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Patrimônio cultural do Estado, Teatro Santa Roza completa 126 anos

3 de novembro de 2015

Nesta terça-feira (03), o Teatro Santa Roza, patrimônio material do Estado, comemora 126 anos. O espaço foi palco de importantes acontecimentos políticos, históricos e culturais. Atualmente, o Governo do Estado trabalha em mais uma reforma, que deverá levar o espaço a outro patamar de utilização.

De acordo com a Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento da Paraíba (Suplan), desde o fechamento para a reforma, em 2012, diversas obras foram executadas no Teatro. Foram realizados ou estão em processo de reforma: recuperação na cobertura do teatro; polimento no piso em taco de madeira; recuperação nos lambris; recuperação e/ou substituição de janelas e portas (inclusos os camarins); restauração da fonte lateral; revisão na rede elétrica, com especial atenção aos lustres do salão; revisão na rede hidrossanitária; modernização da instalação de prevenção e combate a incêndio; recuperação dos banheiros; troca de todo o sistema de climatização, bem como colocação de um novo grupo gerador; substituição da coberta em telha canal do palco externo; novo projeto de iluminação da fachada e do entorno do teatro; novas pinturas interna e externa. Um dos aspectos mais importantes será a substituição da caixa cênica – construção cúbica que abarca palco e bastidores.

Ao total, a área de recuperação no Teatro é de 2.243,22m². De acordo com a Suplan, o valor do investimento da primeira etapa foi de R$ 907.398,14, e na segunda, R$ 1.608.591,30, totalizando um investimento de R$ 2.515.989,44 no mais clássico teatro da Paraíba, quinto mais antigo do Brasil e patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep).

Adriana Pio, diretora do Santa Roza, explica que justamente pelo tombamento, com a reforma, não haverá mudança na capacidade de público ou alteração na estrutura da edificação do teatro. Porém, é um equipamento com ótima capacidade de atender a público e apresentações artísticas. A plateia está configurada com 427 assentos; sendo 224 dispostos nos camarotes dos dois pavimentos, 194 no térreo, três para deficientes físicos, três para obesos e três no camarote do governador do Estado.

Para a diretora-superintendente da Suplan, Simone Guimarães, essa é mais uma obra que coloca a Paraíba na rota cultural a nível nacional. “Estamos terminando a conclusão da parte estrutural do Santa Roza – um dos teatros mais antigos do Brasil. Em breve o espaço continuará sendo palco de importantes acontecimentos artísticos/culturais, bem mais preparado e com uma moderna estrutura. Essa intervenção de melhorias é um marco na sua história que vem desde o século XIX, um espaço importantíssimo para o Governo do Estado”, disse. Ainda segundo Simone, para concluir a obra falta apenas a instalação da caixa cênica.

História – O Teatro Santa Roza foi palco de importantes acontecimentos artísticos e históricos da Paraíba, como a assembleia que concebeu a bandeira do Estado; a sessão da Assembleia Legislativa que mudou o nome da capital estadual de Paraíba para João Pessoa – em homenagem ao então presidente (governador) assassinado em 26 de julho de 1930; e ainda funcionou como cineteatro no período de 1911-1941.

A Fundação Joaquim Nabuco, entidade vinculada ao Ministério da Educação, informa que a pedra fundamental para a sua construção foi oficialmente lançada em 2 de agosto de 1852, por meio da Lei Provincial nº 549, durante o governo de Francisco Teixeira de Sá. A edificação ficou sob a responsabilidade da Sociedade Particular Santa Cruz, sendo suspensa em 1882, por falta de recursos financeiros.

A obra foi retomada durante o governo provincial de Francisco da Gama Roza, de onde vem o nome “Theatro Santa Roza”. Existe uma polêmica do “S” e do “Z” na grafia da palavra Roza. Uns defendem que deve continuar com Z por ter sido uma homenagem ao então governador Francisco da Gama Roza e outros, com S, que é a forma etimologicamente correta, proveniente do latim rosa. Há ainda quem defenda que o nome do político Gama Roza se grafava com ‘S’, como a historiadora Fátima Araújo, que lançou um livro sobre a história do Teatro. Atualmente, no entanto, a grafia da fachada segue com ‘Z’.

O espaço foi inaugurado no dia 3 de novembro de 1889, ocasião em que foi apresentado o drama “O Jesuíta – ou O Ladrão de Honra”, de Henrique Peixoto. Doze dias depois da inauguração do teatro, foi proclamada a República no país e Francisco da Gama Roza perdeu seu mandato.

Venâncio Neiva, o primeiro governante republicano da Paraíba, mudou o nome do local para “Teatro do Estado”, ato posteriormente revogado. O político João Pessoa, então candidato à vice-presidência do Brasil, quis mudar a sua localização por considerar aquela área, na época, marginalizada. Todavia, ele foi assassinado antes de conseguir executar o seu plano.

O edifício – que por dentro assemelha-se à proa de um navio – está voltado para o sul e situado no antigo Campo do Conselheiro Diogo, hoje Praça Pedro Américo, centro de João Pessoa. O Teatro é um monumento representativo da arquitetura civil de seu tempo, tem estilo neoclássico com influência greco-romana. Para a construção das paredes foram utilizadas pedras calcárias e para os camarotes e revestimento interno, madeira do tipo Pinho de Riga – hoje considerada madeira nobre. Na época do Brasil Colônia e Império era usada como lastro de rolete em navios que vinham da Europa e descartada quando as embarcações chegavam ao cais do porto de destino, sendo reaproveitadas na construção civil.

Para um teatro com mais de 120 anos, é natural que ao longo desse tempo tenha passado por várias reformas e restaurações, porém todas as intervenções arquitetônicas tiveram a preocupação de conservar o estilo original. O teatro, tombado igualmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, é considerado ícone da cultura paraibana e patrimônio do Estado, vinculado à Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc).