ICVA registra retração de 4,9% para o varejo em setembro
17 de outubro de 2016
A receita de vendas do comércio varejista registrou retração de 4,9% em setembro em relação ao mesmo período de 2015, depois de descontada a inflação que incide sobre a cesta de setores do varejo ampliado. É o que aponta o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), divulgado nesta segunda-feira (17). Em agosto, o índice havia registrado queda de 6,2%.
O mês de setembro teve pouco impacto de efeitos de calendário, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Removendo estes efeitos, o índice teria registrado queda de 5,1%, mesmo número de agosto, também ajustado no mesmo conceito. Os números indicam, portanto, estabilidade no ritmo do varejo ampliado em relação ao mês anterior.
Em termos nominais, o indicador mostra alta de 4,1% em setembro contra um ano antes, patamar maior em relação ao apurado em agosto (+3,7%). Descontados os efeitos de calendário, o índice nominal aponta alta na receita de vendas do varejo em 3,9% na evolução anual.
Inflação
A inflação no varejo, ajustada ao mix e pesos dos setores que compõem o ICVA, registrou alta de 9,4% em setembro no acumulado dos últimos 12 meses. O número mostra desaceleração em relação aos 10,5% registrados em agosto, puxada principalmente pelos setores de Alimentação e Bebidas e Transportes.
Vale ressaltar que a cesta de compras no varejo ampliado não inclui itens como energia elétrica, aluguel e condomínio, que são contemplados no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Este último registrou alta de 8,5% no acumulado dos últimos 12 meses (inferior aos 9,0% computados em agosto).
Setores
A maioria dos setores que compõem o ICVA apresentou retração em setembro sobre um ano antes. E, de modo geral, houve pouca variação de desempenho em relação ao mês de agosto, reforçando um quadro de estabilidade na passagem mensal.
Dentro do bloco que representa os bens não-duráveis, os setores deSupermercados e Hipermercados e Postos de Combustível desaceleraram novamente de um mês para o outro. Os demais segmentos deste grupo – tais como Cosméticos, Drogarias e Varejo Alimentício Especializado – registraram aceleração no desempenho do mês.
O grupo de setores de Serviços, apesar de continuar apresentando retração, novamente ficou acima da média do varejo em setembro. Entre eles, Turismo e Transporte demonstrou aceleração em relação ao mês de agosto. Já o setor deRecreação e Lazer foi o que mais desacelerou no último mês, dado o efeito comparativo em relação a agosto, período em que foi realizada a Olimpíada no Rio de Janeiro. Alimentação em Bares e Restaurantes também desacelerou na passagem mensal.
Por fim, o conjunto de setores de bens duráveis e semiduráveis continua com a retração mais acentuada. O setor que mais desacelerou no mês foi Móveis, Eletroeletrônicos e Lojas de Departamento. Já Vestuário e Materiais para Construção voltaram a acelerar neste grupo, apesar de ainda apresentarem retração ano contra ano.
Regiões
Embora ainda registrem comportamento negativo, em setembro todas as regiões brasileiras tiveram uma leve recuperação no varejo em relação ao patamar de agosto, medida pelo ICVA deflacionado.
As regiões Norte e Nordeste apresentaram, respectivamente, queda de 9,4% e 5,0%. O varejo ampliado no Sudeste teve retração de 4,7% no período, seguido pelas regiões Centro-Oeste e Sul, com baixas de 4,6% e 2,9% respectivamente.
Pelo ICVA nominal, que não considera o desconto da inflação, a região Sul registrou alta de 6,6% e o Nordeste cresceu 4,1% na comparação com setembro de 2015. Já as regiões Sudeste e Centro-Oeste apontaram altas de 3,9% e 3,8%, respectivamente. Ainda pelo mesmo conceito, a região Norte computou crescimento de 0,5% no mês.
Terceiro Trimestre
O ICVA encerrou o terceiro trimestre de 2016 com retração de 4,9% em relação ao mesmo período do ano passado, depois de descontada a inflação. Apesar do desempenho ainda negativo, a curva deste ano (ver abaixo) mostra uma estabilização no ritmo de retração do varejo, que antes vinha numa trajetória descendente. Os números nominais mostram leve aceleração, porém puxada pela inflação.
Sobre o ICVA
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do varejo brasileiro de acordo com a sua receita de vendas, com base em um grupo de mais de 20 setores mapeados pela Cielo, de pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor dentro do resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.
O ICVA foi desenvolvido pela área de Inteligência da Cielo com base nas vendas realizadas nos mais de 1,8 milhão de pontos de vendas ativos credenciados à companhia. A proposta do Índice é oferecer mensalmente uma fotografia do desempenho do comércio varejista do país a partir de informações reais.
Como é calculado
A gerência de Inteligência da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos que foram aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do comportamento competitivo do mercado de credenciamento, como a variação de market share, bem como isolar os efeitos da substituição de cheque e dinheiro no consumo – dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.
Esse índice não é de forma alguma a prévia dos resultados da Cielo, que é impactado por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.