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Star Wars Fashion

30 de dezembro de 2015

Poucas obras cinematográficas podem dizer que transcenderam as salas do cinema, fazendo parte da vida de milhares de pessoas mundo afora. A saga Star Wars é uma delas. Expressões como “a força está com você” “sabre de luz” ou “o lado negro da força” são reconhecidas praticamente no mundo todo, mesmo por quem não é fã da série. Prova da força do universo criado por George Lucas, que fascina gerações em torno das batalhas intergalácticas. São tantos os aspectos memoráveis de Guerra nas estrelas que um dos mais interessantes passa quase sempre despercebido: o lado fashion das trilogias e a importância delas como referência para os figurinos de ficção científica, tema que já abordamos aqui na coluna.

Independente da temática ou gênero do filme, os figurinos usados em cena são sempre importantes. Eles auxiliam o ator a entrar no mood do personagem, dando suporte à interpretação e também ajudam o diretor a contar a história. Elementos de apoio para a narrativa, os looks mostrados na tela entregam aspectos físicos, sociais e psicológicos dos personagens. Eles mostram para o espectador se o personagem é rico ou pobre, se está feliz ou triste, se ele é bom ou mau e quais as suas intenções em determinada cena. Resumindo, o figurino fala sem se utilizar de palavras, fortalecendo o apelo estético e garantindo a (necessária) agilidade na narrativa. Diretores de estilos tão diferentes quanto Alfred Hitchcock, Quentin Tarantino e Sofia Coppola fizeram uso desse recurso de forma memorável em filmes igualmente inesquecíveis como Um corpo que cai, Bastardos inglórios e Maria Antonieta.

Desde o começo da saga nos anos 1970 que o lado fashion da aventura não foi esquecido e desde sempre foi um desafio e tanto aos figurinistas, que tinham por obrigação criar algo que fosse útil e ao mesmo tempo desse veracidade para a história, que é rica em cenários, personagens e situações que beiram a caricatura. Outro problema são as referências: afinal, a tão falada guerra nas estrelas se passa há muito, muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante. O que no mínimo nos desperta curiosidade para saber o que eles usavam lá, e o quanto diferente as roupas deles seriam das nossas.

Em Star Wars, assim como em muitos filmes, o figurino diferencia claramente mocinhos de vilões. Enquanto os heróis usam cores claras e roupas de tecidos leves, as roupas dos malvados são pesadas e sombrias assim como a própria personalidade deles. Na nossa cultura, branco é associado com a paz e a pureza, enquanto o preto, com o mistério e a escuridão, sendo durante muito tempo uma cor símbolo de luto. E não apenas as cores, mas também as formas das roupas falam sobre a característica dos personagens. Enquanto os looks dos cavaleiros Jedi procuram externar respeito e sabedoria, a armadura de Darth Vader emula o poder e a força pelas quais o personagem luta.

E como as roupas falam muito também sobre a época na qual foram criadas, vemos essas nuances de forma clara em Stars Wars. Enquanto na primeira trilogia o apelo sexy, o futurismo e o non sense davam o tom dos looks – refletindo respectivamente a revolução sexual, os avanços tecnológicos e a filosofia hippie da época – , na segunda, foram a fantasia e as referências históricas e culturais que se destacaram. Resta saber o que podemos esperar da terceira trilogia da série, iniciada neste ano e que tem figurinos assinados pelo americano Michael Kaplan, que começou a carreira em Blade Runner e assinou os looks de outra memorável aventura no espaço, Star Trek.

Em O despertar da força, sétimo episódio da série, a mocinha Rey (Daisy Riley) usa roupas que parecem releituras dos trajes típicos dos moradores do deserto do Saara. Já a vilã Capitã Phasma (Gwedoline Christie), uma verão feminina do Darth Vader aparece sempre em uma armadura brilhante que esconde o seu rosto e a sua silhueta feminina. Outro aspecto subjetivo que vale destacar nos figurinos de Star Wars: os vilões principais quase nunca mostram o rosto. Assim como na tela Três de Maio de 1808 em Madrid, do mestre espanhol Goya (onde só o rosto das vítimas é mostrado) a mensagem é clara: a maldade humana é atemporal e impessoal.

Enquanto a princesa Leia (Carrie Fisher) domina o lado fashion da primeira triologia da série, é a sua mãe, a rainha Padmé (Natalie Portman) que se destaca como trendsetter na segunda parte da aventura, que tem no apelo estético – direção de arte e figurinos – o seu destaque. Até agora, a mãe de Luke e Leia detém o título de musa fashion de Guerra nas estrelas.

Usando looks de inspiração minimalista, a personagem de Carrie Fisher refletia o visual da mulher na década de 1970. Inesquecíveis são o seu penteado icônico e o biquíni inspirado em uma pin up hollywoodiana. Já a Padmé  de Natalie Portman tem um visual super rico, composto por dezenas de referências históricas. Desde o estilo medieval até o look barroco das rainhas europeias, passando pelos trajes típicos asiáticos, os looks da personagem são pura inspiração. Esses e outros looks imperdíveis da saga podem ser conferidos de perto em uma exposição que fica em cartaz em Nova York até o fim do ano que vem.