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Brasil perde selo de bom pagador de agência classificação de risco

10 de setembro de 2015

Já era mais do que esperado, mas mesmo assim não desceu bem. O Brasil perdeu o prestigiado selo de bom pagador, título que teve por sete anos. O rebaixamento veio de uma das três maiores agências internacionais de classificação de risco, a Standard & Poor’s. 

O alerta foi há dois meses e de lá para cá os números da economia só pioraram, e o clima político também.

O Brasil perdeu o grau de investimento, ou seja, o selo de bom pagador, que significa que o país é capaz de honrar as suas dívidas. Agora, entrou para o grupo de alto risco. Para esses países, os investidores cobram juros exorbitantes e são vistos com desconfiança.

O país sai do grupo da Itália, Índia e África do Sul para se juntar a Rússia, que enfrenta um embargo econômico, Turquia, Indonésia e Bulgária.

Por que essa decisão veio tão rapidamente? A economia não é a única explicação: pesou muito o clima político e não pegou nada bem a dificuldade do governo de negociar com o Congresso.

A agência Standard & Poor’s se deu conta de algo que o Bom Dia Brasil vem mostrando: as divergências dentro do governo, divisão na equipe econômica, declarações contraditórias e divergentes sobre a economia dentro do Palácio do Planalto. Além da solução que o governo encontrou de mandar para o Congresso um orçamento que já chegou no vermelho, com déficit.

Os investidores entendem que o governo desse país vai ter mais dificuldade para pagar as dívidas e que ele pode até dar um calote.

Por enquanto, é só uma ameaça, porque apenas uma agencia de classificação tirou o grau de investimento do Brasil. Outras duas mantém a avaliação positiva.

O economista Sérgio Vale explica que a situação fica realmente difícil quando duas agências rebaixam o país. “Essa sinalização da Standard & Poor’s a gente tem que entender como uma sinalização de que de fato isso pode acontecer com outras agências também e aí, sim, a perda do grau de investimento e se consolida. Com duas agências pelo menos a gente tem uma situação mais complicada na economia”, afirma.

Na nota em que explicou a decisão, a Standard & Poor’s disse que aumentou muito o risco para o ajuste fiscal em andamento no Brasil e que houve perda de coesão dentro do gabinete ministerial da presidente. Mas, no fim, a agência afirma que essa perspectiva negativa pode ser revista se as incertezas políticas e a consistência da política econômica melhorarem.

“Enquanto tivermos em uma situação de crise política, crise econômica e instabilidade evidentemente os investidores vão ficar olhando duas vezes. Em cima disso, nós acabamos de perder o grau de investimento para a principal agência de classificação de risco, isso implica basicamente que os investidores agora vão pensar três vezes, digamos assim, antes de vir”, ressalta o economista Claudio Frischtak.

A agência Standard & Poor’s usou algumas palavras para descrever o trabalho do governo: falta de vontade e de habilidade, quando mandou o Orçamento já com déficit.