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“Mesmo com a crise no setor e pouco apoio governamental, eu acredito no potencial da Paraíba para se construir”

19 de novembro de 2015

Oferecer uma pesquisa de mercado para acompanhar o desempenho do setor e realizar o cálculo do custo unitário básico, que serve de referência para reajustes de contratos. Esses são os principais papéis do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP), fundado há 35 anos e que representa hoje 220 empresas da Região Metropolitana.

O Paraíba Total conversou com exclusividade com o novo presidente Sinduscon-JP e proprietário da Construtora ABC, João Barbosa de Lucena, empossado no último dia 9 de novembro para saber sobre as expectativas da nova gestão.  “Juntamente com os demais integrantes da nova direção da nossa entidade, nós certamente buscaremos caminhos viáveis para tornar o órgão cada vez mais vivo e atuante em prol daqueles que integram a construção civil no nosso Estado”, destacou. 

Sobre mercado, crise, desafios e importância do setor, João Barbosa de Lucena analisa o setor na entrevista que segue.

Conte um pouco da sua formação e da sua história de ingresso na construção civil.

Sou engenheiro agrônomo, formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e até 1986, eu trabalhei no Estado. Por cerca de quatro anos me ausentei da Paraíba para fazer curso de mestrado e outros cursos de aperfeiçoamento. Em seguida, em 1986, eu fui trabalhar no Banco Mundial e lá passei 22 anos. Em 2010, fiquei prestando consultoria e, paralelo a isso, criei a ABC Engenharia, juntamente com outros dois sócios, meus cunhados Adalberto Uchoa e Antonio Patrício. Em  2005, nos separamos e assim eu criei a ABC Construtora, juntamente com meus dois filhos engenheiros civis.  Adalberto Uchoa criou a ABC Construções. Sociedades diferentes, mas com nomes semelhantes e que trabalham ainda de forma integrada. No dia 9 de novembro, fui empossado presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa.

Agora, nesta nova fase do senhor,  como será a gestão frente ao Sinduscon –JP?

Temos alguns desafios. Um deles é a questão da mão de obra. Pensando em como superar esse desafio, nessa minha gestão, eu pretendo e já tenho o apoio do segmento, para criar o programa de apoio aos nossos serviços oferecidos. Isso porque, primeiramente, os custos da mão-de-obra estão crescentes e hoje representa cerca de 50% do que direcionamos em uma construção. É um custo que não se reduz, ou seja, fazendo mais coisas com menos gente, porém gente realmente qualificada. E isso pode ser feito tranquilamente por meio de uma boa gestão e pessoas mais preparadas e com domínio do seu serviço a ser desenvolvido. E isso sei que buscaremos e conseguiremos parcerias para colocar essa meta em prática. Como ainda por meio do uso correto de tecnologia. Até porque, a produtividade do Brasil de maneira geral ainda é muito baixa. Ela hoje só é superior a da China e de países da África. Se pegarmos os Brics (Brasil, Rússia, India e China) , veremos que o trabalhador americano faz em média em um dia, o brasileiro leva cinco para fazer, ou seja, temos apenas 20% da produtividade do americano. E isso se deve ao investimento na educação que lá têm e que não temos.

Qual é a sua expectativa frente à direção do Sinduscon-JP?

Juntamente com os demais integrantes da nova direção da nossa entidade, nós certamente buscaremos caminhos viáveis para tornar o órgão cada vez mais vivo e atuante em prol daqueles que integram a construção civil no nosso Estado.  Nosso segmento de atuação é um dos mais importantes para a economia da Paraíba, já que ele sozinho corresponde à quase 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da Paraíba e emprega cerca de 50 mil pessoas, nas mais diversas funções em todo o Estado.

Quais as principais ações já desempenhadas pela entidade?

O sindicato tem crescido nos serviços prestados aos associados, com cursos e capacitações, em parceria com o Senai e a Escola da Construção Civil, com a realização de eventos de grande porte como o Fórum Inovar & Construir, o Seminário da Construção Sustentável e o Seminário sobre a Norma de Desempenho – NR 15.575.  E tudo isso, estará certamente na nossa pauta de trabalho.

Como senhor analisa o mercado da construção este ano?

