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Tapete vermelho: sonho, moda, e publicidade

19 de janeiro de 2016

Todo começo do ano, uma série de premiações nos EUA reconhece as principais produções de TV, cinema e música, cuja popularidade e influência se faz presente no mundo todo. A entrada das estrelas no prêmio é tão esperada quanto a festa em si, fazendo do tapete vermelho um momento importante também para a moda e a publicidade. Para as estrelas, é a oportunidade de alavancar a imagem como ícone de estilo. Já para as grifes, é uma vitrine responsável por alavancar vendas, enquanto para espectadora, são mostradas as tendências em alta. É o momento de se inspirar para, se possível, ficar tão glamourosa quanto aquela atriz ou cantora.

Antes de tudo, o tapete vermelho de um evento do show bizz é uma passarela: para as estrelas, para as marcas que as vestem e para a própria indústria. Para o universo da moda, assim como para o do entretenimento, o red carpet é uma grande vitrine. Apesar das grifes mais importantes ainda apostarem no desfile em uma grande semana de moda como estratégia principal para apresentar as suas coleções, esse é um momento no qual a maioria das pessoas ainda não tem acesso.

Desfile x tapete vermelho

As principais grifes internacionais apresentam as suas novidades nas semanas de moda de Paris, Milão (as grifes mais antigas e tradicionais, que são referência mundial desfilam em uma das duas cidades) Nova York e Londres. Para os desfiles, são convidados apenas clientes VIP das grifes, celebridades, compradores de lojas importantes e imprensa especializada. Se você não faz parte de um destes grupos, dificilmente obterá um convite. Por mais que cada vez mais grifes apostem em soluções online para democratizar o acesso aos desfiles – transmissões em live streaming e ações nas redes sociais – o consumidor final não está presente, e com isso se perde o momento de magia proporcionado pelo desfile.

Já a audiência dos tapetes vermelhos não se limita a algumas poucas centenas de privilegiados: ela é global, e sempre na casa dos milhões. Neste momento, vemos muitas vezes pessoas que admiramos usando as peças, recurso mais do que eficaz para alavancar vendas de determinadas peças, tendências e estilos. Muitas vezes em um desfile, é uma modelo desconhecida do grande público que usa a peça, enquanto no tapete vermelho, é uma atriz ou cantora que tem uma legião de pessoas que as admira.

Estilo na vitrine

Fotos da estrela no tapete vermelho são repercutidas em sites e revistas, o que inconscientemente leva a leitora a ter o desejo de se tornar tão glamourosa quanto aquela atriz. Atentas a isso, as marcas  usam como estratégia de venda o fato de tal atriz ou cantor ter usado a peça. Quanto mais famosa e premiada a pessoa é, maior o valor agregado da roupa. Também é natural que marcas lancem versões de preço mais acessível, modelos que se inspiram ou copiam descadaramente a peça original.

Como o dresscode da maioria das vezes exige o black-tie (ternos e smokings para homens, vestidos longos para as mulheres) a maioria dos astros presentes nas festas optam por grifes conhecidas no mercado, que são sinônimo de elegância e que vão agregar valor ao visual. Um modelo exclusivo de uma grife como Chanel ou Dior chega a custar o preço de um carro ou de um apartamento. São peças produzidas em escala mais do que limitada e feitas artesanalmente com as melhores matérias primas e técnicas disponíveis, pelos profissionais mais capacitados do mundo. Além do valor agregado da etiqueta, o fato de uma atriz premiada com o Oscar usar o vestido torna o valor da peça ainda mais surreal.

Pensando o look: moda e marketing

O visual de uma estrela no tapete vermelho nunca é fruto do caso. As roupas, acessórios, cabelo, maquiagem e atitude são pensados em conjunto, tendo sempre um objetvo por trás. Seja alavancar a audiência da obra protagonizada por ela e consequentemente a sua carreira, ou uma propaganda mais imediata da produção. Em Hollywood, a conhecida permuta também acontece: Grifes emprestam roupas e acessórios em troca da divulgação em revistas, sites e mídia social.

Também acontece de celebridades serem contratadas pelas grifes como embaixadores de estilo fora do tapete vermelho. É o caso de atrizes como Charlize Theron, Marion Cotillard e Jennifer Lawrence, três musas das premiações que são garotas-propaganda da Dior e na maioria das vezes usam looks da grife nestas ocasiões.

Assessores de imprensa das celebridades, RPs de grifes e estúdios e profissionais de moda e beleza são os responsáveis por em conjunto criar o visual das estrelas para o tapete vermelho, aquele que será alvo de elogios ou críticas. E é essa repercussão que muitas vezes acaba prevalecendo na escolha do visual. Por medo de críticas negativas, as estrelas optam por um visual mais seguro, à prova de erros, anulando um pouco do seu estilo e personalidades reais, tirando assim também a emoção que é inerente ao tapete vermelho.