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Pesquisa mostra que um em cada três idosos dá calote para ajudar família endividada

10 de setembro de 2015

Idosos estão se endividando mais do que o restante da população e uma das explicações está relacionada com o crédito consignado. Milhões de brasileiros com mais de 61 anos estão ficando inadimplentes para ajudar a família endividada. Segundo um estudo inédito da Serasa Experian, baseado na segmentação Mosaic Brasil, que divide a população em 11 grupos, os inadimplentes com 61 anos ou mais já chegam a 6,99 milhões de pessoas.

Isso equivale a cerca de 1 em cada 3 pessoas da população desta faixa etária (23,7 milhões, segundo o IBGE) e representa 12,4% dos 56,4 milhões de inadimplentes do País.

O gerente da Serasa Experian, Fernando Rosolem, afirma que os idosos estão se endividando mais do que o restante da população e que a principal explicação para isso é o fácil acesso ao crédito consignado.

“O idoso faz o empréstimo para ajudar a família, mas não consegue se manter em dia com os pagamentos das parcelas. Isso corre porque essa faixa etária é uma das que mais sofre com a alta de preços de remédios, plano de saúde e alimentos. Já que quase a metade do orçamento familiar é com esses gastos”, afirmou.

De acordo com o especialista da Serasa, como esse tipo de financiamento é mais acessível aos aposentados, em momentos de alta da inflação e aumento do desemprego, eles recorrem a esse tipo de crédito para socorrer as contas da casa. “O consignado é mais barato e passa a fazer parte do dinheiro da família”, acrescentou.

Consignado

Em agosto, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) regulamentou o aumento do limite do empréstimo consignado em folha de pagamento de 30% para 35% da renda mensal do benefício.

A Proteste Associação de Consumidores é contra essa regulamentação e afirma que a mudança traz “de volta o estímulo governamental irresponsável ao superendividamento”. Em nota, a associação alerta “pensionistas e aposentados para que não se deixem iludir por essa medida, sob pena de voltarem a reduzir sua renda efetiva, em função de endividamento crescente”.

Esse empréstimo tem taxas mais baixas porque suas prestações são abatidas diretamente dos vencimentos mensais dos aposentados e pensionistas. Além do aumento do percentual de endividamento, o prazo máximo para o pagamento dos empréstimos consignados foi ampliado de 60 meses para 72.

O estímulo ao consumo, associado à facilidade do acesso ao crédito já levou ao alto endividamento das famílias, sobretudo de aposentados e pensionistas, adverte Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste. E o agravante é que a ampliação do percentual do consignado foi permitida a partir do cartão de crédito, considerado um meio de pagamento “perigoso” para quem entra no crédito rotativo.

Só para emergências

Segundo o diretor de marketing e relacionamento da Sorocred, Wilson Justo, o crédito consignado pode ajudar numa situação de emergência ou ainda na realização de um desejo, mas, ao mesmo tempo, ele diminui a renda.

“Nos últimos tempos, temos percebido o aumento no número de aposentados endividados justamente por terem mais de um empréstimo. E, na maior parte dos casos, usados para cobrir outro tomado anteriormente”, alertou.

Ainda de acordo com Justo, o consignado não chega a ser a causa da inadimplência. Mas, na maioria das vezes, serve como uma porta de entrada para ela.

“Aí é que se instala a conhecida bola de neve. Geralmente, o dinheiro que sobra do desconto não dá para pagar outras despesas e o idoso acaba por recorrer ao cheque especial, cartão de crédito ou a instituições financeiras como auxílio para quitar as dívidas”, disse.

O executivo aproveita para lembrar que os juros estão presentes seja qual for a modalidade para tomada de crédito. “A média de juros do empréstimo pessoal em instituições financeiras, por exemplo, está na faixa de 8%. A do cheque especial está, aproximadamente, em 11% e a do consignado é de quase 4%. No entanto, é importante ressaltar a importância do planejamento financeiro para evitar que tais dívidas comprometam toda a renda do aposentado ou pensionista e isso reflita na renda familiar”, finalizou.