Eu lamento sobre o ano. Pois, tenho filho que já chegou a ter cinco obras de grande porte ao mesmo tempo e hoje tivemos que reduzir a apenas duas. Essa redução também ocorre de forma estratégica, visto que precisamos nos resguardar e recuar para superar esse momento de recessão até que o mercado volte a melhorar. Atualmente nossas duas obras estão localizadas no bairro do Altiplano, que são o Paternon, um empreendimento domiciliar e comercial, com apartamentos de um, dois e três quartos e também espaços para lojas e escritórios comerciais no térreo, e a mesma será entregue em 2017. O outro é o Pátio, um centro comercial, na Panorâmica, com uma área de 2,7 individual metros quadrados, 5,4 mil metros quadrados.

As construtoras no momento estão mais entregando do que lançando. O senhor acredita que aqui no Nordeste ainda é um mercado bom de se investir em comparação ao restante do País?

O Nordeste nos últimos anos tem crescido mais do que o restante do País. E João Pessoa tem sido beneficiada pelos investimentos diretos e indiretos que têm sido feitos nela. Parte foi dos investimentos indiretos, a exemplo do Centro de Convenções que aqui foi construído que vai trazer turismo de eventos para cá. E ela é uma cidade que por si só já tem vários outros atrativos como uma das orlas mais bonitas do Brasil, com 18 km de praias dentro da Região Metropolitana e de boa qualidade, limpas e agradáveis, e está localizada no ponto mais oriental das Américas. Então, o que vejo na nossa cidade e nos nossos encontros do segmento, são pessoas dizendo estar encontrando a Paraíba e sua Capital como um lugar bom para viver. Então, estamos torcendo para que essa cidade avance cada vez mais nesse sentido, já que não temos aqui grandes indústrias que geram renda e desenvolvimento a um lugar, mas temos bons serviços e uma boa tecnologia. Por tudo isso, mesmo com a crise no setor e pouco apoio governamental, eu acredito no potencial da Paraíba para se construir.

Em vários setores no Estado a falta de mão-de-obra qualificada tem sido um dos principais gargalos enfrentados na atualidade. No seu setor de atuação essa problemática ainda é forte?

Nós também percebemos e muito esse problema e ele se deu porque em 2007, nós tínhamos 13.500 pessoas trabalhando na construção civil no Estado e 2013 subiu para 38. 200 pessoas, e por aí se pode- ter uma ideia do que foi ocasionado, com o rodízio dessas pessoas nas empresas em função da demanda de serviços. E nesse período não houve condições, mesmo com o empenho do Sesi e Senai, que também foram pegos de surpresa, de qualificar tanta gente. Então, as empresas construíram os seus próprios programas de capacitação e ascensão interna de função, com algumas experiências boas e outras não tão boas, onde serviços precisaram ser refeitos, para que clientes tivessem obras de excelência e qualidade esperada.

Como o senhor vê a importância dada pelo Governo ao setor da Construção civil? E o que precisa melhorar?

Hoje o governo não tem dado ao nosso segmento a devida importância que era dada em outras épocas,  tanto o setor da construção civil e o automobilístico tinham uma certa atenção.  Hoje uma coisa que nos auxiliaria bastante seria o incentivo ao crédito, que é sem dúvida algo muito importante não apenas para quem constrói, mas também para as pessoas que buscam adquirir seus imóveis, injetando recursos no setor e ao mesmo tempo podendo pagar seu imóveis mais tranquilamente.

Algo mais a acrescentar aos leitores do Paraíba Total sobre o que podemos esperar da sua gestão que vai até 2018 frente ao Sinduscon-JP?

Eu acho que temos que perseguir e persistir também no trabalho social, numa boa prestação de serviço aos nossos colaboradores que nos espelharemos em São Paulo, Goiás e outros estados onde sempre é oferecido bons trabalhos de incentivo, lutando inclusive por recursos para que isso aconteça. Pois, seja em qualquer setor pessoas valorizadas elas produzem mais e melhor. Dando ainda continuidade as boas ações que a gestão anterior tem desenvolvido. como no caso da luta por licenças ambientais, já que hoje existe de fato uma verdadeira disputa entre a Seman e a Sudema, que só burocratiza a condução das ações. Por fim, vamos cada vez mais incentivar a inserção da mulher nos mais diversos setores que compõem o nosso segmento na Paraíba.