente da Cruz Vermelha Libanesa, se referiu a “centenas de feridos” em um comunicado na televisão libanesa LBC e disse que muitas pessoas continuam presas em casas atingidas pelo fogo. Alguns estão sendo resgatadas por barcos. “Estamos sobrecarregados pelos telefonemas”, disse.
Segundo a TV libanesa LBCI, um dos hospitais da cidade está tratando mais de 500 feridos e não tem capacidade para receber mais ninguém. Dezenas deles precisam de cirurgia.
Na frente de outro centro médico, dezenas de feridos, incluindo crianças, algumas cobertas de sangue, esperavam para serem admitidos, segundo a AFP.
Um grupo de bombeiros que atuou no local “desapareceu” em meio às chamas, informou o dirigente do porto de Beirute à Sky News.
A área portuária foi isolada pelas forças de segurança, que só permitem a passagem de agentes da defesa civil, ambulâncias e caminhões de bombeiros.
Nas proximidades do porto, os danos e a destruição são enormes.
A mídia local transmitiu imagens de pessoas presas em escombros, algumas cobertas de sangue.
“Os prédios estão tremendo”, tuitou um morador da cidade, dizendo que “todas as janelas do (seu) apartamento explodiram”.
“Vi uma bola de fogo e fumaça sobre a cidade. As pessoas gritavam e corriam, sangrando. Varandas foram arrancadas dos prédios. Vidros de prédios altos caíram nas ruas”, disse uma testemunha à Reuters.?
A fragata brasileira Independência, nau capitânia da Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), não estava no porto de Beirute na hora da explosão, mas no Mediterrâneo, patrulhando a região.
A embarcação leva cerca de 200 marinheiros. A Unifil foi criada em 2006 para verificar a retirada israelense do sul do Líbano e evitar o contrabando de armas por via marítima, após um dos inúmeros embates entre as duas partes nas últimas décadas.
Ela foi a primeira força da ONU a contar com uma missão naval, que é comandada pelo Brasil desde 2011.
Até agora, não houve relato de brasileiros feridos. O Líbano tem uma grande comunidade com relação com o Brasil: há mais descendentes e parentes de libaneses em solo brasileiro (entre 7 e 10 milhões) do que libaneses no país de origem (7 milhões).
O porta-voz da ONU Farhan Haq disse a jornalistas que não se sabe se a explosão foi acidental ou provocada e que não há indicação de feridos entre os funcionários da organização.
O Pentágono declarou que os EUA estão cientes do ocorrido e “preocupados com a perda potencial de vidas devido a essa explosão tão massiva”.
Uma fonte do governo de Israel disse à Reuters que o país não tem nada a ver com a explosão. O ministro do Exterior Isralense, Gabi Ashkenazi, afirmou a uma TV local que a explosão foi provavelmente um acidente causada por um incêndio.
O Líbano atravessa sua pior crise econômica em décadas, marcada por depreciação monetária sem precedentes, hiperinflação, demissões em massa e restrições bancárias drásticas, que alimentam há vários meses o descontentamento social.?