Consumo das famílias cresce após 9 trimestres
4 de setembro de 2017
Milhões de brasileiros voltaram às compras no segundo trimestre do ano, tirando o consumo das famílias do vermelho. A alta de 1,4% em relação ao primeiro trimestre de 2017 interrompe uma sequência de nove trimestres sem avanços. Na comparação com o segundo trimestre de 2016, o avanço foi de 0,7%, a primeira alta também em nove trimestres.
“O crescimento (do PIB) foi puxado por serviços e consumo das famílias”, afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Rebeca lembrou que o desempenho do consumo foi impulsionado por uma conjunção de fatores positivos, como arrefecimento da inflação, melhora no crédito, aumento da massa salarial e liberação de saques do FGTS inativo. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o resultado foi positivo, mas não surpreendente.
Preocupação. “Mas, quando a gente olha para a frente, dá uma preocupação. Está havendo claramente um descasamento de consumo e investimentos. Qualquer repique cambial – o que pode acontecer com a aproximação das eleições, especialmente por conta de pesquisas de intenção de votos – pode trazer de volta as preocupações inflacionárias. Se isso acontecer, o comércio volta a sentir de novo”, alertou Fabio Bentes, chefe do Departamento Econômico da CNC.
Após o resultado divulgado, a CNC elevou sua estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2017 de 0,6% para 0,8%. Mesmo que a economia não cresça na segunda metade do ano, apenas os avanços do primeiro semestre já seriam suficiente para garantir uma alta de 0,5% em 2017, calculou Bentes.
Para o gerente de novos negócios do instituto Data Popular, Eduardo Laurenciano, apesar da melhora em fatores como inflação e juros, o consumidor continuará se pautando pela lógica da compra inteligente, sem excessos. Isso porque, mesmo com mais renda circulando, ainda há receio, por exemplo, em relação à situação do mercado de trabalho. “A influência das expectativas é muito forte. Embora o consumo tenha melhorado, ainda não vai decolar. Ninguém vai sair comprando loucamente”, disse Laurenciano.
“O resultado do PIB tem uma leitura relativamente boa. Tem efeito que é temporário do FGTS, mas é muito mais que isso. Há fundamentos”, disse o economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Melo.