Mães empreendedoras mostram como enfrentam seus desafios
7 de maio de 2016
Ser mãe não é nada fácil, recebendo ajuda ou não. Essa situação é ainda mais complicada quando a mulher é também dona de um negócio: afinal, o trabalho de um empreendedor não é regido por uma jornada de trabalho fixa, como acontece na rotina (já complicada) de uma funcionária.
Por isso, neste mês das Mães confira a história de algumas empreendedoras que abriram seu negócio – seja ele próprio ou franqueado – na mesma época em que tinham filhos pequenos para criar.
Elas contam por quais dificuldades passaram e como resolveram essa situação, sem deixar de cuidar nem dos negócios e nem dos filhos. São lições valiosas para qualquer dono de empresa que pensa em desistir por conta do cansaço!
Confira:
Desafio: enfrentar complicações na gravidez enquanto trabalha
Kelly Boscarioli criou a KB Assessoria em Comunicação em 2003. Na época, tinha uma filha de quatro meses de idade, que nasceu prematura. Dois meses após a abertura da empresa, engravidou novamente, de um menino.
“Levei um susto! Foi uma gravidez de risco, mas não deixei de trabalhar um único dia. Fazia home office a maior parte do tempo e tinha flexibilidade nos horários”, conta a mãe empreendedora.
Para superar a dificuldade da gravidez, Kelly afirma que pensava em dar o melhor para seus filhos. “Tenho certeza de que a chegada dos bebês nesse período foi um combustível, e continua sendo até hoje. Todas as vezes que olho para eles vejo aquele mesmo olhar de ‘mãe, vai lá fazer o seu melhor, porque eu estou aqui torcendo’.”
Desafio: abandonar os benefícios de ser funcionária
Melissa Kian tinha uma filha de oito anos de idade quando virou franqueada da rede de escolas de inglês The Kids Club, em janeiro deste ano. Para isso, trocou uma carreira de 20 anos na área de Recursos Humanos em empresas de engenharia.
“Era um trabalho apaixonante, com muitos desafios, projetos globais e com a segurança de ser uma profissional assalariada, com um bom pacote de benefícios. Mas, depois do nascimento de minha filha, no retorno da licença maternidade, percebi que seria muito delicado conciliar as demandas do mundo corporativo e a rotina com ela”, explica a empreendedora.
Porém, para Melissa, essa mudança foi positiva: ela diz que seus conceitos de realização e felicidade mudaram. “Estamos mais próximas e mais felizes. Ela está tão agradecida pela minha escolha que faz questão de mostrar seu engajamento, ajudando em algumas tarefas do trabalho e dando sugestões. Estamos vivenciando um período de muita sintonia e prazer em estarmos juntas.”
Desafio: aceitar sair do mundo “100% negócios”
Milena Luisa criou o blog Sementinha da Gente em homenagem aos seus três filhos, que na época tinham oito, quatro e três anos. A ideia do projeto é desenvolver conteúdo e produtos voltados ao universo materno e infantil.
“Na verdade, o mais difícil foi aceitar sair do mundo coorporativo. Eu era fascinada pela adrenalina pela correria, produções, grandes ações… Mas, com o tempo, fui vendo que a disponibilidade para essas realizações estava cada vez menor”, conta a empreendedora.
“Só que fui sentindo que os momentos com eles eram muito mais incríveis do que minhas conquistas dentro das empresas. Depois de um processo de coaching, vi que um dos meus maiores valores era a família. Comecei a perceber que isso poderia ser um bom início para um negócio com sentido para mim, porque falo do que eu amo. Quero mostrar que a vida em família pode ser muito mais gostosa, divertida e simples do que parece ser.”
Desafio: assumir o sustento financeiro da família
Vanessa Wander começou a trabalhar com moda há mais de 20 anos. Na época, ela tinha um filho recém-nascido e outro de dois anos. Viúva aos 19 anos, Vanessa viu o empreendedorismo como uma solução para ter uma renda melhor e maior liberdade para ficar com os filhos.
“Conciliar o trabalho de ser mãe e pai e assumir financeiramente a família não era uma tarefa fácil. Empreender foi a melhor coisa que fiz”, conta a empreendedora.
Vanessa montou escritórios em casa ou então bem próximas, para ver as crianças na hora do almoço e levá-las à escola. As crianças iam para seu trabalho ao menos uma vez na semana. “Isso os ajudava a entender o que eu estava fazendo, e o porquê”, diz. Hoje, a empreendedora administra o e-commerce de vestuário B2B eModa, aberto em 2013.
Desafio: conciliar reuniões e amamentação
Maria Cecília Teles abriu uma franquia da rede de ensino Kumon 2003, em Salvador (Bahia). Seu filho tinha quatro anos na época e, após seis anos de negócio, a empreendedor engravidou do seu segundo filho.
A principal dificuldade que encontrou foi amamentar e estar presenta na empresa, ao mesmo tempo. “Não queria deixar nenhuma das coisas sem atenção. Então, fazia rodízio entre a amamentação e a rotina dos alunos e treinamentos da franquia”, conta. Em alguns casos, Maria Cecília levou o filho a compromissos profissionais, para não deixar de amamentar.